quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Vulcana, vampira, Pigmalião

Há muito que tenho andado entorpecida, mirando no espelho um rosto que não é meu, nas ruas flagro no olhar dos estranhos o mesmo engano, um logro que aumenta a cada ano.

E esse querer insano que a vida mude, que o mundo tome cor, que essa inanição humana acabe e que os olhos sejam novamente janelas abertas da alma, repletos de calor?

Hoje não sou mais do que uma ilha a deriva, a cada dia mais distante do continente. Já tão farta de vagar entre ectoplasmas, massas humanas indolentes.

Eu me refugio nessa introspecção exagerada, afagando sozinha a face prateada de deuses criados por mim.

Não mais do que uma Vulcana desvairada pintando de anil as paredes cinza de sua caverna. Pigmalião às suas divindades idealizadas dando formas concretas.

Como uma vampira aprisionada em um corpo eternamente juvenil.

Jamais vista além da couraça, por detrás dessa máscara dura e hostil.


Poeminha escrito há muito tempo atrás.

7 comentários:

O mundo de Lia disse...

Hum! Que intenso! Bem profundo. Gostei.

Krol Rice Chacon disse...

Adorei o blog, as postagens estranhas como eu! Sucesso. O estou seguindo. Visite-me quando puder no www.krolrice.blogspot.com

Beronique disse...

Uhu, adorei, muito bom! ^~

Snake/// disse...

Prosa poética.

Ezequiel disse...

Escreves bem Celly, Gostei

Laísa C. disse...

Deparo com tuas palavras que faço minhas também... O poeta tbm necessita beber de poesia para sobreviver, e eu estou por aqui, para experimentar um pouco de tuas belas palavras...
http://www.confissoesdesajustadas.blogspot.com/

Anônimo disse...

Parabéns Celly, aguardo seu livro...
Débora Martins

Meus selinhos ^^

Meus selinhos ^^
Meus selinhos ^^