quinta-feira, 26 de maio de 2011

Resenha do livro "Os Herdeiros dos Titãs"


Imagine você ser apresentado a realidade de uma terra estranha, semi-inexplorada, uma terra que tem sua bagagem histórica, sua cultura própria, sua religião, sua política e em meio tudo isso seus próprios conflitos. Assim é embrenhar-se pelas páginas do livro Os herdeiros dos Titãs, ser apresentado a Grabatal, uma terra insólita, mas sedutora em suas peculiaridades. Uma terra mística, com seus problemas ambientais e conflitos políticos cercados por uma áurea instigante de mistério.
De primeira vista o livro já parece bem sedutor. A letra do titulo brilhando negra acima da ilustração dá vontade de passar o dedo. A bela ilustração da capa que condiz tão fielmente ao personagem retratado e seu destino na trama. As folhas em um amarelo miojo com motivos fitomorficos ornando o rodapé. Na ultima folha temos um mapa dessa terra fantástica que te ajuda ainda mais a se transportar para a história. Ainda sob essa visão superficial a única coisa que senti a falta foi uma resenha apresentando a história, não encontrada em lugar nenhum. O texto da capa não retrata nem um décimo do que guarda o livro e para vendas em livrarias, a meu ver isso parece ruim, sobretudo por que sou daquelas que sempre escolho um livro pela resenha da capa e imagino que mais pessoas devem fazer o mesmo.
Agora partindo para a história, logo o primeiro capitulo me deixou impressionada. Dentre produções nacionais eu nunca havia lido nada no estilo e fiquei super contente por achar uma joia igual entre os nossos nacionais. A impressão que me deu foi que estava diante de uma deliciosa iguaria que levava pitadas de um tempero à la Marion Zimmer Bradley (Série Darkover) e H. Rider Haggard (Ela - O Mistério no Coração da África), encorpada com o trabalho de uma árdua pesquisa histórica e uma criatividade impressionante.  
A história se passa na ilha-continente de Grabatal situada perto da Perlândia? O quê, a terra sagrada dos Vedas? Seria Grabatal a lendária Atlântida? Não se sabe. A ilha é governada por chefes militares chamados Bélis, que por sinal se vestem e se armam com indumentárias ornadas de um poderoso cristal, o sevaste, do qual conseguem aflorar dons prodigiosos durante a batalha, por sua vez todos esses Bélis estão sob o jugo da duvidosa deidade Quetabel, um personagem curioso e por isso mesmo muito bem construído.
A história começa apresentando as dramáticas lembranças de Téoder (de longe o meu personagem favorito na história), drama esse que gira em torno de um acontecimento que só vem a ser revelado de todo no final, aliás, fato responsável pelas cenas mais emocionantes do livro. Mas a trama não gira em volta apenas do Téoder, mas principalmente do jovem idealista Arion, seu filho. Um jovem ressentido com o pai, mas que parece ter herdado sua fibra de guerreiro. Após lutar por justiça em uma sociedade de valores degenerados Arion é obrigado a fugir de sua cidade natal, vivendo desde então uma vida errante entremeada de grandes aventuras e batalhas difíceis, mas também onde tem a oportunidade de conhecer o valor da amizade e também a chance de se desfazer de uma grande mágoa do passado. Arion é um personagem vivendo uma fase de descoberta, lidando com conflitos próprios a sua idade e a realidade em que vive. Um herói em formação cujo destino pode estar entrelaçado com o futuro da própria Grabatal.
A história tem suas particularidades, que embora sirva para deixá-la mais verossímil, dando bases firmes e coerentes ao enredo; muitas vezes acaba cansando o leitor, o deixando de inicio confuso diante de termos tão insólitos, como por exemplo, a nomenclatura dos meses, pontos cardeais, medidas de distancia, demora um pouco para o leitor se habituar. Porém quando acontecesse o efeito é como se tivéssemos uma realidade palpável diante dos olhos, rica em suas dimensões e o resultado é o desejo de fazer igual aos personagens, desbravar esse mundo insólito mergulhando em seus mistérios.
Inicialmente a história tem pouca ação, entremeando alguns fatos banais e corriqueiros a situações que venham a ter realmente algum peso na trama e talvez por esse motivo a leitura venha a parecer monótona de inicio. Mas apesar de algumas cenas serem pueris a história é bem tecida e os últimos capítulos nos apresentam a seriedade e maturidade que faltou em alguns trechos e que por sinal vem a ser compensatório a partir do momento em que a trama vai tomando vitalidade. Mistério, ação, emoção e tensão se misturam causando um efeito quase viciante ao leitor, que assim como aconteceu comigo termina a leitura ansioso pelo lançamento de “Em Busca de Glória”, segundo livro da duologia.  








2 comentários:

Alec Silva disse...

Parabéns, Celly!
Vc se expressou bem nos pontos exatos.



Em breve sai a minha resenha!

Yane Faria disse...

Oi Celly, tem selinho no Vozes ao Vento, passe por lá para dar uma conferida.

Meus selinhos ^^

Meus selinhos ^^
Meus selinhos ^^