quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Resenha quíntupla da saga Shatter Me - Somente para quem já leu a trilogia - Muitos e muitos spoilers


Parece que distopia está realmente na moda, e parece que todas elas seguem a mesma receita fraca; pegar um mundo que já é uma bagunça e dizer que as merdas que os homens fizeram o revirou de cabeça para baixo, e isso leva a um regime opressor que se aproveita do desespero geral para implantar uma ditadura. Enquanto a elite vive no luxo, os menos favorecidos amargam a miséria, que por sua vez os insuflam a lutar e daí vai... Sem embasamento cientifico ou no mínimo muita lógica para explicar muita coisa além que o mundo esta uma merda pelas merdas que fizemos. Qualquer explicação extra, por mais que necessária, é suprimida pela escrita em primeira pessoa (que também parece estar na moda). Qualquer lacuna se justifica pela ignorância quase obtusa da narradora personagem... não parece déjà vu de jogos vorazes? Assim é a trilogia Shatter Me. Mas não é só isso, ouso dizer que, enquanto lia, parecia que tropeçava em Crepúsculo também, e por incrível que pareça, nos X-men... 

A saga é composta de três livros e dois contos que os interliga.

Os três livros são narrados pela protagonista Juliette Ferrars, uma jovem de 17 anos seriamente traumatizada por uma infância marcada pela repulsa e maus tratos de todos, inclusive dos pais, por ser considerada uma aberração, capaz de causar dor nas pessoas que encostam em sua pele. Após matar uma criança por acidente, ela é entregue pelos pais as autoridades e é abandonada em um manicômio por ser considerada problemática, é lá onde vão parar todas as pessoas consideradas inúteis aos interesses do O Restabelecimento, um regime ditatorial global.
Entregue a uma grande confusão mental muito parecido com a desorientação da loucura, Juliette somente é forçada a emergir do seu ostracismo e interagir com o mundo exterior quando um dia acorda com um colega de quarto, Adam Kent, um jovem que, ela se lembra bem, está ligado ao seu passado. Entretanto, logo Juliette descobre que Adam não foi parar em sua cela de isolamento à toa, mais de um mês depois ela é tirada do manicômio e levada a base militar do Regimento 45, e descobre que o líder do regimento, Warner Anderson, tem intenções de transformá-la em seu instrumento de tortura. Mas não é só isso, descobre que Adam, o seu antigo colega de escola e recente colega de confinamento, a quem ela tinha aprendido a confiar, é um dos soldados de Warner enviado até ela para se certifica de que ela não é uma total desequilibrada. 

Juliette é um personagem que fugiu do desprezo e maus tratos das pessoas se entregando ao escapismo dos livros, é o que ela mesma admite, mas pela a maneira como ela narra os acontecimentos, os seus sentimentos, tudo ao seu redor, parece mais que em toda sua vida ela nunca viu nada além novelas mexicanas, tragédias gregas e dramas italianos, por que o desesperado exagero é o seu nome e sobrenome. Também classificaria assim a forma de escrever da autora. Uma escrita que é bonita às vezes e grotescas logo em seguida, uma vez que ela escreve como um motorista ébrio que de repente cochila e esquece o pé no acelerador, acorda para cochilar de novo e despencar no acelerador do exagero novamente. Assim, uma escrita que poderia ser apenas bonita se ela soubesse dosar um pouquinho a sua pena, se deforma toda num borrão esdrúxulo e apelativo que acaba deixando uma sensação desagradável de impaciência e náuseas. 

Contudo, se ela errou muito feio em quase tudo, acertou em duas coisas, de uma forma que eu fico me perguntando; como? Aaron Warner e Kenji Kishimoto, talvez seus dois únicos acertos. 

A verdade é que eu não teria lido a trilogia se tivesse começado pelo o primeiro livro, embora o inicio seja muito melhor do o resto. Comecei a ler pelo o conto “Destrua-me”, seqüência que liga o primeiro e o segundo livro e que é narrado pela perspectiva do possível vilão Warner. Warner foi a única coisa que me fez chegar até o final da trilogia. Talvez por que eu tenha uma queda imensa por vilões regeneráveis. Sim, admito a minha vergonha... 

A seqüência “Destrua-me” trás uma perspectiva totalmente diferente do personagem Warner, de uma forma que quem começou a ler a série pelo o primeiro livro não perceberia, sobretudo por que ele é uma figura patética e quase infantil no primeiro livro. Por começar a ler pelo conto “Destrua-me”, tive uma impressão totalmente diferente dele, do que aquela que a autora propositalmente construiu no primeiro livro. Realmente o conto tem essa intenção, o de revelar quem Warner é de verdade e convidar o leitor a vê-lo com outros olhos, algo que se desenvolverá progressivamente nos próximos livros. Uma vez que tive primeiro essa ‘boa impressão’, eu não me aborreci com o primeiro livro a ponto de abandoná-lo, pois havia a promessa de o personagem se revelar nos próximos livros. 

No conto “Destrua-me” o que existe é um homem de temperamento forte e dotado de grande autoridade, que vive cercado por soldados que o odeia e quer vê-lo morto, que tem um pai que o tortura com as próprias mãos mesmo em seus momentos mais vulneráveis. Um homem obcecado por uma garota que lhe deu um tiro no ombro apenas por que ele lhe roubou um beijo (lembrando que essa é a perspectiva do conto, e não do livro), e mesmo assim, quando encontra o diário que ela deixou para trás, se entrega de maneira obcecada a leitura de suas memórias, se deixando abalar profundamente pela a dor e pela angustia impressas ali, como se estivesse lendo as suas próprias palavras, como se tivesse reconhecendo a sua própria dor, os seus próprios dramas. Não há como não torcer por um vilão assim... 

Quando eu li o primeiro livro e descobri que o personagem tinha apenas 19 anos fiquei seriamente decepcionada, por que, afinal, não passava de um adolescente. Mas Warner é uma criança endurecida pelo o mundo, e a sua pouca idade em seu nível de experiências ruins na vida é só mais um traços que enriquece o personagem, dosando-lhe de um drama que no fim o humaniza e justifica, em grande parte, sua monstruosidade. O Warner do primeiro livro decididamente não é o mesmo do segundo e terceiro livro. De frio assassino monstruoso ele vai se transformar em outra coisa. Uma vitima de uma criação cruel e de um mundo que não perdoa a fraqueza. Vitima, mas ainda assim alguém forte. E vai ganhar nuanças que o tornará um personagem fascinante mesmo com todos os seus defeitos e passos errados. 

Contudo, o livro não passa de um romance adolescente no final das contas, adolescentes com hormônios em ebulição. A impressão que dá é que foi escrito por uma adolescente também, pela ingenuidade da trama, pela frivolidade tão ressaltada em muitos momentos. Com uma mocinha muito gostosa, com um mocinho irresistivelmente gosto, um mocinho-vilão muito mais irresistivelmente gostoso que o mocinho, e um vilão ainda mais vilão e ainda mais irresistivelmente gostoso que todos... ufa! Ah, e a mocinha é foda, é muito foda, é a mais foda de todos juntos, e o mocinho-vilão é o mais foda de todos também, ficando abaixo apenas da mocinha. Bem, mas essa é a visão da mocinha, está explicado por que eu gosto mais da visão do mocinho-vilão, né?

No primeiro livro, “Estilhaça-me”, Juliette é uma personagem totalmente desorientada, repleta de todas as psicoses herdadas do período de confinamento. O peculiar é que a autora não se abstém de encher as páginas de todos os tiques nervosos da personagem, ali no meio da escrita, e também não se importa de preencher uma folha inteira ou mais de frases repetidas numa seqüência aborrecida. É quase enlouquecedor mesmo. E tem uma gama de analogias (comparações, metáforas) bizarras soltas pela boca da protagonista que eu só posso imaginar que seja uma inaptidão terrível do tradutor do texto em encontrar termos em português suficientemente adequados com o que a autora queria dizer em seu idioma natal. São falhas tão absurdas que eu só posso dar crédito a tradução mesmo, e sei muito bem que nenhuma tradução é literal. Diante da escrita tão peculiar da autora, é quase certo que o motivo seja esse; não existem termos em português perfeitamente compatíveis. 

Mas tem outros momentos em que ela faz referência a personagens de obras conhecidas, ali, misturadas aos delírios metafóricos da personagem, de forma tão absurda que eu parava de ler e dizia: Meu Deus, essa autora criou uma subclasse nova da ficção especulativa, a distopia nonsense. 

Eu ri quando ela evoca alusões as obras Alice no País das Maravilhas, Harry Potter, e História sem Fim... Entretanto outros trechos, infelizmente poucos, são realmente bonitos e tocantes, quando você percebe que autora tentou fazer uma homenagem poética a escrita e a magia de ler, tentando de fato fazer parecer que a mente da personagem de alguma forma havia se misturado, indistinguível, ao universo dos livros que no passado ele havia se entregado para fugir do mundo, tornando-a diluída em meio à ficção, sem distinguir a si mesma do que havia lido, por que sua mente havia se edificado daquela forma, através da literatura, da palavra escrita. E quantas vezes nos leitores não nos sentimos assim? Confundidas com os personagens que lemos, herdando por um tempo um traço de personalidade, uma série de frases prontas, ou um modo de pensar arrancado dos livros? Um ponto para a autora... 

Ainda no primeiro livro, Juliette começa um romance com Adam, que aliás, por algum estranho motivo pode tocá-la. Juntos eles conseguem fugir da base militar. Numa segunda tentativa de fuga, ela atira em Warner, deixando-o para trás possivelmente morto. 

Com a ajuda de Kenji (soldado amigo de Adam) e junto com James (irmão de Adam), eles se refugiam em uma base rebelde chama ridiculamente de o Ponto Ômega. Lá ela conhece uma espécie de professor Xavier afro (ele possui até telecinésia também), e uma série de outros mutantes. Sim, ela é uma espécie de mutante com super poderes... 

Daí então ela vai se envolver em um conflito maior, nos planos do Ponto Ômega para derrubar O Restabelecimento. Mais ou menos, por que a maior parte do tempo ela vai estar se agarrando com o seu namorado irresistível. Tão irresistível que eu fiquei me perguntando se o super poder dele não seria provocar em Juliette uma atração sexual debilitante. Tipo a que o vampiro de Crepúsculo provocava na Bella. A partir desse momento a Juliette vai se parecer muito com a mocinha em questão. Enquanto ela deveria se ocupar em aprender a domar o seu super poder, que inclui também a super força, ele só se ocupa em chorar e se agarrar com o namorado bonitão. 

Nesse meio tempo (Já no segundo livro “Liberta-me”), o que a gente não imaginava acaba acontecendo; muito debilmente a autora vai dando espaço para outros personagens aparecerem. Assim, quando a gente acha que não vai ser grande coisa, ao menos um dele ganha um destaque devido. Kenji Kishimoto, vai se revelando, ganhando moldes, revelando uma personalidade hilária, que, aliás, dá graça a trama de uma forma muito inesperada, mas, além disso, faz o perfeito papel de coadjuvante/assessor dos mocinhos, tapando buracos na trama, unindo pontos, puxando as rédeas da mocinha tola/desmiolada/obcecada pelo namorado/ egocêntrica e colocando-a no eixo. 

O fato da autora dar algum destaque a um personagem que não é central e se desprender da orbita dos mocinhos, mesmo que muito pouco, foi algo que amenizou um pouco o ar de romance meloso adolescente e permitiu a configuração de uma equipe (mesmo uma equipe muito ruim) de super mocinhos lutando contra algo maior, direcionando o foco da trama para um objetivo muito mais digno que os vãos dilema de uma adolescente que só está descobrindo agora como é bom ter um namorado (parece que de todos os dilemas, o drama de Juliette acaba se resumindo a isso). 

O segundo livro é muito mais extenso que o primeiro e o terceiro, e nele a trama começa a dar seu giro de 180 graus, ao menos em relação à Juliette/Adam/Warner. Adam descobre que de fato possui também um super poder, e diferente do que eles pensavam, ele não é tão imune ao toque de tortura de Juliette. Isso faz com que a influência das novelas mexicanas, as tragédias gregas e os dramas italianos fiquem mais evidentes na veia artística da autora. Juliette se torna ainda mais lamuriosa e os dois se equiparem a um Romeu e Julieta distópico. Os dois não podem ficar juntos ou cedo ou tarde Juliette vai acabar machucando Adam, entretanto, Adam é irresistível, e bam! Acontece, mesmo sob muita advertência.

A personagem tem esse toque de excelência em estupidez, quando é dito que é para ficar longe, ela se agarra ao homem como se ele fosse um vampiro emocional e roubado toda a sua força em resistir. Quando deveria estar pensando na revolução e o fato de precisar tomar uma posição para ajudar um ideal de liberdade se concretizar, ela esta ocupada com seus dramas pessoais, quando seus amigos são capturado e a única chance de arrancar informações que possa salvá-los vem da sua influência sob Warner, ela esta distraindo-se com frases de Shakespeare tatuadas na região pélvica do mocinho-vilão (uma das cenas mais deprimente da trilogia, perdendo apenas para quando o grupo se compara aos Power Rangers). 

Contudo, nesse segundo livro eu cheguei mesmo a me comover com a cena em que Warner é torturado pelo pai, Anderson, o líder Supremo do O Restabelecimento, verdadeiro vilão da trama, e quase vibrei quando Juliette reage à agressão e acaba com a arrogância do infeliz. Warner e feito de refém e levado para a base do Ponto Ômega, a partir dai temos a chance de ver a outra faceta do mocinho-vilão, ao mesmo tempo em que Adam, o mocinho quase perfeito também vai se revelado.
Outra questão que agrega pontos a autora; a transformação de Adam. Adam era como o príncipe encantado perfeito para Juliette, o único que podia tocá-la (ou quase isso, por que Warner também pode), aquele que a ajudou a se libertar das garras de Warner, o amigo de infância que sempre a protegeu de longe, e ainda havia o pássaro tatuado no peito (o pássaro branco com rajas douradas na cabeça como uma coroa, uma das analogias infames da autora), o mesmo pássaro que ela sonhava sempre e sempre quando não tinha pesadelos. A encarnação do seu destino, da sua felicidade. Mas então algo muda, eles não podem mais ficar juntos e Adam não consegue entender isso. Juliette também muda, volta sua atenção ao menino machucado modelado pelas monstruosidades do pai que Warner se revela ser, pela primeira vez ela é a única pessoa que começa a ver Warner como alguém humano e não um monstro, também começa enfim a se envolver com as pessoas do Ponto Ômega, em seus conflitos... Adam ainda só pensa em uma maneira de ficar com Juliette, de controlar os seus poderes e adquirir novamente resistência a toxicidade da pele dela. Num conflito entre o restabelecimento e o Ponto Ômega, ela é dada como morta, e ele, apesar de tudo, se sente aliviado, por que descobriu diante do perigo que correra, que ninguém está acima do amor que sente por James, seu irmão, e que prefere tentar viver em paz, e Juliette é um chamariz de encrenca. 

No Conto “Fragmenta-me” narrado pela perspectiva de Adam, a sua máscara de perfeição começa a ruir. Aliviado por James ter sobrevivido, decide não se importar em investigar a sobrevivência de Juliette, raptada no campo de batalha. Daí então percebemos que Adam não é tão corajoso quanto pensávamos, não é tão leal assim ao seu amor por Juliette, que diante de duas escolhas, ele prefere a mais covarde, a de viver com medo, mas quieto. Isso em contraste ao ato heróico que Warner acabara de fazer para salvar a vida de Juliette, a sua pose de mocinho começa a ruir, e a segurança de que ele merece o amor da garota despenca consideravelmente. 

Daí adiante Adam se revela o que a maioria dos mocinhos realmente é, criaturas presunçosas que só amam heroicamente desde que permaneçam em sua zona de conforto, somente quando o amor da mocinha é fácil, ou seja, não demanda sacrifícios, quando a mocinha é doce, submissa, e necessita heroicamente de seus braços fortes para sobreviver. Que são incapazes de enxergar a força de suas parceiras por que estão obliterados pelo brilho do próprio ego, por que é cômodo que eles sejam tidos sempre como superiores, e a mocinha jamais descubra que não precisa dele para se defender. Só amam do seu jeito e não da forma livre e desprendida como o amor deve ser. 

Adam quer viver escondido com James, quer paz, quer fugir de qualquer guerra, mas Juliette mudou, passou por uma experiência de quase morte e descobriu que precisava deixar de ser uma criança chorona, descobriu que podia fazer algo da força que possuía, descobriu que podia mudar o mundo e vingar todos os seus amigos massacrados pelo O Restabelecimento. Ela sabe que pode fazer algo e quer lutar, mas Adam não aceita que Juliette deixou de ser aquela criança chorona que ele precisava proteger. Ele também não aceita que ela é livre para amar quem ela quiser, para se apaixonar por quem ela quiser, mesmo por um possível psicopata. Ele não acredita no poder de julgamento dela, para ele ela não passa de uma criatura idiota que se deixa seduzir por um psicopata. Então ele mesmo começa a agir como um sociopata. Não que já não tivesse agindo antes a fazer pressão emocional para Juliette não desistir dele e do amor dos dois, mesmo quando a tentativa fazia tanto mau para ela quanto para ele. Adam começa a apelar para os insultos, para a chantagem emocional, e se revela quem realmente é ao admitir que preferia que ela estivesse realmente morta a vê-la tomar decisões que contrariavam os seus desejos. Adam é o reflexo de uma sociedade firmada em pensamentos machistas e opressores, onde o amor é associado à posse, onde o cavalheirismo é um favor prestado as donzelas frágeis e, portanto uma marca de heroísmo inquestionável. Adam vem da fábrica dos mocinhos clichês vendidos em lote por toda uma cultura que romantiza a posse, a prepotência masculina e a fragilidade feminina, que petrifica as mulheres em uma condição opressora de criaturas incapazes. Mocinhos estes que jamais são vistos além da superfície, que jamais despem a máscara para se mostrarem como são, ciumentos, presunçosos, e mimados por uma cultura que sempre o favorece, sempre o deixa com a razão. Quantos Adams existem no mundo? Na literatura, nos contos de fadas, e no final, eles sempre levam o prêmio por tudo, sempre levam a mocinha para casa em seu alazão. A Tehereh Mafi não fez isso, ela quebrou o estereotipo de mocinhos incorruptíveis e vilões irregeneráveis. Na vida, ninguém é inteiramente mocinho heroi. E por isso eu digo que a autora ganhou muitos pontos aqui. 

Outra coisa, a mocinha no final se torna alguém forte, exageradamente forte, de uma forma irreal, tudo bem, mas fica a lição de que se algo nos impede de crescer, devemos deixá-lo para trás, mesmo que seja um amor. É preciso dar ouvido apenas àqueles que acreditam no nosso potencial, por que amor mesmo é adubo e não erva daninha, amor nos permite crescer, e não nos petrificar em uma imagem cômodo e extremamente fácil de ser amada. 

Warner no fim se mostrou o mocinho que sempre acreditou no potencial de Juliette, que tentou aflorar sua força da forma torta que havia aprendido, certo, mas depois ao perceber o que fez não forçou mais nada. Um mocinho que saiu de cena para deixar que ela se libertasse, mesmo tendo tanto potencial quanto ela. Um mocinho que colocou nas mãos de Juliette um exército, para que ela fizesse sua guerra. Que deixou que ela lutasse com o vilão e voltasse para receber os louros da vitória. Warner no final se tornou perfeitinho demais, DROGA!

A trama; os conflitos são irrisórios, as batalhas são irrisórias, as vitórias são irrisórias. Ele parecem mesmo os Power Rangers, só que Juliette é a Ranger Vermelha em seu poderoso Megazord. O seu plano de conquistar o mundo e depois governá-lo é super infantil, e o final é a coisa mais decepcionante. A autora enrolou no terceiro livro tanto quanto enrolou no segundo e no primeiro, encheu de banalidade, se apressou muito em algumas cenas como se estivesse em uma maratona, se alongou em outras como se não tivesse com nenhuma vontade terminar, e no final deixou todo o conflito da batalha final se comprimir em miseras vinte linhas. Nas batalhas sangrentas apenas anônimos morreram. Os poderes de todos eram magicamente cômodos. Todos insignificantes, exceto o da heroína, e do seu coadjuvante Kenji. O poder de Adam era tão cômodo até a trama virar, e as habilidades de Warner, o destinado verdadeiro mocinho, era a coisa mais foda... tudo magicamente perfeitinho, sem nenhum conflito realmente sério. Até mesmo o pretenso líder que deveria se colocar no lugar de regência do mundo, se mostra um idiota otimista que assassina com sua burrice todo o corpo de resistência que preparava durante anos para confrontar O Restabelecimento, um cenário muito cômodo para a mocinha se erguer como heroína, não? 

Entretanto eu vibrei no terceiro livro quando Warner capturou o poder de Kenji e fico invisível (sim, ele ficava invisível) ou quando ele explodiu a porta da casa de Adam e roupando o poder de Castle (o líder telecinético) se livrou das armas apontadas à sua cabeça. Foram momentos em que eu realmente bati palmas. E me diverti com o seu humor irônico, seu tom acido e inteligente, sua pose de durão inabalável que não se importa muito com o mundo a sua volta. 

No fim, acho que os títulos do livro estavam mais direcionado a ele ainda mais do que ao outros, o único que terminou realmente estilhaçado no primeiro livro, libertou-se de um estigma de monstro no segundo livro permitindo-se revelar aos leitores como ele realmente era, o pássaro branco de crista dourada que permitiu a si mesmo e a Juliette a chance de incendiar-se no fulgor da esperança, renascendo para uma vida e um futuro que eles jamais ousaram pensar ser possível antes

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Meus selinhos ^^

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