sexta-feira, 4 de abril de 2014

A arte não é uma ação deliberada

Eu preparei essa postagem para o outro blog, aquele que eu não vou mais usar, então estou trazendo-a para cá.

Em uma postagem anterior a Pat Kovacs me pediu para falar também sobre pintura digital. Bem, tratando-se de pintura digital ainda tenho muito pouco a dizer. As vezes acerto e tudo parece muito fácil, outras vezes não consigo acertar então acho que é muito difícil e largo o que estava fazendo para pegar outro dia, como se fosse algo que dependesse do momento, de inspiração criativa, esse tipo de coisa sazonal que mais parece tratar-se de alinhamento astral do que outra coisa. É muito difícil não desanimar em momentos assim e desistir de tudo por ao menos um dia ou dois, isso por que felizmente tenho problemas em desistir das coisas.

Entretanto o que eu tenho percebido é que... é muito importante evitar fazer algo que sabe que pode te desanimar. Tipo começar algo sem ter mais ou menos a ideia do que quer fazer, coisas que pode te levar a qualquer lugar correndo o risco de te fazer se sentir perdida, sem uma ideia de que direção tomar. Apenas a sorte faz um barco sem velas e leme dar em um porto seguro, e sejamos práticos, quem realmente quer estar apenas a mercê da sorte?

Certo que se tratando de desenho, das artes em geral, o que vale é o talento, a inspiração, a criatividade. Sim, mas essas coisas são apenas o seu arsenal, se você não souber o que fazer (ou como fazer) com suas ideias elas nunca serão colocadas em prática. Por isso é importante nem que seja apenas uma leve dose de organização; aquele momento em que você para e pensa mais refletidamente no que quer fazer. Vai buscando em sua mente o que você sabe, o que pode ser útil ou não, o que combina ou não, coloca todas as suas armas na mesa e se prepara para ir a batalha. Qualquer trabalho se torna muito mais fácil quando você o esquematiza. Mais seguro é o viajante que sabe antecipadamente qual caminho vai tomar.

O desenho, a pintura não é uma ação deliberada, por mais abstrata que sua produção seja, por mais caótica que ela pareça ela não é feita de forma deliberada, sobretudo porque sempre existe com alguma finalidade, passar uma mensagem, expurgar um sentimento, inspirar sensações, promover uma reflexão... etc.

Para transformar uma ideia em ação você lança mão de todo um arcabouço, um conjunto de conhecimento prévio que pode te auxiliar em seu trabalho. Com o desenho não é diferente, até para desenhar uma mão você tem que ter uma noção básica de como anatomicamente é uma mão, vai buscar em sua mente ferramentas que precisa, tipo: como fazer para obter efeito de volume; luz e sombra, material que pode usar, cores, se vai deixar o traço aparecendo ou não, como fazer para sumir com o traço. Etc. Suas escolhas demandam uma série de ações que não dependem apenas da inspiração, mas como todo projeto, de conhecimento e organização. É isso ou esperar por um alinhamento astral favorável.

Como eu tenho pressa para aprender procuro me aventurar em pinturas onde eu já tenho um esboço razoável, para evitar riscar diretamente na tela do photoshop, por que para quem tem mais prática em trabalhar com o papel facilita um pouquinho evitar esse momento de estranhamento de riscar direta na tela seu editor de imagem.


Primeiro eu colori as camadas para saber exatamente como eu queria as cores e depois fui colorindo com o pincel.


Essa á a fadinha que tem as asas derretidas por que os homens se aproximam de seu mundo com ferro frio, um metal que enfraquece e faz adoecer o povo élfico. É a personagem do um conto meu. Tem também uma versão em aquarela que eu chamei de "O lamento dos elfos", o rosto com a pintura ficou um pouco diferente desse, também fiz cenário e tem uns elfozinhos chorando perto dela. Depois mostrarei aqui. 

3 comentários:

Duachais Seneschais disse...

Gostei bastante do post.
Também preciso saber o que quero fazer, mesmo que, no fim, fique um tanto diferente... Nunca consigo deixar como quero mesmo, tenho muito caminho pra percorrer!
A fadinha ficou linda!
Também gostei bastante da história por trás da imagem.
Que conto é esse?

Celly Monteiro disse...

O importante é nunca se cobrar demais, Dua. Fico feliz que tenha gostado da fadinha. O Conto que me refiro se chama "O Ferro Frio". Inicialmente eu postei ele aqui, isso em 2010, mas acabei concorrendo com ele em uma antologia daí tirei ele daqui, aconteceu de a antologia não ir a frente, ainda assim não faz mal, tenho outros planos para ele. Se quiser te envio por email, pra vc ler no privado. ;)

Duachais Seneschais disse...

Opa! Claro! Adoraria ler o conto!! Pode me mandar por mail mesmo, Celly!

Meus selinhos ^^

Meus selinhos ^^
Meus selinhos ^^