segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Resenha - O castelo Animado de Diana Wynne Jones



Eu conheci a história do Castelo animado através de uma animação do Studio Ghibli (imagem acima) que, inclusive, leva o mesmo nome. Me apaixonei por Howl, Sophe e Calcifer e não imagina a grata surpresa que foi descobrir que a linda animação era a adaptação de um livro.  Todo mundo sabe que o livro sempre vai ser mil vezes melhor que qualquer adaptação, seja ela para o cinema, desenho animado, HQ... e O Castelo Animado não foge à regra. Embora a animação do Hayao Miyazaki seja uma obra prima, não há como não dizer: Pessoas, leiam o livro também!!!
No livro vamos ter Howl, Calcifer e Sophie de uma maneira tão mais delineada e atraente que vocês nem imaginam.  Mas então, vamos a história;
Sophie Hatter é a mais velha das três filhas de um fabricante de chapéus. Mas acontece que após o seu pai morrer sem deixar a família em uma condição financeira muito favorável, a sua madrasta resolve dar um destino as três meninas. Martha, a mais nova, é designada a se tornar aprendiz de uma feiticeira amiga da família, Lettie, a do meio, tem um destino mais infeliz, é designada a ser a aprendiz de uma delicatessen e Sophie, fica como aprendiz da madrasta Fanny e tem como destino fabricar chapéus em uma salinha apertada, isolada do mundo. No entanto, Sophie tem um talento para a coisa e em pouco tempo a chapelaria de seu pai prospera de um modo que ela logo é obrigada a ficar no balcão atendendo aos clientes.
Só que Sophie estava destina a ser muito mais do que uma simples fabricante de chapéus. Um dia, a bruxa das terras desoladas entra em sua chapelaria e sem que ela entenda a razão,  é transformada em uma velha de 90 anos cheia de reumatismo. Conformada com aquela sina, mas determinada a não deixar que a sua família a veja daquele jeito, Sophie resolve cair no mundo.  Cansada depois de muito andar ela resolve bater na porta pedindo abrigo de nada menos que do castelo andante do Mago Howl, o temido mago que na sua cidade tem a fama de comer o coração de mocinhas e do qual, antes de ser enfeitiçada, Sophie tinha muito medo. Sentindo que não tem mais nada a perder, Sophie resolve insistir e tentar entrar para descansar no castelo, é ai então que ela conhece Calcifer, um demônio do fogo subjugado pelo Mago Howl.
Calcifer faz uma proposta a Sophie; ele tentaria quebrar o feitiço que a Bruxa das Terra Desoladas lançou nela se ela, em contrapartida, quebrasse o contrato que o unia a Howl e o libertasse, Sophie aceita o trato, mas para isso ela teria que conseguir permanecer no castelo para tentar descobrir as condições do contrato, é ai então que Sophie, Howl, Calcifer e Michael, o aprendiz de Howl, começam a conviver  e juntos vão viver aventuras que só um mundo mágico pode proporcionar.  No decorrer da História vamos percebendo que todos os eventos desde o início da história estão relacionados como se fossem peças de um quebra cabeça que precisavam da intervenção de Sophie para se encaixarem em seus lugares na história. Sophie é a peça central de tudo e talvez dela dependa também a possível regeneração e salvação do divertidíssimo e impossível mago Howl.  
Howl é de longe o personagem mais incrível e interessante da história, é um enigma que vai sendo desvendado aos poucos. Extremamente vaidoso, namorador, dramático, volúvel, egocêntrico, desleixado, mas brilhante e muito talentoso. É um tipo de personagem que a gente sente vontade de bater ou apertar inúmeras vezes.
Calcifer não fica por baixo, é o tipo de personagem que se a gente tivesse de escolher entre a morte dele ou do cachorro, a gente escolhe o cachorro. Ele e Howl tem um relacionamento de amor e ódio e a gente acaba amando isso.
Sophie é a personagem que a gente queria ser, mesmo como uma velha de noventa anos repleta de reumatismo ela coloca de pernas para o ar a vida de Howl, Calcifer, Michael e dá muito, mas muito trabalho à Bruxa das Terras Desoladas. Ainda tem as irmãs de Sophie que são tão adoráveis e tão arteiras quanto Sophie. tem também o misterioso sumiço do Mago Suliman e do príncipe Justin e um espantalho obstinado e um homem cachorro que vem deixar a história ainda mais interessante. Sem falar que o castelo animado vem a ser uma atração a parte, literalmente cheio de vida e detalhes e os outros cenários onde a história se passa são cada um mais interessante que o outro.
O livro vale muito a pena ser lido, principalmente por aqueles que gostaram da animação dos Studio Ghibli e nem imaginam que a história guarda muito mais coisas que a animação acaba mostrando, sem falar que o final é ainda mais fantástico e atraente que da adaptação de Miyazaki. Somando a tudo isso ainda tem um detalhe que a gente é incapaz de não notar; trata-se de uma leitura muitíssimo divertida.  Segue abaixo um trecho da história:  

Capa do livro


Sophie borrifou água da pia para abaixar a poeira, o que fez Calcifer se encolher contra a chaminé. Então varreu novamente o chão. Varreu na direção da porta a fim de dar uma olhada na maçaneta quadrada acima dela. O quarto lado, que ela ainda não vira ser usado, tinha um borrão de tinta preta. Perguntando-se aonde aquele daria, Sophie começou a varrer energicamente as teias de aranha das vigas. Michael gemeu e Calcifer tornou a espirrar.
Nesse momento, Howl saiu do banheiro, envolto numa nuvem de perfume. Tinha um aspecto maravilhosamente elegante. Até os bordados de prata em seu traje pareciam ter se tornado mais brilhantes. Ele deu uma olhada e voltou para o banheiro com uma manga azul e prata protegendo-lhe a cabeça.
— Pare com isso, mulher! — disse ele. — Deixe essas pobres aranhas em paz!
— Essas teias são uma vergonha! — declarou Sophie, juntando-as em bolos.
 — Então tire-as, mas deixe as aranhas — disse Howl. Provavelmente ele tinha uma desagradável afinidade com aranhas, pensou Sophie.
 — Elas só vão fazer mais teias — disse ela.
— E matar moscas, o que é muito útil — replicou Howl. — Fique com essa vassoura parada enquanto atravesso minha própria sala, por favor.
Sophie apoiou-se na vassoura e observou Howl atravessar o quarto e pegar seu violão. Quando ele punha a mão no trinco da porta, ela disse:
 — Se o borrão vermelho leva a Kingsbury e o borrão azul dá em Porthaven, aonde leva o borrão preto?
 — Que mulher bisbilhoteira você é! — exclamou Howl. — Esse leva ao meu refúgio particular e você não vai saber onde é. Ele abriu a porta para a ampla e móvel paisagem do pântano e as colinas. — Quando vai voltar, Howl? — perguntou Michael, um pouco desesperançado. Howl fingiu não ouvir. Ele disse a Sophie:
 — Você não vai matar uma só aranha durante minha ausência. — E a porta bateu atrás dele. Michael lançou um olhar significativo para Calcifer e suspirou. Calcifer crepitou com uma risada maliciosa.
Como ninguém explicasse aonde Howl havia ido, Sophie concluiu que ele tinha partido para caçar jovenzinhas novamente e se lançou ao trabalho com vigor mais justificado do que antes. Ela não ousou causar dano a nenhuma aranha depois do que Howl dissera. Então, batia nas vigas com a vassoura, gritando: “Fora, aranhas! Fora do meu caminho!”. As aranhas saíam correndo para todos os lados, para salvar suas vidas, e as teias caíam em feixes. Depois, naturalmente, ela teve de varrer o chão novamente. Em seguida, ajoelhou-se e esfregou o chão.
 — Queria que parasse com isso! — disse Michael, sentando-se na escada, fora do caminho dela. Calcifer, agachando-se no fundo da lareira, murmurou:
— Gostaria de não ter feito aquele acordo com você! Sophie continuou esfregando com vigor.
— Você vai ficar muito mais feliz quando estiver tudo limpo e bonito — disse ela.
 — Mas estou infeliz agora! — protestou Michael.
Howl só voltou tarde da noite. Nessa hora, Sophie tinha varrido e esfregado até o ponto em que mal podia se mexer. Estava sentada curvada na cadeira, o corpo todo dolorido. Michael agarrou Howl pela manga esvoaçante e o arrastou para o banheiro, onde Sophie podia ouvi-lo despejando queixas num murmúrio empolgado. Expressões como “velha horrível” e “não ouve uma única palavra!” eram fáceis de se ouvir, embora Calcifer estivesse rugindo.
 — Howl, detenha-a! Ela está matando a nós dois! Mas tudo o que Howl disse, quando Michael o largou, foi:
 — Você matou alguma aranha?
— É claro que não — respondeu Sophie. Suas dores deixavam-na irritada. — Elas me olham e correm para se salvar. O que são elas? Todas as garotas cujo coração você devorou? Howl riu.
— Não, apenas aranhas — disse ele, e subiu a escada sonhadoramente.


domingo, 26 de junho de 2016

Primeiras Impressões de Dias de chuva



Acabei de ler os primeiros capítulos de Dias de Chuva (de degustação). De primeiro o titulo da obra já me instiga. Seria uma metáfora para coisas boas ou coisas ruins? Pra mim os dias chuvosos sãos os mais lindos e misteriosos; o batuque da chuva nas superfícies sólidas, o cheiro de terra molhada, o vento gelado, o céu obscurecido pelas nuvens, as ruas desertas, as camas ou poltronas quentes e aconchegantes. Mas a chuva também pode ser um fenômeno implacável, feroz, cruel com as coisas frágeis ou com os desprovidos de amparo. Ainda não sei o que a chuva trará nessas 335 páginas do livro da Carolina Mancini, mas já dá pra imaginar que tem muito mistério e criaturas fabulosas. De inicio a história da Júlia e sua família dá uma dorzinha no peito e caroços na garganta. A situação financeira difícil, a irmã desnutrida, o irmão enfermo, a mãe exausta de tanto trabalhar e um pai entregue ao vicio da bebida e dos jogos. Até que aparece uma figura misteriosa em cena, um jovem estrangeiro. Então vem as coisas incompreensíveis, a salvação, as mudanças lançando a suspeita de que tudo tem um preço, o que fez nascer aquela curiosidade que certamente me fará perder todas as unhas da mãos. O que faz Audrick ajudar a família de Júlia, o que ele viu nos olhos da menina que o encheu de surpresa e o fez socorrer-lhe a infância em ruínas, que criatura ele seria, um vampiro, um deus nórdico, um feiticeiro, um dragão!!!!? E esse relacionamento entranho que nasce entre os dois... Não da pra esquecer que Júlia tem apenas 8 anos. Enfim, essas são as dúvidas que surgem nos primeiros capítulos e é claro que eu quero mais.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Lágrimas

video

A algum tempo atrás fiz esse vídeo com as etapas de criação de um dos meus desenhos. Fiz mais pra mostrar como é o meu processo de criação mesmo, algo meio inconsciente, selvagem, despretensioso,

Acontece muito de eu gostar mais deles nas etapas iniciais, quando é apenas um borrão, sem muita definição, sem muito retoque. Mas ai vou burilando, burilando e parece que alguma coisa mudou, a expressão mudou, não é o mesmo desenho, está mais refinado, mas eu continuo gostando mais de como ele era quando comecei. É difícil sair do lugar desse jeito, e a impressão que dá é que eu fico sabotando o meu progresso. Mas a sensação de insatisfação é persistente e tem sido difícil gostar do que tenho produzido. Esse eu não quis burilar muito, está quase nas etapas iniciais de borrões. 

Meus selinhos ^^

Meus selinhos ^^
Meus selinhos ^^