segunda-feira, 9 de março de 2015

As coisas inusitadas que a minha mãe já fez - Especial dia das mães

Qual mulher não tem medo de baratas? Eu não tenho, mas minha mãe morre de medo, então em toda a minha vida tenho uma lista imensa de assassinato de baratas nas minhas costas por que precisava salvar a minha mãe, ela me criou como quase uma ninja matadora de baratas, embora muitas vezes tenha deixado uma ou duas escaparem por piedade. Mas essa história não é minha, é dela. A maioria das mulheres devem ter um motivo fútil por odiar as bichinhas, talvez por achar que é um bicho feio, nojento, ou por achar que toda mulher tem obrigação de não gostar de baratas. A minha mãe, do contrario, tem um motivo bastante forte, trata-se de um trauma de infância. Acontece que quando ela era criança, por perversidade, tentou queimar uma barata com a chama de um candeeiro. Mas era uma barata voadora! O resultado é que ela foi perseguida por toda a casa pela vitima. A barata só a deixou em paz quando ela pulou na cama dos meus avós e entrou debaixo dos cobertores. Desde então minha mãe não consegue ver uma barata sem entrar em pânico e só se sente confortável quando vê o cadáver da coitada esmagado no meio da casa. Em rompantes de coragem ela até se atreve a matar uma ou duas, mas quando são pequeninhas, daquelas baratas inglesas, barata grande ela não encara, então sobra para os filhos perseguirem, derrubar a casa, encontrar a fulana e mostrar seu cadáver estripado para a matriarca. 
Certa vez estávamos todos reunidos e uma coisa marrom saiu rolando pelo chão, minha mãe se levantou correndo pisoteando e gritando, mata, mata! Na sua mente paranoica era uma barata, mas era só uma inofensiva moeda de cinco centavos. Nunca nos esquecemos desse episódios.     
Por algum motivo que eu não consigo entender (juro que não dá pra conceber tal ideia), ela não gosta de gatos, prefere cachorros. Eu, entretanto, adoro gatos, então já trouxe um milhão de gatos para dentro de casa, gatos que as pessoas abandonam nas ruas. Mas ela sempre acaba encontrando um jeito de se livrar dos coitados, seja levando para o interior para uma amiga gateira ou forçando a minha prima também gateira a adotá-los por livre e espontânea pressão. Mas as pessoas continuam abandonando os gatos nas ruas, ou alguém sempre me presenteia com um gato, então eventualmente há um bichano em casa. 
Uma vez, eu nunca a deixo esquecer, com raiva da minha gata Morgan, ela abriu o portão e disse: Vá embora! Morgan foi mesmo e nunca mais a vimos. Quando a questionamos sobre isso, ela disse: Ah, eu não achei que ela fosse mesmo, e eles sabem o caminho de volta... Mas não foi o que aconteceu. Alguns dias depois eu sonhei com que a havíamos encontrado, mas ela estava com feridas e os dois olhos vazados por viver na rua. Eu sempre conto essa história a ela (sou o tipo de pessoa que sabe fazer alguém se sentir culpada só por perversidade) e acho que ela se sente mal em relação a isso por que depois disso ela deixou que eu trouxesse outros gatos para dentro de casa e quando meu sobrinho trouxesse dois filhotes que os meninos estavam maltratando na rua, ela os acolheu sem protestar. Além disso, outro dia eu acordei com a minha mãe colocando um filhotinho preto em meu travesseiro. Quando eu perguntei de quem era, ela disse: Acabei de salvar, abandonaram alguns filhotinhos na praça e alguns cães estavam estraçalhando um deles. Não é por que eu não goste deles que eu queira ver uma coisas dessas acontecer. Ela acrescentou. Como nas contas dela ainda faltava um filhote perdido na praça (o outro havia sido estraçalhado), então me levantei e fui procurá-lo.
Hope, a filhote que minha mãe colocou em meu travesseiro.

Com os dois que meu sobrinho havia resgatado meses antes, haviam agora 4 gatos dentro de casa, dois deles já adolescentes e fujões, então sempre que alguém deixava o portão aberto eu tinha que sair pela rua a procura dos danados. 
Até que certa vez, depois de sair do banho, encontrei minha mãe, muito sem graça, sentada na varanda com um gato escondido atrás dela.  Eu sempre tenho o costume de contar os gatos toda vez que saio na área a frente da casa para ver se todos estão lá, contei e todos estavam lá, então de quem era aquele gato que minha mãe protegia atrás delas para as outras gatas não baterem?! - Eu achei que era a sua gata que havia fugido e trouxe para casa. Ela disse toda envergonhada. Então eu entendi: minha mãe havia trazido a gata de um estranho para casa achando que era a minha que tinha fugido!!!! "E agora, como  faremos para devolver?" Nós duas pensamos. Entretanto eu não parava de rir por que sabia que ela estava se sentindo uma verdadeira ladra de gatas. Procuramos o dono da nova gatinha, porém descobrimos que era mais uma gata abandonada na rua. O jeito foi criá-la junto com as outras. Assim ficamos com cinco gatos dentro de casa.

Katniss, a gata que minha mãe trouxe por engano/ ela gostava de subir no meu note.

domingo, 8 de março de 2015

A imagem da mulher através da arte de brasileiras


Eu acredito que a arte do ponto de vista do artista é um meio de expurgo, de catarse e sobretudo uma forma dele presentear a si mesmo com a confusa e fantástica sensação de confrontar no mundo material recortes das abstrações do seu mundo mental. Qual artista não olha a própria arte com um misto de vaidade e estranhamento? Não apenas isso, mas com uma dose de insatisfação, isso por que, a maioria não se dá conta, mas é uma tarefa difícil trazer para o mundo material aquilo que nasceu com a "inconsistente" configuração do mundo das ideias. O nosso pensamento e lépido e fugaz, mas esse mundo real é tão denso e parece tão mais complicado colocar em prática aquilo que idealizamos...

Entretanto, não abri esse post para abstrair sobre a arte, mas para falar do trabalho de alguns artista que conheço e que culmina com o tema em vigor hoje: o dia internacional da mulher. Eu acredito que a arte tem uma função social muito importante, pois tem o poder de provocar a reflexão, de chamar a atenção para uma realidade e nos fazer refletir sobre ela. É um poder que eu relaciono com a função educadora da arte que (a depender da intenção do artista) pode ser revolucionário.

No dia internacional da mulher e diante da bandeira do feminismo e toda a sua campanha de reconhecimento e valorização da imagem da mulher, eu lembrei de algumas artistas que usam muito a imagem feminina em suas obras de maneira muito marcante e eu não digo de maneira geral, pois essa é apenas a minha visão das coisas, mas o trabalho delas contribui para fortalecer a imagem da mulher, como arquétipo, como gênero,  como uma parcela fundamental da história da raça humana.
Eu conheço o trabalho de várias, mas vou destacar apenas três brasileiras.

Não vou colocar foto da arte delas por que eu acho falta de educação usar imagens dos outros sem pedir permissão, mas vou deixar o portfólio delas para vocês conferirem cada trabalho. 

A primeira e a que me inspirou a escrever esse post, pois conheço seu trabalho muito bem e tenho a oportunidade de observar também a pessoa.

Caroline Jamhour.

Ela traduz no melhor sentido da coisa a palavra "mulher" uma vez que introduz o sentido de força, feminilidade, resistência e aquele toque misterioso que beira o primal, o misticismo e eu acredito que seja aquele conjunto de inteligente e rica complexidade que faz com que a maioria dos homens julguem a mulher uma incógnita, um enigma indecifrável. Enfim, ela parece se cercar desses atributos e consequentemente seu trabalho tem esse traço marcante de mistério e força. Entretanto, ao mesmo tempo em que em sua arte a natureza feminina parece desvelada, escancarada em sua plena forma, ferindo nosso olhos com toda a sua beleza e ferocidade o resultado disso é um convite a um mergulho profundo em seus significados, podendo nos deixar perturbados, enlevados, podendo nos levar a um estranhamento como tudo que se mostra muito abertamente provoca para em seguida nos provocar a sensação de reconhecimento e por fim a aceitação como algo natural e infinitamente belo. Aos meus olhos a arte dela é uma confluência entre o belo e o estranho que acaba redefinindo o sentido dessas duas coisas.  


A segunda artista:

Janaina Medeiros;

A arte dela é justamente o oposto da Caroline, embora também esteja cercada de uma grande dose de mistério e misticismo. A arte dela enche a nossa alma de leveza e doçura de uma forma que a gente só consegue enxergar o mundo com as cores mais suaves e doces, isso por que sua arte é toda ingenuidade e doçura, mesmo quando a intenção era invocar um aspecto mais marcante da realidade ela continua transparecendo leveza e ingenuidade, com um toque de melancolia que torna tudo ainda mais bonito. Na arte da Janaina a mulher é essa criatura delicadamente bela, livre e inocente como a natureza é em sua mais plena forma e como as coisas geralmente são no inicio das nossas vidas.



A Terceira artista:

Negahamburguer (Evelyn Queiróz)

A arte dela tem a bandeira do feminismo como assinatura. É a arte que tem a linguagem pura e direta  de quem quer falar para a sociedade, falar não, gritar, rasgar o velho e ultrapassado, quebrar tabus, libertar os oprimidos, quebrar barreiras estéticas, e fazer as pessoas engolirem aquela face da realidade que elas não querem engolir por que não julgam adequada ou por que prefere manter debaixo dos panos. A Negahamburguer, assim como a Caroline, faz a mulher se sentir livre e sobretudo, se sentir bem e bonita com o que ela tem, com o que ela é.








terça-feira, 3 de março de 2015

A Besta e a Bela







_ Olá, Aslan. Disse a garota após pular o muro vindo até mim. Começava a achar que, assim como o criador, não havia lugar onde eu pudesse me esconder dela.
_ Por que insiste em me chamar de Aslan? _ falei com firmeza. _ Já lhe disse como me chamo.
_ E eu já lhe disse por que lhe chamo assim, _ rebateu-me sem nunca se intimidar. _ Em meu sonho havia uma mulher montada numa besta, um grande leão dourado. Você, Aslan.  Aquela ultima palavras ela disse de forma significativa, na voz sonora dos oráculos. Mas eu não podia creditar aos meus olhos ou meus ouvidos ou minha consciência presa naquele corpo de carne, não quando minhas feridas sangravam cheias de veneno, contaminadas pela saliva dos tantos demônios com os quais eu havia confrontado.  
_ Meu nome é Gabriel! Retruquei.  
A garota riu, e só então, talvez pela febre, eu pude perceber a beleza que existe naquele misto incongruente de malicia e ingenuidade.  _ Antes de você eu não poderia saber que os anjos coravam. Ela dissera passando por mim para sentar-se num amontoado de lixo ao meu lado.  Começava a achá-la por demais irritante. Saberia ela as interpretações mundanas daquela metáfora? Um enigma que ela não poderia fazer ideia. Ou poderia? Talvez por isso insistisse em me seguir, mesmo quando eu a havia deixado a salvo no santuário.
_ Eu só tenho você, Ash. Não quer mesmo se livrar de mim quando existem tantos demônios a solta por ai. Surpreendi-me ao ver que lia os meus pensamentos. De onde vinha aquela clarividência, afinal? Do fim dos tempos? Seria assim com todos eles?  Todo o meu ser se enchia de perguntas. Senhor, por que me deixaste tão cego nesta terra? Como farei o que tanto queres? Questionei em vão.  Não haveria resposta. Eu também estava sozinho. E minha dor se refletia nela. A revelia de qualquer vontade, a empatia me ligava àquela criança humana.
Sem pedir permissão, ajeitou-se para dormir aninhando-se entre as penas das minhas asas. Não lhe neguei a regalia, se ela conseguia dormir sob o caos de um apocalipse, que o fizesse. Sem escolha, permaneceria de vigília. Até quando? Até o momento de acordar e seguir? Até uma nova batalha? Uma mulher guiando um leão, ela dissera. Então que assim fosse, ela parecia mesmo ter melhor visão que a minha. Um leão cego,eu era...


Meus selinhos ^^

Meus selinhos ^^
Meus selinhos ^^