quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Pintura contada e mais Inktober




Celly Monteiro


Nessa última segundo, no Quotidianos, a Carolina Mancini publicou um conto baseado em uma pintura digital minha, "A fada Beija-flor". geralmente sou eu quem leio os seus contos e produzo uma ilustração, mas dessa vez ela fez algo diferente, ela leu a minha pintura e dela tirou inspiração para escrever sua história. Uma história linda, que eu amei de cara, tem tudo o que eu gosto, misticismo, fantasia, cenários ricos, sensualidade, romance velado... e eu também adorei a leitura que ela fez da minha fada desnuda: "olhos marotos e no sorriso convidativo ares de meretriz"... Confere lá o texto da Carol: 



E tem mais Inktober também. 
Ninho de egasus 
Garota Llama

Wilá a fada negra e Sila a fada branca. são personagens de uma história minhas; "As irmãs da terra dos carvalhos"

















O meu preferido é o da mamãe da abelhinha, é como se ela estivesse reclamando por que a mãe está lhe fazendo cafuné; :3








domingo, 26 de outubro de 2014

A estação

Ele caminhava feliz admirando a paisagem na estada, levando também sonhos na bagagem modesta. Reparava como a vegetação variava e as montanhas pareciam ondular sob seus olhos à medida que avançava. Porém, depois de tanto andar foi impossível não perceber-se cansado. Avistou as vigas de uma pequena estação no meio do nada. Pensou no quanto seria mais cômodo simplesmente esperar até que aparecesse uma diligência que o levasse até a cidade. Parou ao lado de um pé de cacto. Enquanto esperava ficou admirando o céu, e a paisagem à volta, até que tudo se tornou bastante familiar e ele se acostumou. Acostumou-se com aquele azul celeste no céu, com o rochedo de pico duplo à frente, com o arbusto dourado que cobria a terra acre, com a estrada empoeirada. E o marasmo lhe trouxe sono. E o sono era tanto que conseguiu dormir ali mesmo, de pé na estrada. Acordou quando já era noite. Tentou se mover, mas seus pés estavam presos no chão. Tentou apalpar o próprio corpo, mas viu que suas mãos não passavam de talos largos e espinhentos. Por fim tentou gritar por socorro, mas o grito ficou prezo no que antes fora sua garganta. Seu corpo agora era um tronco roliço e espinhento de cacto. No dia seguinte um viandante estava seguindo para a cidade mais próxima, viu as vigas do que parecia uma pequena estação e pensou que era melhor aguardar ali por uma diligencia a caminhar tantos quilômetros. Parou do lado de dois pés de cactos e esperou. 

domingo, 19 de outubro de 2014

Outros lugares

Eu sempre tenho vontade de falar um pouquinho sobre os meus desenhos e mostrá-los aqui, mas sempre acabo me esquecendo, e são tantos, tenho desenhado todo dia e não só por causa do desafio Inktober. De qualquer forma a maioria eu sempre posto em minha página do facebook, que, aliás, convido a vocês a curtirem:

Tem também o Deviantart;

Mas nesse não são todos os desenhos que eu posto lá. No Instagram, entretanto, por ser uma coisa tão pratica acabo postando o passo à passo da maioria dos desenhos que faço, também por que sou ansiosa e acabo postando as fotos dos desenhos antes de finalizá-los:


Para finalizar vou mostrar aqui os últimos desenhos que fiz:


Essa é a Besourinho, também fiz na onda do Inktober, mas nela eu usei lápis de cor também, tinta guache e aquarela além do nanquim. A Besourinho é a personagem de uma história que tenho matutado tem alguns meses, uma história sobre Super-Heróis diferentes dos usuais. Ela se chama Hanna, Sam, o Menino Ilusão, a chama de Besourinho por que ela é pequenininha e tem cabelos e grandes cílios negros. Então, eu, que gosto de misturar as coisas a desenhei assim, com antena e asas na cabeleira.   
Tem pintura digital também. Uma xamã do meu sketchbook com coroa de ossos que a Pat disse que se parecia comigo, mas acho que depois de pintada ficou diferente. Antes ela era assim:



Não fiz cenário, não sou boa em fazer cenários, principalmente com grafite, mas no photoshop é mais fácil, então eu arrisco. Fiquei pensando no que colocar, ela me parece estar sentindo algo profundamente, é uma xamã, está tendo suas epifanias silenciosas, ou ouvindo vozes que não podem ser ouvidas por ouvidos comuns, então tive os meus insight e chamei o desenho final de A Canção da Aurora:



 E se a Aurora, além de radiação solar, for uma canção celeste que os ouvidos humanos não conseguem alcançar. A canção da criação. A energia do sol enriquece o nosso planeta e graças a ele esse planetinha azul é fecundo como um ventre cheio. Não sabemos, não é, e se não sabemos ainda pode ser possível...


segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Desafio Inktober

Eu que estava com planos de criar mais tirinhas com os meus textos esqueci de tudo por conta de um desafio mundial que rola agora, nesse mês de outubro. O Desafio Inktober foi criado pelo artista Jake Parker e a proposta é produzir um desenho por dia, usando tinta (nanquim) e outros matérias que quisermos usar. Assim, ao final do mês seriam 31 desenhos. Vou mostrar aqui alguns que já fiz nesses 13 dias de desafio.

Porcoleta

Coração roubado

Bebê Féerico

Menina bambi

Ninho...

Ondina

Princesa steampunk


Não dei um nome a essa...




Fadinha sólita


Depois eu pinte o o"porcoleta" no photoshop:


E o bebê féerico, que é um ACEO, eu pintei com aquarela, inclusive ele está a venda, quem quiser comprar é só entrar em contato. ^^  



quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Terra e Éter em tirinha

Ultimamente eu tenho falado muito em éter, é que eu tenho vivido mais no mundo onírico que no real. Tenho que parar com essa vida de escapista. 
Inspirada nas tirinhas e sketchs lindos e poéticos da não tão menos linda Chiara Bautista, resolvi a loucura de tentar transformar alguns textos meus em tirinhas, ou apenas casar desenho e texto como a Chiara faz, é um meio de unir as minhas duas paixões. Pensando nisso fiz a minha primeira tirinha, a ideia era só deixar no sketch mesmo para ser coisa rápida, no máximo dar alguns retoques no photoshop, mas eu sou do tipo que não sei dosar onde eu piso, as vezes raso demais, outra fundo demais, acabou que demorei mais tempo preparando do que deveria e ainda assim não deixei  nada bem acabado de qualquer forma. Foi-se a simplicidade e suavidade, mas ficou o quadrinho.

Inicialmente ele era assim:

Tortinho :/

Não menos torto depois: 


É a mesma história do texto anterior, Terra e Éter. Eu não sei por que eu escolhi essa história para começar a ilustrar, particularmente não gosto dela e sei que tenho textos melhores e menos piegas, acho que foi por causa das rimas e eu queria levar essa linguagem poética para a tirinha. É um texto que eu comecei como uma página de diário, só que logo cismei e comecei a inventar, como um amigo uma vez me ensinou a fazer, acho que a profundidade do que eu sentia acabou me levando a outro lugar bem distante de mim e escrevi essa nuança de um romance entre uma entidade celeste superior e sua pupila, A ideia de amores impossíveis sempre me será sedutora. 




domingo, 28 de setembro de 2014

A fantasista no Quotidianos

Fui convidada a contribuir como ilustradora no site Quotidianos. Um site muito legal onde textos acompanham sempre uma ilustração. No meu caso ilustrar os textos da Carolina Mancini, que também é ilustradora, e escreve textos de fantasia que eu adoro. É de praxe os ilustradores lá fazem um retrato seu e do seu escritor para o perfil no site.  A Carolina adora sereias, e eu adoro gatos e asas, então eu tentei a experiência de juntar retrato e fantasia.





Eu não gosto muito de fazer autorretratos, não me acho nenhum tipo de musa inspiradora para ser desenhada, mas como eu já tinha desenhado para o site resolvi dar um acabamento no primeiro desenho que fiz da minha cara. rs O resultado é esse aqui:



O melhor é saber que minhas irmãs me reconheceram no desenho, então acho que deve ter ficado parecido mesmo, apenas o cabelo, elas disseram, não é dessa cor, é mais claro, mas até hoje eu não sei qual a cor do meu cabelo. Quando eu era criança era bem loirinho, mas depois dos 10 anos ficou escuro, e tem dias que está mais claro, outros que está mais escuro, sei lá.
 Teve um cara no DeviantArt que fez uma interpretação bem profunda desse desenho, que eu achei muito fofinha, embora eu não consiga deixar de achar estranho essa forma de se expor à critica das pessoas, como uma outra pessoa me disse: "É preciso ter muita coragem". Mas viver é correr riscos...

Ah, essa segunda que vem tem texto da Carolina no Qutidianos e ilustração minha. um texto lindo e delicado, vocês vão gostar. 






sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Terra e Éter


Um gosto amargo toma o meu paladar, uma névoa escura e dolorida eflui do meu peito tomando espaço e se densificando por dentro.  Abandono a sala, tranco-me no quarto. Meu corpo pende desolado em cima da cama. Uma onda de tristeza retesa-me toda.  Minhas mãos se juntam instintivamente. Um nó se avoluma na garganta. Um frio percorre a camada interna da minha pele. Meus dedos se apertam uns contra os outros. Meus olhos se estreitam. Suspiros rompem no peito. O desespero é sempre o mesmo. O barulho da TV uma nova tortura. Esse pedido de socorro, uma nota a se ignorar.
Todos desempenham seu papel de marionete lindamente repetindo todos os dias o mesmo ato com um silêncio e resignação indiferente. A dor invade-me em torrentes. Abaixo as pálpebras, vida de marionete quebrada  desempenhado  passos que não foram ensaiados, que não terão nenhuma importância nessa comédia da vida. O mundo caminha em sua desordem, como se puxa a sineta para que ele possa parar? Muito tarde para seguir a marcha? O barulho parece cada vez mais estridente, uma caricia a minha insanidade. Finalmente uma lágrima se desprende. Filha única, se solidifica no caminho. Um ultimo chamado, meu peito arfa contendo uma coisa que se liberta irá me destruir.
Sinto seu peso ao meu lado na cama, viro o rosto com raiva, também é maneira de esconder a lágrima congelada. Agora a revolta faz arfar o meu peito. Sinto sua mão pesar em minha cabeça. O toque vem carregado de calor de humanidade, um calor que tanto procuro e não acho no mundo lá fora. Sua mão desce até o meu ombro, puxa-me para perto. Beija-me o rosto enxugando a lágrima estagnada. Convulsões de soluço abalam o meu firmamento. Encolho meu corpo, suas mãos me envolvem. As lágrimas agora jorram em torrente. Seu abraço não muda nada, continuo abandonada neste mundo de abutres.
Ouso sua voz doce em meu ouvido. Não entende por que mesmo sua presença não me trás calma. De tanto insistir com o seu carinho viro-me a sua procura. Minha mão envolve o seu pescoço, procuro tua boca. Você me olha com censura, ignoro sem pudor. Mas um suspiro de dor nos afasta. Você se dissolve em minhas mãos. Estarrecida, permaneço petrificada. A mão no ar num gesto de tentar contê-lo entre os dedos, o olhar cristalizado pelo sentimento liquefeito, a boca ainda entreaberta na ânsia daquele beijo.
Vida ou morte nos separa. Queria-o como consolo para esta vida desgraçada. Como  um prêmio em meio a uma idealização inspirada pelos sonhos e desejos de uma alma entremeada ainda na carne. Tu já não podes solidificar mais nenhuma vontade. Avançado nas lições de desprendimento, eu sou a rocha que tu queres transformar em ar. Tu, a personificação dos meus desejos em vida. Morta ou viva poderemos nos amar. 

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Filhos do Éter

Mocinho de olhos selvagens, coração e alma indomável, espírito volátil, filho do éter, igual a mim.
E o meu querer se fez nessa semelhança. Antes jamais havia encontrado igual. O admirei, plena voragem. Ele sou eu, eu sou assim, fera indomável, incapturável, inalcançável.
E esse desejo era o meu paradoxo, querer algo, que bem sei, não se pode prender no laço. Mas só o quero por ser igual a mim, fugidio e inalcançável.

Desejei despertá-lo para essa verdade. Somos iguais, talvez tenhamos nascido um para o outro. Mas ele não percebeu, escapou, se dissipou como a bruma de que era feito. Meu paradoxo.




quarta-feira, 27 de agosto de 2014

'Florescer'


Certa vez, há muito tempo, eu tive um sonho curioso. Eu estava no que parecia ser o compartimento de carga um avião desses cargueiro mesmo, cujas portas estavam abertas para o céu além. De inicio parecia que eu estava sozinha, então vi em cima de uma mesa, em uma tigela, três bagas vermelhas, lindas e aparentemente carnudas. Eu que nunca tinha visto frutinhas iguais àquelas, quis provar.  Estendi a mão para pegá-las, mas elas foram arrancadas de mim por um desconhecido, um rapaz de nariz empinado e ar feroz. E antes que eu pudesse reagir e resgatar as frutinhas ele as lançou do cargueiro. Eu as vi cair atônita, então aconteceu algo surpreendente; eu as vi cair em um campo de relva dourada, mas eu não estava mais no cargueiro. Onde as frutinhas haviam caído erguiam-se ramos carregados de florescências, flores de um rosa claro delicado que me lembravam cerejeiras. Então vem a parte mais interessante do sonho; eu era aqueles galhos que floresciam, eu sentia cada flor nascer de mim e os galhos se estenderem até o alto e de seus talos mais e mais flores nascerem e desabrocharem para a luz do dia. O resto do sonho eu não vou contar, por que é a parte onde ele revela seu significado, e é segredo. Mas enfim, eu nunca me esqueci, e certo dia resolvi fazer um desenho que o representasse. Não ficou o que eu esperava, mas vou melhorar minha técnica e então no futuro desenho algo mais satisfatório, por que é uma ideia que eu não consigo ignorar.  


sábado, 23 de agosto de 2014

Todas as verdades


Saber de todas as verdades não é uma dádiva, mas um castigo. De repente todas as portas estavam abertas atrás dos livros. Era a melhor escolha que se podia fazer. Refugiar-se na mentira benéfica a perder-se em meio à realidade nauseante.
Aos poucos um a um foram caindo-se os véus.
Foi tão divertido saber que as pessoas não passavam de pergaminhos abertos, expostos para qualquer um ler.
Linha, entrelinha, verso e reverso.Patético!
Daí então o sarcasmo borbulhou em seus lábios e descobriu que era inevitável não rir.
Mas quando o gargalhar se tornou histérico descobriu mais uma verdade; o riso quase sempre reflete a dor.
No espelho um novo reflexo, amargura e rancor.
Contando-se nos dedos, vinte, vinte e um, vinte e ...
Qual era mesmo a sua idade de verdade? Não dava para saber.
“Sessenta.” Um menininho disse, e sabia bem qual era a rima que vinha depois.
Já era tarde quando ela descobriu que no mundo haviam mistérios cuja face era melhor desconhecer.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Coisas antigas

Estava revendo meus desenhos antigos, coisa de dez anos atrás, a época em que eu desenhava para matar o tempo. São péssimos, mas alguns levam a vantagem de serem engraçados. Lembro que eu criava uma história para cada um, às vezes eu tentava narrar essa história no próprio desenho, outras apenas deixava bastante subtendido e quem me perguntasse eu contava depois. Eram sempre histórias muito diversas uma das outras, por que eu pensava; "Se é para contar uma nova história tem que ser bem diferente das anteriores."  Acabo relembrando de todas elas sempre que pego a minha pasta antiga para rever.
Uma vez uma amiga me pediu um desenho, eu fiz e a entreguei.  Então ela disse: Conte-me. Eu: Conte o quê? Ela: A história desse desenho. Eu que não tinha criado nenhuma história para esse em especial tive que inventar alí na hora para que ela não ficasse desapontada.


Anos depois eu fiz um desenho pensando nos traços de uma amiga. E certa vez quando ela me pediu para ver o que eu desenhava, inclui na pasta esse desenho com alguns outros e levei. Ela foi olhando um por um, alguns ela fazia uma observação, outros não, então de um dele ela falou: Essa parece uma ratinha. Eu que pensava em dizer a ela que desenhara um deles pensando nos traços dela desisti e fiquei calada quando vi que era o mesmo desenho ao qual ela fizera aquela observação infeliz.  Outro dia, lembrando, ri muito disso.
 

Certa vez desenhei um homem pelado tomando banho em uma cachoeira, de costa, só mostrava a bunda dele, mesmo assim fiquei com muita vergonha de levar para casa, então dei a minha colega. O engraçado é que minha pasta é cheia de mulheres peladas e não me sinto nenhum pouco despudorada por isso.


Essa é a ilustração do Comandante John, o conto que foi publicado na antologia Beijos e Sangue. Outro dia uma amiga da minha irmã veio me dizer que o marido dela tinha gostado desse meu conto, ele estava lendo essa antologia, geralmente são os homens que se identificam mais com essa história, acho que é por que tem ares de fabula antiga de marinheiro. A história do comandante nasceu de inicio em poema, era um poema bem breguinha que eu fiz como se fosse uma música, não cheguei a transcrever em notas musicais por que não entendo nada do assunto, mas acho que ainda consigo cantar, se eu pegar a letra. Depois do poema fiz o desenho, e só muito mais tarde, em 2010, eu transformei em conto. Só que o poema era um pouco mais triste que a história do conto. Fala do trágico e impossível amor entre um valente homem do mar e uma sereia.


Tem também a ilustração do Canto do Cisne, essa também fiz primeiro o desenho, e como era uma história que persistia em minha cabeça, fiz o conto, o meu primeiro conto de verdade, eu posso dizer,  foi publicado aqui inicialmente, depois a Pat Cóvacs o publicou na antologia Beijos e Névoas.  Tem uma outra lustração, mais antiga, mas essa é ainda pior, por isso não tenho coragem de mostrar. O Canto do cisne é uma história de esperança, que trás a morte como o fim de uma maldição, e assim uma nova chance. Também mostra que a morte também pode ser bonita, principalmente a morte de um cisne encantado.  
Esse desenho é da fase que começaram os meus bloqueios, então eu os iniciava, mas não terminava. Sem paciência deixei o cenário essa coisa horrível.
A sereiazinha Lillã, essa é de uma história antiga. A primeira que comecei a escrever, acho que lá pelos meus 12 anos. Era meio que uma versão adolescente da sereia Madson misturado com a sereiazinha de Andersen com um toque profundamente ambientalista. Era uma história muito boba, mas há sempre o desconto de que eu só tinha doze anos. Lembro que na época essa história me fez conhecer (por pesquisa) a maioria das espécies de tubarões, mas infelizmente já esqueci tudo, só relendo pra lembrar.


Lá pelos meus 13 e 14 eu tinha outra ideia fixa, o Egito. Gostava tanto da história do Egito antigo que quis escrever um romance ambientado lá, nos primórdios da civilização humana. Então criei a minha versão da Unificação do Baixo e alto Egito em um só, através de um casamento. Uma história romântica, abolicionista e feminista. Claro que assassinei a história, e a medida que ia pesquisando e via o quanto um discurso feminista e abolicionista como o que eu queria criar era a coisa mais estúpida e inverossímil que se podia escrever tratando-se de história antiga, (claro que atropelar a história de Menés nem contava na soma, rs) larguei de escrever, ainda bem, por que não passava por minha cabeça a pretensão que era escrever um romance histórico aos 14 anos sobre uma civilização que ainda é obscura para os maiores historiadores. Mas a ideia me rendeu muitos desenhos e por um tempo só desenhava faraós e mulheres com kohl nos olhos e túnica plinsada.





Esse é um desenho com os dois personagens principais dessa malfadada ideia. Togie é um anagrama da palavra Egito assim como Iracema é de America. Nessa época eu já tinha devorado a maioria dos livros de José de Alencar.

Tem também a história do príncipe Megaio e Euilin, a jovem do cetro. Esse eu não vou contar, o desenho já conta a história, é só observar direitinho os detalhes. Eu comecei a transformar em conto, mas acabei largando sem terminar, fica aqui um lembrete para mim. É, eu era péssima com perspectiva, infelizmente hoje não sou muito melhor.



Essa Clara é a personagem do primeiro fragmento que postei aqui, a mesma história do conto Lampejo que foi publicado na antologia Beijos e Sangue. Até hoje não terminei esse rabisco. 


Tem a Jila, uma jovem que foi criada por um dragão sem sequer saber da existência de humanos



A Malena, a bruxa condenada a fogueira pela Santa Inquisição, só que seu poder bloqueou as forças do universo, então não conseguiram queimá-la, mas ainda assim não exoneraram de sua pena, então ela ficou esquecida em seu pelourinho, presa por raízes, por que a crueldade da inquisição já havia se enraizado nos corações das pessoas.  

Shellyn é uma guerreira, minha irmã insiste que ela é uma anã. 

Lanoy é uma humana que sobrevive a um golpe de estado armado pelo tio e é acolhida pelos elfos. Quando se aproximava da terra dos elfos, o elfo Yandal acerta uma flecha de luz em seu coração para que ele não fosse tomado pelas trevas, só assim os elfos poderia ajudá-la, tomar partido naquele conflito e acolher a moça, só que a flecha de luz não pôde ser retirada, então tiveram que quebrá-la, assim parte do artefato mágico fica em seu coração para sempre, a vantagem é que sua alma nunca poderá ser corrompida e ela se tornaria desde então responsabilidade dos elfos.  



E uma fábulazinha que eu inventei sobre a liberdade, o fato dos homens não saberem fazer uso da liberdade sem atropelar os direitos dos outros. Liberdade era uma harpia que muito amava os homens e sempre que podia descia a terra para ensiná-lhe coisas de muita serventia, e os humanos muito a amavam também, tanto que se sentiram enciumados de seu concorrente ao coração da moça, o céu, por mais que ela se dedicassem a eles, ela sempre acabava alçando voo e partindo para ser livre nas alturas, então eles tramaram um plano para mantê-la presa a terra para sempre e desta forma ser para sempre dele. Atraíram-na até o cume de uma montanha e arranjaram um jeito de prender os seus pés em uma goma muito resistente, a goma se petrificou e ela ficaria realmente presa a terra para sempre se não tivesse aberto mão daquilo que a possibilitava andar pela terra, os pés. Assim foram os homens que a perderam, para sempre, obtendo dela apenas pequenas vislumbre ou fugazes aparições. 





E por fim os que mais acho engraçados: A história de uma sereia que pesca um tritão sem perceber e o seguinte, O plano de Éris, a deusa da discórdia, para provocar discórdia no Olimpo, ela faz com que todos os deuses se apaixonem por uma vestal, que é uma sacerdotisa da deusa Vesta, algo parecido com uma freira, daí as deusas ficam todas furiosas, e os deuses, coitados, em vão lançam seus galanteios à jovem indiferente. 

Meus selinhos ^^

Meus selinhos ^^
Meus selinhos ^^