sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Fadas, mocinhas românticas e bichinhos...

O ano está terminando e eu não postei nada do fiz aqui. Eu sempre me percebo travando uma batalha com o que produzo, numa luta para me descobrir, como se minha caneta(pincel) fosse um oraculo revelando-me aspectos internos que meus olhos cegos não conseguem enxergar de outra forma. É sempre uma busca por uma ideia que não toma forma em absoluto. É um cavoucar incessante, uma inquietação que não tem nome,  uma frustração que não tem fim... e sobretudo, esforços que não tem resultados.
 Mas vamos lá, mostrar o que produzi.
Esse ano eu larguei o papel e o pincel e coloquei na minha cabeça de que deveria me dedicar a pintura digital, por ser tão mais pratica, mais fácil e econômica, talvez.


    Tem algumas fadas, essa é uma delas. A original no papel é um pouco estranha, mas eu gostei muito da versão digital, pelos tons que eu usei e o ar delicado que ficou. Apenas as asas não me agradaram. A versão digital eu chamo de Majestade Azul.



A segunda fada. Novamente as asas ficaram horríveis. Ela começou um desastre total, tanto que o nome do arquivo em psd é mulher feia. Eu fui burilando, ajeitando até que ela ficasse mais bonitinha. Eu a chamo de Encanto Púrpura, por causa do tom de pele meio defunto. Eu gosto de tons de pele mórbidos. 


Finalmente asas que me agradaram. Eu nunca faço fadas com asas de borboleta, é sempre de pássaro porque são as minhas preferidas, mas eu tinha que arriscar. Adoro fadas morenas com a pele branquinha e bochechas rosadas. Essa pintura eu chamei de Hesitação, porque ela está com um ar de abstração como se estivesse em dúvida sobre uma decisão muito importante. 

A última fada e com asas de passarinho que eu adoro. Ela ficou meio andrógina, como um anjo mesmo, mas eu não gosto muito da ideia de anjo, prefiro fadas. A ideia era fazê-la arrastando as asas à frente do busto para se cobrir, mas meus desenhos são rebeldes, nunca saem ao meu gosto.  


Esse é o meu preferido, comecei desenhando apenas o rosto da mocinha, então desenhei ela toda e coloquei a gárgula com ela por que inconscientemente coincidia com uma personagem minha. Comecei num tom só porque eu gosto dessa cor. Pretendo recolorir o cenário, talvez pois tenho a intenção de publicar o conto sobre o casal na Amazon e essa vai ser a capa.  


Mocinhas doces e bichinhos talvez seja a minha marca registrada. Nesse desenho, onde uma menina segura um "córneo cacheado" eu queria fazer algo simples para começar a desenhar com mais rapidez, então tentei um desenho que fica mais perto do esboço e sem traços rebuscados, queria algo mais suave também, mas confesso que esse tipo de trabalho não me agrada.



Mais mocinha doce e bichinhos... Abaixo tem a foto do ACEO em grafite. Eu não quis pintá-lo com aquarela porque usei muio grafite e sabia que ia manchar, então resolvi partir para arte digital. Como sempre tem seios desnudos. Os polêmicos seios que ninguém suporta muito ver, mas que eu acho a coisa mais linda...

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Resenha O órfão de Mariana Lucera


Baixei o órfão em uma promoção na Amazon, dessas onde o livro fica um dia ou dois de graça e depois volta ao seu preço normal. Baixei ele e outros de forma meio automática, apenas para aproveitar as promoções da Amazon. Não tinha a intenção de ler, ainda assim fui carregar o livro no meu dispositivo Kindle para os dias sem internet, entretanto, assim que o livro abriu e comecei a ler as primeiras palavras, fiquei ali lendo sem querer desgrudar da tela para fazer outra coisa. Isso por que Mariana Lucera escreve como canta uma sereia, sedutoramente. Não sei se é por que eu sou mórbida e curiosa ao extremo, mas o fato é que o primeiro capitulo te sentencia a ler o livro até o final. Não há como fugir, o órfão, narrador ‘personagem’, é um malandro manipulador sem igual que te induz página por página a desvendar todo o mistério orquestrado ali naquele primeiro capítulo. 
O que mais me chamou a atenção, antes da história, foi a escrita, a forma como a história é narrada é o que faz toda a diferença. Primeiro, o livro é narrado por um livro, não um livro qualquer, um livro sórdido, de personalidade feroz e de língua afiada. Isso mesmo, um livro com todas essas qualidades narrando uma história, não há como não tirar o chapéu para a autora. E a escrita é inteligente, não é aquela narrativa desleixada e sem tato que a gente se depara tanto entre os títulos da Amazon, o órfão demonstra mesmo ser uma mente sagaz, afiada, encadernada, de capa preta sem graça, e sem nem mesmo um autor para chamar de seu, mas de uma mentalidade desafiadora. Assim é o nosso narrador à medida que vai apresentando a história, dando sua opinião sobre os personagens (manipulando a nossa opinião), e desvendando aquele enigma apresentado no primeiro capitulo. 
Alguns elementos da história são bem clichês, e há alguns estereótipos bem evidentes, mas não importa, o órfão já nos seduziu. Já estamos totalmente seduzidos por Florence Force, a mocinha paranormal que parece que saiu das páginas de um livro do Stephen King, se King, além de tudo dosasse seus personagens com uma dose extra de sensualidade e beleza física. Também não há como sentir empatia com Pircy Almond, o mocinho nerd (aleluia que escreveram uma história onde o mocinho é um nerd fã de Star Wars) doce e bobo, do tipo de comete heroísmos por que não vê a hora de se tornar um heroi romântico igual os dos livros que tanto se entupiu de ler a sua vida toda. As vezes Pircy se mostra um tonto inepto que da raiva, mas em outras a gente esquece tudo por que, bem, ele é um nerd fofo mesmo, do tipo de criatura inofensiva e ingênua que a gente não consegue não amar e torcer a favor. 
Pircy Almond salvou Florence Force de um afogamento, ou ao menos ele tentou salvar, e assim a garota misteriosa que tem o corpo todo coberto de cicatrizes, e cujo o nome, se falado inteiro provoca tremores ou faz coisas explodirem, entrou em sua vida. Florence se sente ligada a Pircy por isso, e tem uma leve esperança de que com Pircy a maldição que a persegue, a mesma que faz as pessoas se suicidarem a sua volta, principalmente garotos que ela seduz, não terá efeito, ou agirá de forma diferente. A verdade é que Floresce está começando a despertar para a sua realidade funesta, começa a rejeitar a sua maldição e pela primeira vez, começa a se importar com alguém. Isso faz com que a sina de Florence realmente mude. Ela espera contar pela a primeira vez com a ajuda de alguém para desvendar os mistérios que cercam o seu renascimento e em seguida sua maldição, e espera encontrar um jeito de se livrar do apanhador de almas que a persegue e que a cada ano cobra uma vida a ela. Pircy e Florence se apaixonam enquanto que vão descobrindo que a chave para todas as respostas que procuram pode estar está ali, na cidadezinha onde a garota foi parar com a mãe, a pequena Fancywood. 
Para formar um triangulo amoroso ainda há o irmão de Pircy, Alfred Almond, o bonitão capitão do time, filho predileto e por quem todas as garotas caem aos pés. Alfred é o responsável pelo o declínio da história, há de se admitir, por ser um clichê, por fomentar a estúpida ideia de que um romance só se faz com um belo triangulo amoroso a lá Crepúsculo, e por que a personalidade de Florence parece fraquejar e se contradizer diante dele. Eu sou muito passional quando me envolvo com um livro, e confesso que no momento em que Florence aceita o flerte de Alfred, calculando que talvez ter um atleta valentão ao seu lado seja mais vantajoso do que um nerd hesitante e mirrado, nesse momento eu quase larguei o livro com um sentimento de traição e decepção. Felizmente os anos tem me legado mais sobriedade, e paciência e a autora ao menos um pouco não se limitou ao clichê ao trabalhar o personagem.
A história tem pontas soltas, discrepâncias, a gente acaba percebendo que a história não é exatamente aquilo que a gente pensava lá no inicio, mas grande parte disso pode ser perdoado se o leitor se fizer de bobo e lembrar que a história é narrada por um livro, nem todos os livros dizem a verdade, principalmente quando tudo o que ele deseja é ser ouvido, fazer com que a gente o leia, e a verdade é que esse órfão é um grande safado manipulador.

Meus selinhos ^^

Meus selinhos ^^
Meus selinhos ^^