quinta-feira, 16 de agosto de 2012

No abismo


Quando foi que perdi meu encanto? Quando meu coração ficou negro e eu me nodoei com a borra que espargia além da cortinas de bruma a qual me escondia. Esperando crescer ergui o meu rosto para fitar além do muro da minha torre de marfim, um caminho sem volta... meus olhos tocaram o escuro, o escuro tomou o meu ser. Desde então levo a chaga da verdade corrompendo a tenra carne, e a frigidez que me consome alude a minha marcha adiante o vazio. Tudo o que fui se deteriora, derrete entres os dedos, vira pó negro as minhas antigas asas, se desfazem a cada passo. Eu não conhecia o mundo, ou o mundo não me conhecia? Eu não me conhecia... Onde esta a fada que outrora as crianças apontavam com os dedos e riam? Onde estão as cores que adornavam silhuetas que despontavam no meu caminho, nesse balé do acaso? Onde estão as vozes que outrora cantavam para mim. A elas me juntava em coro para acalentar os sonhadores, os leves de espírito. Hoje meu espírito anda pesado. Pesam-m e os pecados que não cometi para estar aqui, e dentre os meus a omissão. "Não feche os olhos", os espectros daqui te diriam. Os fechara ao nascer, e cresci fada, cantando para a tristeza, adubando a ilusão minha e dos outros com uma sorte de promessas falsas. Escritora, que nada, sempre fui uma mentirosa, mentia para os outros e mentia para mim, eis o pecado que me faz merecer o abismo.  

2 comentários:

luciano disse...

Olá, também tenho um blog "esquecido" e o seu era um dos únicos que eu seguia, por isso vi que vc voltou, mas já tinha lido este texto no Recanto e deixado meu comentário. De qualquer forma deixo-lhe um abração e tudo de bom, vê se não some de novo não.

Laísa C. disse...

Lindo texto...

Faz tempo que não escrevo uma prosa poética, acho que meu lamento esgotou...

Meus selinhos ^^

Meus selinhos ^^
Meus selinhos ^^