terça-feira, 10 de novembro de 2015

Resenha O órfão de Mariana Lucera


Baixei o órfão em uma promoção na Amazon, dessas onde o livro fica um dia ou dois de graça e depois volta ao seu preço normal. Baixei ele e outros de forma meio automática, apenas para aproveitar as promoções da Amazon. Não tinha a intenção de ler, ainda assim fui carregar o livro no meu dispositivo Kindle para os dias sem internet, entretanto, assim que o livro abriu e comecei a ler as primeiras palavras, fiquei ali lendo sem querer desgrudar da tela para fazer outra coisa. Isso por que Mariana Lucera escreve como canta uma sereia, sedutoramente. Não sei se é por que eu sou mórbida e curiosa ao extremo, mas o fato é que o primeiro capitulo te sentencia a ler o livro até o final. Não há como fugir, o órfão, narrador ‘personagem’, é um malandro manipulador sem igual que te induz página por página a desvendar todo o mistério orquestrado ali naquele primeiro capítulo. 
O que mais me chamou a atenção, antes da história, foi a escrita, a forma como a história é narrada é o que faz toda a diferença. Primeiro, o livro é narrado por um livro, não um livro qualquer, um livro sórdido, de personalidade feroz e de língua afiada. Isso mesmo, um livro com todas essas qualidades narrando uma história, não há como não tirar o chapéu para a autora. E a escrita é inteligente, não é aquela narrativa desleixada e sem tato que a gente se depara tanto entre os títulos da Amazon, o órfão demonstra mesmo ser uma mente sagaz, afiada, encadernada, de capa preta sem graça, e sem nem mesmo um autor para chamar de seu, mas de uma mentalidade desafiadora. Assim é o nosso narrador à medida que vai apresentando a história, dando sua opinião sobre os personagens (manipulando a nossa opinião), e desvendando aquele enigma apresentado no primeiro capitulo. 
Alguns elementos da história são bem clichês, e há alguns estereótipos bem evidentes, mas não importa, o órfão já nos seduziu. Já estamos totalmente seduzidos por Florence Force, a mocinha paranormal que parece que saiu das páginas de um livro do Stephen King, se King, além de tudo dosasse seus personagens com uma dose extra de sensualidade e beleza física. Também não há como sentir empatia com Pircy Almond, o mocinho nerd (aleluia que escreveram uma história onde o mocinho é um nerd fã de Star Wars) doce e bobo, do tipo de comete heroísmos por que não vê a hora de se tornar um heroi romântico igual os dos livros que tanto se entupiu de ler a sua vida toda. As vezes Pircy se mostra um tonto inepto que da raiva, mas em outras a gente esquece tudo por que, bem, ele é um nerd fofo mesmo, do tipo de criatura inofensiva e ingênua que a gente não consegue não amar e torcer a favor. 
Pircy Almond salvou Florence Force de um afogamento, ou ao menos ele tentou salvar, e assim a garota misteriosa que tem o corpo todo coberto de cicatrizes, e cujo o nome, se falado inteiro provoca tremores ou faz coisas explodirem, entrou em sua vida. Florence se sente ligada a Pircy por isso, e tem uma leve esperança de que com Pircy a maldição que a persegue, a mesma que faz as pessoas se suicidarem a sua volta, principalmente garotos que ela seduz, não terá efeito, ou agirá de forma diferente. A verdade é que Floresce está começando a despertar para a sua realidade funesta, começa a rejeitar a sua maldição e pela primeira vez, começa a se importar com alguém. Isso faz com que a sina de Florence realmente mude. Ela espera contar pela a primeira vez com a ajuda de alguém para desvendar os mistérios que cercam o seu renascimento e em seguida sua maldição, e espera encontrar um jeito de se livrar do apanhador de almas que a persegue e que a cada ano cobra uma vida a ela. Pircy e Florence se apaixonam enquanto que vão descobrindo que a chave para todas as respostas que procuram pode estar está ali, na cidadezinha onde a garota foi parar com a mãe, a pequena Fancywood. 
Para formar um triangulo amoroso ainda há o irmão de Pircy, Alfred Almond, o bonitão capitão do time, filho predileto e por quem todas as garotas caem aos pés. Alfred é o responsável pelo o declínio da história, há de se admitir, por ser um clichê, por fomentar a estúpida ideia de que um romance só se faz com um belo triangulo amoroso a lá Crepúsculo, e por que a personalidade de Florence parece fraquejar e se contradizer diante dele. Eu sou muito passional quando me envolvo com um livro, e confesso que no momento em que Florence aceita o flerte de Alfred, calculando que talvez ter um atleta valentão ao seu lado seja mais vantajoso do que um nerd hesitante e mirrado, nesse momento eu quase larguei o livro com um sentimento de traição e decepção. Felizmente os anos tem me legado mais sobriedade, e paciência e a autora ao menos um pouco não se limitou ao clichê ao trabalhar o personagem.
A história tem pontas soltas, discrepâncias, a gente acaba percebendo que a história não é exatamente aquilo que a gente pensava lá no inicio, mas grande parte disso pode ser perdoado se o leitor se fizer de bobo e lembrar que a história é narrada por um livro, nem todos os livros dizem a verdade, principalmente quando tudo o que ele deseja é ser ouvido, fazer com que a gente o leia, e a verdade é que esse órfão é um grande safado manipulador.

2 comentários:

Mariana Lucera disse...

Oi, Celly!
Vi sua resenha! Fiquei encantada! Obrigada por ter gostado do Órfão e me dado uma chance como autora! Muitoooo obrigada, mesmo!!!!!
Como o Órfão foi publicado tem pouco tempo eu não sabia se ele ia agradar os leitores!
Um beijo! E adorei saber que escrevo como uma sereia!! Nunca me disseram isso!

Celly Monteiro disse...

Pois é, escreve de forma sedutora como uma sereia, aquele início então, é uma maravilha, fiquei numa empolgação com a leitura... :D

Meus selinhos ^^

Meus selinhos ^^
Meus selinhos ^^