quarta-feira, 27 de agosto de 2014

'Florescer'


Certa vez, há muito tempo, eu tive um sonho curioso. Eu estava no que parecia ser o compartimento de carga um avião desses cargueiro mesmo, cujas portas estavam abertas para o céu além. De inicio parecia que eu estava sozinha, então vi em cima de uma mesa, em uma tigela, três bagas vermelhas, lindas e aparentemente carnudas. Eu que nunca tinha visto frutinhas iguais àquelas, quis provar.  Estendi a mão para pegá-las, mas elas foram arrancadas de mim por um desconhecido, um rapaz de nariz empinado e ar feroz. E antes que eu pudesse reagir e resgatar as frutinhas ele as lançou do cargueiro. Eu as vi cair atônita, então aconteceu algo surpreendente; eu as vi cair em um campo de relva dourada, mas eu não estava mais no cargueiro. Onde as frutinhas haviam caído erguiam-se ramos carregados de florescências, flores de um rosa claro delicado que me lembravam cerejeiras. Então vem a parte mais interessante do sonho; eu era aqueles galhos que floresciam, eu sentia cada flor nascer de mim e os galhos se estenderem até o alto e de seus talos mais e mais flores nascerem e desabrocharem para a luz do dia. O resto do sonho eu não vou contar, por que é a parte onde ele revela seu significado, e é segredo. Mas enfim, eu nunca me esqueci, e certo dia resolvi fazer um desenho que o representasse. Não ficou o que eu esperava, mas vou melhorar minha técnica e então no futuro desenho algo mais satisfatório, por que é uma ideia que eu não consigo ignorar.  


sábado, 23 de agosto de 2014

Todas as verdades


Saber de todas as verdades não é uma dádiva, mas um castigo. De repente todas as portas estavam abertas atrás dos livros. Era a melhor escolha que se podia fazer. Refugiar-se na mentira benéfica a perder-se em meio à realidade nauseante.
Aos poucos um a um foram caindo-se os véus.
Foi tão divertido saber que as pessoas não passavam de pergaminhos abertos, expostos para qualquer um ler.
Linha, entrelinha, verso e reverso.Patético!
Daí então o sarcasmo borbulhou em seus lábios e descobriu que era inevitável não rir.
Mas quando o gargalhar se tornou histérico descobriu mais uma verdade; o riso quase sempre reflete a dor.
No espelho um novo reflexo, amargura e rancor.
Contando-se nos dedos, vinte, vinte e um, vinte e ...
Qual era mesmo a sua idade de verdade? Não dava para saber.
“Sessenta.” Um menininho disse, e sabia bem qual era a rima que vinha depois.
Já era tarde quando ela descobriu que no mundo haviam mistérios cuja face era melhor desconhecer.

Meus selinhos ^^

Meus selinhos ^^
Meus selinhos ^^