domingo, 26 de outubro de 2014

A estação

Ele caminhava feliz admirando a paisagem na estada, levando também sonhos na bagagem modesta. Reparava como a vegetação variava e as montanhas pareciam ondular sob seus olhos à medida que avançava. Porém, depois de tanto andar foi impossível não perceber-se cansado. Avistou as vigas de uma pequena estação no meio do nada. Pensou no quanto seria mais cômodo simplesmente esperar até que aparecesse uma diligência que o levasse até a cidade. Parou ao lado de um pé de cacto. Enquanto esperava ficou admirando o céu, e a paisagem à volta, até que tudo se tornou bastante familiar e ele se acostumou. Acostumou-se com aquele azul celeste no céu, com o rochedo de pico duplo à frente, com o arbusto dourado que cobria a terra acre, com a estrada empoeirada. E o marasmo lhe trouxe sono. E o sono era tanto que conseguiu dormir ali mesmo, de pé na estrada. Acordou quando já era noite. Tentou se mover, mas seus pés estavam presos no chão. Tentou apalpar o próprio corpo, mas viu que suas mãos não passavam de talos largos e espinhentos. Por fim tentou gritar por socorro, mas o grito ficou prezo no que antes fora sua garganta. Seu corpo agora era um tronco roliço e espinhento de cacto. No dia seguinte um viandante estava seguindo para a cidade mais próxima, viu as vigas do que parecia uma pequena estação e pensou que era melhor aguardar ali por uma diligencia a caminhar tantos quilômetros. Parou do lado de dois pés de cactos e esperou. 

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Meus selinhos ^^

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