domingo, 8 de março de 2015

A imagem da mulher através da arte de brasileiras


Eu acredito que a arte do ponto de vista do artista é um meio de expurgo, de catarse e sobretudo uma forma dele presentear a si mesmo com a confusa e fantástica sensação de confrontar no mundo material recortes das abstrações do seu mundo mental. Qual artista não olha a própria arte com um misto de vaidade e estranhamento? Não apenas isso, mas com uma dose de insatisfação, isso por que, a maioria não se dá conta, mas é uma tarefa difícil trazer para o mundo material aquilo que nasceu com a "inconsistente" configuração do mundo das ideias. O nosso pensamento e lépido e fugaz, mas esse mundo real é tão denso e parece tão mais complicado colocar em prática aquilo que idealizamos...

Entretanto, não abri esse post para abstrair sobre a arte, mas para falar do trabalho de alguns artista que conheço e que culmina com o tema em vigor hoje: o dia internacional da mulher. Eu acredito que a arte tem uma função social muito importante, pois tem o poder de provocar a reflexão, de chamar a atenção para uma realidade e nos fazer refletir sobre ela. É um poder que eu relaciono com a função educadora da arte que (a depender da intenção do artista) pode ser revolucionário.

No dia internacional da mulher e diante da bandeira do feminismo e toda a sua campanha de reconhecimento e valorização da imagem da mulher, eu lembrei de algumas artistas que usam muito a imagem feminina em suas obras de maneira muito marcante e eu não digo de maneira geral, pois essa é apenas a minha visão das coisas, mas o trabalho delas contribui para fortalecer a imagem da mulher, como arquétipo, como gênero,  como uma parcela fundamental da história da raça humana.
Eu conheço o trabalho de várias, mas vou destacar apenas três brasileiras.

Não vou colocar foto da arte delas por que eu acho falta de educação usar imagens dos outros sem pedir permissão, mas vou deixar o portfólio delas para vocês conferirem cada trabalho. 

A primeira e a que me inspirou a escrever esse post, pois conheço seu trabalho muito bem e tenho a oportunidade de observar também a pessoa.

Caroline Jamhour.

Ela traduz no melhor sentido da coisa a palavra "mulher" uma vez que introduz o sentido de força, feminilidade, resistência e aquele toque misterioso que beira o primal, o misticismo e eu acredito que seja aquele conjunto de inteligente e rica complexidade que faz com que a maioria dos homens julguem a mulher uma incógnita, um enigma indecifrável. Enfim, ela parece se cercar desses atributos e consequentemente seu trabalho tem esse traço marcante de mistério e força. Entretanto, ao mesmo tempo em que em sua arte a natureza feminina parece desvelada, escancarada em sua plena forma, ferindo nosso olhos com toda a sua beleza e ferocidade o resultado disso é um convite a um mergulho profundo em seus significados, podendo nos deixar perturbados, enlevados, podendo nos levar a um estranhamento como tudo que se mostra muito abertamente provoca para em seguida nos provocar a sensação de reconhecimento e por fim a aceitação como algo natural e infinitamente belo. Aos meus olhos a arte dela é uma confluência entre o belo e o estranho que acaba redefinindo o sentido dessas duas coisas.  


A segunda artista:

Janaina Medeiros;

A arte dela é justamente o oposto da Caroline, embora também esteja cercada de uma grande dose de mistério e misticismo. A arte dela enche a nossa alma de leveza e doçura de uma forma que a gente só consegue enxergar o mundo com as cores mais suaves e doces, isso por que sua arte é toda ingenuidade e doçura, mesmo quando a intenção era invocar um aspecto mais marcante da realidade ela continua transparecendo leveza e ingenuidade, com um toque de melancolia que torna tudo ainda mais bonito. Na arte da Janaina a mulher é essa criatura delicadamente bela, livre e inocente como a natureza é em sua mais plena forma e como as coisas geralmente são no inicio das nossas vidas.



A Terceira artista:

Negahamburguer (Evelyn Queiróz)

A arte dela tem a bandeira do feminismo como assinatura. É a arte que tem a linguagem pura e direta  de quem quer falar para a sociedade, falar não, gritar, rasgar o velho e ultrapassado, quebrar tabus, libertar os oprimidos, quebrar barreiras estéticas, e fazer as pessoas engolirem aquela face da realidade que elas não querem engolir por que não julgam adequada ou por que prefere manter debaixo dos panos. A Negahamburguer, assim como a Caroline, faz a mulher se sentir livre e sobretudo, se sentir bem e bonita com o que ela tem, com o que ela é.








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Meus selinhos ^^

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