sábado, 28 de fevereiro de 2015

A Senhora da Noite Eterna

Faz muito tempo que não escrevo, tanto que meus dedos enferrujaram. Não por falta de vontade ou inspiração, essas ainda me assombram. A verdade é que eu sou um barquinho sem leme lançado ao mar por uma forte tempestade, e por mais que eu reme não consigo atracar em nenhuma margem. Mas hoje fingirei que não sou folha ao vento. Há somente gotas de orvalho borrifando a vidraça, silêncio, modorra, fumaça de café...

Então vamos, lá: Era uma vez... A Senhora da Noite Eterna





Dizem que as estrelas nasceram do nácar de suas lágrimas, e borrifou o firmamento para que a noite não fosse apenas escuridão e a própria escuridão não fosse entendida como um vazio sem sentido. É que os homens precisam ver algo, mesmo um minusculo pontinho de luz para crerem na existência de alguma coisa. Há uma tendencia tão clara de verem no vazio, apenas o vazio, e na negra noite, apenas umbra.
Ela é a senhora de todos os segredos, o ventre quente e escuro de onde todos saímos e onde retornaremos. Ou para onde fugimos sempre que sentimos saudade do conforto do útero ou simplesmente desejamos enterrar algo bem fundo, coisas feias ou assustadoras. Ela recolhe o execrável e o esconde nas dobras de suas vestes, assim alivia os homens do terror deles mesmos.
É a senhora da noite eterna, terra onde o silêncio é repleto de vozes, coisas que precisam ser ouvidas. Ela trás todas as estrelas com ela, e quando é hora de partir, recolhe cada uma na teia de seu bastão, pois sua beleza pálida são seus adornos. Anciã eternamente bela, ela tem muitas histórias para contar, mas só para aqueles poucos que tem ouvidos que podem ouvir e olhos que podem enxergar. 



Meus selinhos ^^

Meus selinhos ^^
Meus selinhos ^^