quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O Ebook Os Selvagens Cadáveres de Guerra



Já imaginou o que acontece se você mistura ficção e realidade, Segunda guerra Mundial e Horror, mais especificamente zumbis? Ficaram curiosos? Querem saber? Então leiam o ebook "Os Selvagens Cadáveres Cães de Guerra". O livro foi organizado pelo escritor Rochett Tavares, e reuniu escritores como: Alastair Dias (O Formigueiro), Celly Monteiro (Sim, Senhor), Marcelo Augusto Claro (Polyushka Polye), Eric Musashi (A Solução Barbarossa), Monica Krupp (Volta ao Lar) e C. R. Gondim (Frank).

Os interessados podem adquirir o ebook no site do escritor: O Horror de Rochett Tavares

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Os Herdeiros dos Titãs em Quadrinho

O amigo Eric Musashi, autor do livro os Herdeiros dos Titãs, surgiu com mais uma bela novidade, um quadrinho com uma passagem do livro citado, e que foi lançado no inicio do ano, já resenhado por mim aqui no blog. A tirinha ilustra uma passagem belíssima da história, e as cores e o cenário estão muito bons, confiram e vejam se não estou falando a verdade: 




Confiram detalhes sobre o livro, inclusive como adquiri-lo, no site do autor: Os Herdeiros dos Titãs

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O e-book gratuito Green Death - Ecoterrorismo Licantrópico vol.0


É com muito prazer que venho apresentar o mais novo lançamento organizado pelo Alfer Medeiros, uma antologia contendo contos de diversos autores, e ilustrações também, cuja temática segue o universo da organização ecoterrorista Green Death, formada por implacáveis licantropos defensores da natureza, criada pelo Alfer e apresentada inicialmente no livro Fúria Lupina Brasil. O e-book é gratuito e essa primeira edição esta disponível para baixar no endereço a seguir: Baixe aqui 


Nesta edição temos a participação dos autores Alastair Dias, Amanda Reznor, Carolina Mancini, Celly Monteiro, Diego Alves, Gerson Balione, IAM Godoy, Marcelo Augusto Claro, Mariana Albuquerque, Rosana Raven, Susy Ramone e Tânia Souza.

A ilustrações foram feitas por Carolina Mancini, Celly Monteiro e Rosana Raven. 

A revisão é da Adriana Cabral e a diagramação ficou por conta do Rochett Tavares.

Não deixem de conferir esse excelente trabalho, e claro, aqueles que leem não deixe-nos sem feedback. 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Entrevista com a Fantasista no Paraíso Biblioteca



Há algum tempo atrás tive o prazer de ser entrevistada pela querida companheira de algumas antologias, Valentina Silva Ferreira. Foi muito divertido responder as perguntas de Valentina. Confiram no blog dela: Paraíso Biblioteca

sábado, 3 de dezembro de 2011

Antologia Pulp Brazil organizada por Alec Silva



Convido-lhes a participar da Antologia promovida pela RHS editora, organizada por Alec Silva. Os autores poderão escrever contos dentro da temática do universo fantástico e todos os seus subgêneros (policial, suspense, terror, ficção, steampunk, gore, aventura, horror, etc.). Vejam a proposta e o regulamento no site do escritor: Antologia PULP 


terça-feira, 8 de novembro de 2011

Resenhando A Guerra dos Criativos


Ambientado em um mundo místico alcançado através das brechas do sono A Guerra dos Criativos é uma caixinha de surpresas para quem aprecia literatura fantástica, especialmente a nacional. Criaturas fantásticas da literatura mundial e personagens reais se misturam em um enredo onde a criatividade é a liga que articula de forma satisfatória o biográfico e o fantástico.

A trama se inicia com o autor e personagem Alec Silva recebendo um convite irrecusável para participar de um grande torneio de embates envolvendo criativos de todo o planeta. Tratando o acontecimento com descaso, Alec sequer se dispõe a ler o regulamento do torneio, voltando a se ocupar com suas obrigações de escritor e se esquecendo do caso, até o momento em que se vê tragado para um mundo insólito assim que adormece, um mundo onde criaturas e criadores coexistem, e incríveis batalhas são travadas forjadas com o sublime poder da imaginação. Entretanto, apesar de inicialmente deslumbrado, em sua primeira batalha, Alec descobre que nem tudo são maravilhas naquele fantástico mundo. Um grande perigo os espreita ameaçando não só aquela terra idealizada, mas também o mundo real.

Apesar de parecer mais uma história de fantasia com um tema um tanto gasto, o diferencial se faz com os elementos biográficos inseridos na trama. Para compor o seu elenco de personagens, Alec trouxe para a ficção, personalidades conhecidas da LitFan Nacional que também são conhecidos seus, tal como Alfer Medeiros, que tem uma aparição heróica na trama como o valente General Alfredo e sua alcatéia fantástica, Eric Musashi, na trama o General Elric e seus guerreiros vestidos de armaduras de Sevaste, Rochette Tavares, na trama o lovecraftiano General Amauri, Paul Law, na trama é o misterioso Capitão Pablo, e por ultimo essa que escreve, aparecendo na história como a Capitã Marcélia, um tanto exageradamente meiga e boazinha demais, vou logo avisando, do que a versão real. Mas isso acontece por que a Marcélia, mais do que os outros, aparece como um personagem ideal, enquadrado na trama para corresponder a romântica visão do autor e dar um toque de romance a narrativa. É isso ou quem sabe o Alec tem uma visão bem generosa e fantasiosa do meu temperamento. Bem, deixemos o Alec desconhecendo os meus momentos de mau humor e voltemos à resenha.

Os elementos biográficos são manipulados para construir uma trama dentro do fantástico de uma maneira que beira o onírico, mas não insulta o leitor com o absurdo. Do contrario, o enredo se mostra coeso, divertido, instigante. A escrita é leve e salpicada de uns toques de humor que parece advir da personalidade do autor-personagem, apresentando-se mais uma ponte que alude bem à natureza fantástico-biografica da história. Do mesmo modo, entretanto de forma oposta, os sintomas de melancolia do autor salpicam trechos onde suas memórias se mesclam com a ficção. Assim a história nos vem recheada de uma combinação que leva ação e aventura em doses consideráveis, mas também polvilhada com a mistura agridoce de desalento e bom humor.

A história é narrada como um acontecimento do passado, sendo essa a primeira parte de uma história que promete ser uma trilogia, por isso precisaremos aguardar pelos próximos livros para ver como essa louca aventura termina. A boa noticia é que o Alec tem uma pena rápida e está quase terminando de escrevê-las.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

A Guerra dos criativos - Novo livro de Alec Silva



Há um tempo um amigo me veio com novidade que achei interessante. Estava escrevendo uma história que envolvia a mais pura fantasia com elementos autobiográficos. Ideia legal não é? Agora imagine-se inclusa nessa história como um personagem, não só isso, escritores que você também conhece no meio dessa aventura. Escritores como Alfer Medeiros, Eric Musashi, Paul Law, Rochet Tavares.

Não é algo que você guardaria para mostrar aos seus (sobrinhos)-netos? Não é algo que você acompanharia roendo as unhas pelo próximo capitulo? Eu to assim. Vamos ver como será essa guerra de criatividade. Confiram os capítulos no blog: Zarak o Monstrinho

sábado, 3 de setembro de 2011

Penélope


Penélope e os Pretendentes - John William Waterhouse, 1912

No começo os dedos corriam velozes, movia o fuso sem habilidade. O fio era grosseiro, irregular, cheio de volumes. O pé pisava afoito no tear, frenético. A mão graciosa, os dedos finos e claros como hastes de cristais, moviam-se maviosos. Era mais belo vê-los trabalhando que o resultado da peça, mas tudo era graça e havia pressa. Seu espírito efervescia em uma ânsia, precisava viver, precisava experimentar. Havia a leveza, havia a beleza visível nas formas puras. A natureza transbordava-lhe de seiva. Seu movimento era um flanar harmonioso, afoito. Uma vontade de ser vista, apreciada. Na alcova não falta uma magnólia perfumada...
Hoje o trançado é moroso, mas o bordado é perfeito. Suas mãos trançam suavemente o fio, volta por volta com uma delicadeza primorosa, serena. Os dedos não são mais lisos e diáfanos, a pele é delicada, mas rugosa. Seus movimentos são perfeitos, não erram o compasso, mesmo que não houvesse luz no quarto, já os sabe de có.  Já não há mais pressa, os dias já não são mais os mesmos, os pretendentes estão à porta na promessa de terminada aquela fazenda colocar-se no lugar de seu amado Odisseu. Há o cansaço, o desagrado, a desilusão, a iminência de um amor perdido, jamais esquecido.
Mas, é ao apagar da vela que o coração amadurecido de mulher revela seu ardil, desfaz a cada fio aquela promessa, adiando mais um dia aquela espera por um amor que dentro dela jamais feneceu. 

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Um selinho especial




Recebi esse selinho super legal do meu amigo escritor Alec Silva, autor de Ariane, A fábula InacabadaZARAK, o monstrinho e outras noveletas fantásticas. O selo foi feito por ele com a função de agradecer aos seus amigos pelo incentivo recebido. Imagina amigo, não precisava. Divulgar é um prazer, principalmente quando conheço o trabalho do escritor e sei que ele tem talento. Obrigada e boa sorte com seu lançamento. 


segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O lançamento de ZARAK, o monstrinho e outras noveletas fantásticas


Está previsto para 10 de setembro o lançamento do livro de Alec Silva, ZARAK, o monstrinho e outras noveletas fantásticas. O livro é composto por quatro noveletas, ais quais seguem ai a sinopse escrita pelo autor: 

Zarak, o Monstrinho 

ANO DE CRIAÇÃO: 2010 

PSEUDÔNIMO: Alec Silva 

GÊNERO: Literatura Fantástica/ Noveleta/ Infantil/ Nonsense 

TEMA: Aspirante a escritor encontra amigo imaginário de infância. 

Alex é um jovem que sonha ser escritor, porém nunca consegue concluir uma ideia devido a ausência de criatividade. 
Tudo muda quando recebe a visita de Zarak, um monstrinho que ele criara quando criança, que lhe ensina algumas lições sobre imaginação. Determinado a ajudar seu criador, a criatura o leva para dentro do mundo imaginário que o rapaz concebera quando criança, mostrando-lhe um lugar nonsense e fantástico, no qual a imaginação ganha vida. Dragões-libélulas, árvores andantes, animais pré-históricos e outras coisas tiradas dos sonhos provam ao garoto que ele é capaz de criar e viver grandes aventuras. Basta apenas acreditar. Baseado em um conto que criei na oitava série, para um trabalho escolar. É a primeira noveleta e a que dá título a Zarak, o Monstrinho e Outras Noveletas Fantásticas, da Editora Multifoco. 



O Colecionador de Sílfides 

ANO DE CRIAÇÃO: 2010 

PSEUDÔNIMO: Alec Silva 

GÊNERO: Literatura Fantástica/ Aventura/ Noveleta/ Infantil 

TEMA: Silfo sem asas parte numa jornada para resgata amiga que foi sequestrada. 

Myr é considerado diferente por não ter asas, vivendo fora do reino dos silfos e tendo apenas a bela e sonhadora Yasmin como amida de sua raça. No dia que a sílfide completa 17 anos, um pardal a captura, levando-a para os pântanos. Quando todos se recusam a ir resgatá-la, o silfo pede a ajuda de Asaplanas, um esperto colibri, que o leva para o provável lugar em que uma criatura coleciona sílfides. No decorrer da jornada, os dois enfrentarão alguns perigos e aprenderão o valor da amizade e da confiança, do perdão e do amor. Uma aventura divertida e fantástica, uma fábula para toda a família. É a segunda noveleta do livro Zarak, o Monstrinho e Outras Noveletas Fantásticas, da Editora Multifoco. É quase uma versão infantil de Ariane. 

O Enigma do Cubo 

ANO DE CRIAÇÃO: 2010 

PSEUDÔNIMO: Alec Silva 

GÊNERO: Literatura Fantástica/ Aventura/ Noveleta/ Juvenil 

TEMA: Trio de amigos envolvidos por acontecimentos desencadeados por cubo mágico. 

O jovem Alécio sempre se viu como um adolescente normal, que não atraía a atenção de ninguém, nem mesmo de Lucina, por quem tem uma afeição. Ao receber da amiga um cubo mágico, entretanto, a sua vida muda drasticamente, pois um jogo perigoso e emocionante o aguarda nas tentativas de montar o brinquedo. Inicialmente o garoto vive uma experiência assustadora, porém a curiosidade o faz continuar a montar as faces, o que acaba envolvendo Dânio, seu melhor amigo, e Lucina, que é a sua vizinha. Percebendo que o único meio de restaurar a ordem ao mundo é continuar montando as seis faces, mesmo que signifique alterar ainda mais a lógica do mundo, Alécio irá viver uma aventura impressionante e surreal. Perigos, descobertas, criaturas fantásticas e eventos incríveis tornarão o enigma do cubo mágico ainda mais emocionante e revelador para o rapaz. Muito inspirado e Jumanji, é a abertura de um romance juvenil criado inicialmente para uma premiação literária a qual perdi. É a terceira noveleta de Zarak, o Monstrinho e Outras Noveletas Fantásticas, da Editora Multifoco. 

O Jardim Celestial de Guilherme 

ANO DE CRIAÇÃO: 2010 

PSEUDÔNIMO: Alec Silva 

GÊNERO: Literatura Fantástica/ Noveleta/ Fantasia Lírica 

TEMA: Homem descobre jardim mágico. 

Guilherme tornou-se cético após a morte da esposa, o que o torna um filósofo capaz de criticar a crença alheia. Mas tudo muda ao comprar uma mansão com um imenso e belo jardim. Determinado a construir uma obra acadêmica no local, ele não imagina que a sua vida está prestes a mudar para sempre ao adentrar e conhecer parte dos segredos fantásticos do jardim. Após beber demais e ser expulso de uma festa, o escritor descobre que o local pode trazer de volta Samara, a sua esposa falecida. E assim, todas as noites o casal se encontra para se amar e compartilhar sonhos, mas as escolhas de Guilherme podem acabar com tudo e separá-los outra vez. Baseado numa ideia que vi num filme, há muito tempo. Após alguns anos de análise, portanto, dispus-me a escrevê-la. É a quarta e última noveleta que compõe o livro Zarak, o Monstrinho e Outras Noveletas Fantásticas, da Editora Multifoco.

domingo, 21 de agosto de 2011

A revista digital 1000 Universos fantásticos - 3° edição


Saiu a terceira edição da revista digital 1000 Universos Fantásticos organizada por Junior Rocco Cazeri com uma linda capa feita por Marcelo Paschoalin que também participa com um conto seu a fábula Alguém Que A Ame Eternamente. A revista leva contos de autores como Valentina Silva Ferreira (Psicose), Tânia Souza (Caserna em Sombra) Cindy Dalfovo (Se numa Noite na Estrada) Afonso Luis Pereira (O Pacto Macabro da velha Antonha) e meu "A Rainha do Gelo", bem o titulo diz tudo sobre o conto, narra o ultimo desejo de uma insólita soberana em seu mundo frio e solitário.

Para fazerem o download da revista visitem o site: café de ontem



quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Sangue Cigano - Novo Romance de Jossi Borges


Iris é casada com um cigano, embora ela não seja. Vivem um casamento feliz, até que uma sombra se interpõem entre eles... Uma criatura milenar, uma ameaça tão maligna e poderosa, que nem a matriarca do clã, Avó Bianca, com sua magia, consegue superar. 
Klaus ama ternamente sua esposa gadjé, apesar de enfrentar a oposição dos demais ciganos por ela não ter sangue cigano. Entretanto, de uma hora para outra, o amor de ambos começa a esfriar, quando fatos estranhos passam a interferir na vida deles... Klaus se desespera, mas sabe que um ser maligno é a causa de tudo isso. Porém, ele terá forças para superar aquela provação e dar um voto de confiança à sua mulher?

façam Download no blog: Alternativos e Independentes

Em breve teremos resenha :)

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Esta Terra Árida



Hei de ser sempre esta terra árida, onde o pé estranho não consegue deixar marcas.
Planície selvagem onde emigrante, não tardar, é pedra funerária.  
Solo raso onde não fincam raízes.
Também não cultivam cicatrizes.
Há de ser sempre assim;
Hei de dizer e logo esquecer. 
Hei de plantar e não colher.
Hei de me alimentar e ir embora.
Hei de amar e odiar na mesma hora. 
Se produzo mel ele há de engrossar e virar pedra açucarada.
Meu mal é ser tudo e não ser nada. 
Desejo e desprezo.
Frenesi e langor. 
Sopro de gelo depois de calor abrasador. 
Astro condenado a girar em volta do próprio eixo. 
Peça de uma engrenagem que não tem concerto. 
Com um orgulho de deusa quando reles mortal.
Tem repulsa a se entregar a um destino banal. 

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Resenha do segundo livro da série Os olhos de Thera - Alma Negra


Tensão e suspense marcam as folhas desse segundo livro da Saga Os olhos de Thera – Alma negra. No entanto a ação também se faz presente, e de uma forma que já parece ter virado uma marca registrada da escritora Léia Kiuski, que nos momentos mais fantásticos e desenfreados da narrativa consegue desenhar aos olhos do leitor cenas que de tão eletrizantes lembram o tom vibrante das produções cinematográficas. Aliás, tenho certeza que a saga toda daria ótimos filmes.
A saga Os olhos de Thera conta a história de um grupo de jovens guerreiros dotados de poderosos dons doados pela poderosa deidade Thera para defenderem a terra da ameaça de demônios oriundos de outra dimensão. Se o primeiro livro já foi bom esse não fica por baixo onde o desenrolar de alguns fatos e o desvendamento de alguns segredos vem deixar a saga ainda mais rica e interessante.
Em Alma Negra os heróis liderados pela charmosa Elizabeth Monterey experimentam o misto de alivio e expectativa após uma grande batalha que enfrentaram. Silver Blade parece salva da ameaça dos demônios e convenientemente as pessoas não se lembram do que aconteceu na noite do Halloween, mas Edgar ainda é uma ameaça que pode atacar a qualquer momento. Para piorar a situação, devido a ultima batalha Elizabeth enfrenta sérios problemas com seus poderes, com distúrbios e oscilações energéticas, o que acaba deixando a mais poderosa guerreira de Thera extremamente vulnerável. No entanto nem tudo é o que parece e Elizabeth vai precisar de muita paciência sangue frio e confiança em Thera para poder tirar proveito de uma situação tão periclitante e se sobressair aos nefastos planos de Edgar e seus novos aliados, humanos com estranha áurea sóbria, os “almas negras”.  
O que mais impressiona ao final da leitura é que percebemos que a história foge totalmente do clichê: vilões tramam e vencem até o final onde há uma reviravolta. Apesar de podermos esperar isso no inicio não é  assim que acontece. O enredo vem cheio de surpresas, recheados de tramas, armações e estratégias inteligentemente articuladas que nos leva a um final surpreendente. Mais uma vez tiro o chapéu para a escritora Léia Kiuski, e termino a leitura perdidamente ansiosa pelo terceiro livro da série, Os Iluminados.  

Para quem quiser adquirir o livro é só entrar no link: Alam Negra - Os olhos de Thera, ou entrar em contato com a autora pelo endereço:  leiakiuski@gmail.com
Conheçam também o site da escritora:http://leiakiuski2.blogspot.com/ 

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Promoção "Os Herdeiros dos Titãs" - Um livro por quinzena



O lance é mais uma promoção super bacana envolvendo o livro Os herdeiros dos Titãs.
Até o fim do ano, o blog Os Herdeiros dos Titãs sorteará um livro a cada duas semanas para os seguidores do blog. Os sorteios serão às quartas-feiras, sendo o primeiro dia 13/07. Para participar, é muito simples:

1) Ser seguidor do blog publicamente.

2) Comentar em alguma postagem a partir desta data e/ou twitar sobre a promoção.

Cada comentário em uma postagem (incluindo nesta) conta como um número para o sorteio, e cada tweet também. Será permitido um tweet a cada doze horas.
Feito o tweet, basta preencher o formulário no post da promo com o nome de seguidor do blog e o link da postagem.

Passadas as duas semanas, será revelado o vencedor do sorteio, e se iniciará uma nova promoção, sendo necessários novos comentários/tweets para participar.

No tempo oportuno, será postada a foto de cada vencedor com o livro.

Boa sorte a todos!

domingo, 26 de junho de 2011

Eterna



Desceu parecendo ouvir música no salão de festa.  A mão enluvada roçando o corrimão provocou uma chuva de rosas secas no chão. Fitou com ar inexpressivo os convidados estáticos.  Ao pé da escada cumprimentou já como um gesto involuntário o cavalheiro à esquerda. Aquele que tinha certo ar galanteador.
 Seguiu para o meio do salão com um sorriso nos lábios. Seu par a esperava para valsarem An der schönen blauen Donau. Avançou com graciosidade diblando com displicencia os que estavam pelo caminho. De braços estendidos para um abraço. Mas seus braços apertaram o vazio. Depois um chacoalhar de ossos despencando. Derrubou tambem o apoio de madeira onde ele estava apoiado. Sentiu-se acordando de um sonho. Olhou em volta estarrecida.  Ao lembrar encheu-se de vergonha e a autopiedade.
 Agora seu vestido estava sujo. Um exalar purulento enchia o ar. Vermes esticando e encolhendo em todo tecido de seda bordada. Passou a mão para sacudí-los. Aproximou-se da vidraça para vislumbrar-se naquele elegante involucro rosa champanhe com muitas camadas na saia balão. Logo, ele - o culpado -  estava atrás dela vislumbrando também aquela visão
 – Não se faz 15 anos duas vezes minha querida. - Comentou acariciando seu pescoço esguio. Mais uma vez ele repetia aquele eloquente argumento. Concordara prontamente naquele dia, tudo tinha um sentido tão diferente. Mas agora...  tornou a se olhar no reflexo.  A pele perdera aquele tom róseo. Uma enorme mancha escura parecendo ter escorrido da direção do pescoço nodoava de forma estranha todo aquele tecido claro. Suspirou percebendo o quanto ele fora descuidado. Era certo que precisava de outro vestido. 

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Feliz Aniversário Verônica




O Anjo Renunciado e a legião dos suicidas


How Hannah pôs seus olhos no abismo. O bafo quente que espargia das entranhas da terra queimou sua face reverberando em lufadas até onde seu pé estava firmado. Ruflou as asas para dissipar o intragável cheiro de enxofre que se exalava junto com o lufar. Era um esforço inútil, ele sabia. Tinha que se entregar ao ar tórrido, mergulhar na larva fervente. Não havia outra passagem que levasse as terras do além-mundo.

Seus olhos, de um azul glacial, refletiam como espelho as miríades que se desenhava abaixo de si. Lá, onde a dor e a agonia era a engrenagem que movimentava uma existência sub-humana, formas descarnadas se retorciam em uma dança frenética sem fim. Almas sucumbiam a torturas infindas de implacáveis algozes. Gritos e imprecações escapavam até seus ouvidos. Um ciclo diferente movimentava aquele canto do universo, onde o sol não se levantava nem a noite trazia o descanso. Um regime de escravidão pairava sobre aqueles campos onde as almas se apinhavam retorcendo-se em genuíno desespero deflagrando incansável tormento. A eternidade fazia morada naquele canto do universo impedindo que cada castigo tomasse seu fim.

Afastou seus olhos da cena que se desenhava ali embaixo. Ou teria arrebatado de si sua sanidade, sugada pelos olhos. Sorvida por cada alma imersa em ódio e sequiosa de vingança por qualquer outra que estivesse em melhor estado. Deu as costas para o abismo, o fogo que se projetava das entranhas desenhava o contorno de sua sombra na terra escura que momentos antes havia trilhado. Estendeu suas asas para o alto. Era a ultima vez que se contemplava naquela forma de criatura dominadora dos céus.

Volveu seu olhar ao céu. Era o olhar derradeiro da criatura que lhe pertencia. Lá deixava sua hoste. Seu escudo de luz celeste. Sua coroa de estrelas. Seus companheiros de eternidade. Era muito a se perder, mas How Hannah não se permitia fraquejar. Estendendo a mão para além de cada ombro firmou os dedos envolvendo aquele par de carne firme que se projetava de seu dorso. Com a força e a firmeza que lhe cabia rasgou uma a uma das belas asas que lhe fora doada. Um ato que apenas sua mão poderia consumar. Um grito de dor sacudiu o firmamento, do céu a terra, fazendo rachar até a mais forme montanha. As asas, sacudidas ao longe, era o tributo que faltava a How Hannah para descer ao abismo.

Um segundo tremor abalou a terra. O corpo de How Hannah despencava extenuado por um ato maior do que podia suportar. Seu sangue sagrado escorreu pela rocha. Por onde tocava fazia brotar a vida. Ramagens de liquens floridos forraram as paredes do abismo, e para os infernais foi como abrir uma ferida na carne do inferno. Um sopro de vida, que no abismo, nem o fogo que crepitava incessante conseguiu dissipar.

Foi grande o tempo que How Hannah ficou desacordado, imerso na própria dor. Parecia que nenhuma força havia lhe restado. Sua mente galgava limites que lhe fora proibido. Seu espírito bateu a porta do céu e havendo seus irmãos lhe rejeitado, voltou. Quando levantou-se de onde havia caído, seu corpo de mármore na terra havia feito um novo abismo. Onde seu sangue molhou, nasceu uma fonte de onde é possível beber da vida.

Da própria túnica How Hannah tirou uma tira ao qual vendou os olhos para preservar a própria sanidade. Munido de sua maça e seu alfanje, ultimas relíquias de sua santidade, voltou à borda do abismo. Ali se precipitou sem hesitar. Mergulhou na larva que fervia dos castigos infligidos aos pecadores. Para onde estava indo suas asas não serviriam.

Transpor os limites do inferno não foi nem de longe a tarefa mais fácil para How Hannah. Renunciar das próprias asas era nada perto do vilipendio da própria alma. Ter de sentir tanto sofrimento alheio, tanta suplica pela salvação, clemência diante da centelha de luz divina que sua alma emanava e ainda assim ser obrigado a ignorar cada apelo. Forçar-se insensível a cada nota de dor que chegava aos seus ouvidos, para How Hannah não havia tortura pior.


Os infernais abriam passagem ao anjo renunciado, mesmo em meio a suplicas e rogos malgrados. Sua presença ali embaixo inspirava uma insalubre sensação de repulsa e temor. Embora não pudessem tocá-lo, brigaram com gana por beijar com fervor as marcas que deixava seu rastro na ânsia que aquilo os tronassem melhores. Foi longa a marcha de How Hannah no inferno, dentre corpos descarnados, vísceras humanas reviradas, ácido e chamas que lambiam-lhe a pele sagrada como serpente voluptuosa. Custou até encontrar aquela que procurava. A alma que se mantinha intocada mesmo no abismo. Uma alma que outrora respondera pelo nome de Dora.

Dora, que para os demônios era um brinquedinho inútil que não reagia às provocações perniciosas e não se sujava no mesmo lodo do inferno igual aos outros. Uma segregada. Para os homens Dora era uma perdida, dilapidada e denegrida por seus narcóticos. Mas para How Hannah Dora era anjo com as penas chamuscadas, que não se habituara a experiência da vida. A fraqueza, o suicídio a mandara para o inferno. Mas Dora não pertencia ao inferno, não pertencia aos homens, também não pertencia aos céus. Por decreto maior Dora deveria pertencer ao limbo, mas ela não queria ir para o limbo, por isso havia rogado ao céu.

Do firmamento How Hannah viu a suplica da moça que ousava rezar no inferno. Naquele mesmo instante o céu havia perdido um dos seus arcanjos. How Hannah, incapaz de ignorar aquele apelo, soube imediatamente o que fazer.

Arrebatar Dora das mãos dos demônios que a cobiçava não foi tarefa fácil. Foi preciso a How Hannah Bater-se com cada um. Mas, entraves com demônios era tarefa do arauto das alturas desde o principio, e embora não lhe restasse ainda às asas, aquela nova tarefa soube muito bem empreender. E mesmo que os demônios derrocados encanecessem por ultimo do anjo renunciado, questionando-lhe de como pretendia ele sair do abismo sem suas lindas asas, How Hannah sabia o que havia ido ali fazer. Desde o principio sabia que não era impossível escalar o abismo. Ao inferno o anjo sem asas havia se sentenciado. Mas havia tão grande sentido naquilo. Havia indo em chamado ao medo e a solidão de Dora que seu coração tão bem soube responder. Nas terras do além faria ele seu paraíso iluminando a escuridão com sua áurea, onde caberia ele, sua “Alma Intocada” e aqueles que clamavam no abismo pelo perdão, a legião de almas suicidas.




N.A. O que de melhor uma contista pode dar senão suas palavras? Espero que Aprecie meu presente. Feliz aniversário grande amiga literária.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Resultado do concurso cultural "Os Herdeiros dos Titãs"





Chegou ao fim o concurso cultural divulgado aqui e em mais quatro blogues cujas melhores frases levaria um exemplar do livro Os herdeiros dos Titãs. Após somar a média atribuída pelos os três jures os ganhadores foram os seguintes sortudos:


·         1º Lugar

NOME: Ricardo Michilizzi Junior
Resposta: Ficaria indignado, criaria uma comunidade no Orkut difamando a imagem da Rainha-Deusa com o título de "Eu ri...", posteriormente desativaria meu perfil, ficaria de luto pela minha ignorância e faria a tag #aRainhaDeusaÉumaFarsa chegar aos TTs WorldWide do Twitter para conscientizar aos desavisados de que estávamos sendo enganados todo esse tempo. Daria tão certo que eu poderia até participar do BBB no ano seguinte!
 Média final = 4,83 

·          2º Lugar

NOME: Daniel Reis
Resposta: Se a revelação do segredo da Rainha-Deusa representasse à nação qualquer ameaça de destruição e escravidão do povo por inimigos, que poderiam se aproveitar da moral baixa dos guerreiros, eu continuaria a sangrar e lutar em silêncio para garantir a segurança dos meus. Porém se não houvesse ameaça externa, eu lutaria pela verdade.
 Média final = 4,5 

·         3º Lugar

NOME: Luiz Fernando Espindola
Resposta: Informaria a todos os outros guerreiros sobre a farsa e iria averiguar o real motivo pelo qual a Rainha-Deusa faz isso... Estaria ela enfeitiçada?? 
  Média final = 4,4

·         4º Lugar (EMPATE)

NOME: Victor Rocha
Resposta: Sairia desta cidade, fundaria outra em homenagem ao homem comum, proibindo cultos ou qualquer outra ação de cunho teológico ou teocrático. Formaria um exército de homens livres e começaria uma caçada aos falsos Deuses, a começar pela Rainha-Deusa.
  Média final = 4,3


NOME:  Luiz Fernando Duarte Junior
Resposta:  O que é melhor? Viver a farsa ou morrer como mártir? Assim como acredito em "Veritas vos liberabit", também creio um pouco em "Não sou besta pra tirar onda de herói". Tentaria fazer algo, mas não a ponto de me sacrificar a menos que virasse algo pessoal.
  Média final = 4,3


Para aqueles que querem adquirir um exemplar do livro acessem o link: Editora Giostre ou Blog do autor 


Eu também ganhei um, já li e gostei pra caramba, a empolgação foi tanta que até fiz um fanart:





segunda-feira, 30 de maio de 2011

Três Selinhos



Esse fim de semana choveu selos para o blog  A Fantasista. Dois deles vieram da querida amiga Verônica, do blogue Brisa Noturna, um blogue encantador, tanto no design tanto no conteúdo. Um blogue criado por uma mente inteligente e criativa escrito para pessoas inteligentes e com sensibilidade. Valeu Verônica!





O terceiro veio da Yane Faria, minha querida one-chan, do blogue Vozes ao Vento, outro blogue encantador que mereceu muito bem a indicação do selo que ela está me passando por generosidade. Textos escritos por uma mente arguciosa para as facetas da realidade, transbordando de sensibilidade e emoção. Obrigada One-chan. ^^

Esse selo vem com o Meme que segue abaixo:

  1. Para você, o que faz seu blogue ser encantador?
Fácil, graças ao feitiço que lancei nele na primeira noite de lua cheia após criar o blogue. Haha!

  1. Link o blogue que lhe enviou o Meme e fale o que você acha dele:
Textos de leitura leve feitos para refletir e se emocionar, imagens belíssimas feitas para sonhar. Um canto que a sensibilidade e a beleza fazem de refúgio. 

  1. Repasse esse Meme para todos os blogues que você considera encantador.
Se dependesse da minha vontade a lista seria grande, entretanto nem todos gostam de selos e Memes como eu adoro, então vou deixar por livre e espontânea vontade dos meus amigos blogueiros. Os selos irão para aqueles que o quiserem, tanto esse quanto os outros dois. Dou toda liberdade para aqueles que o quiserem repassar.   


quinta-feira, 26 de maio de 2011

Resenha do livro "Os Herdeiros dos Titãs"


Imagine você ser apresentado a realidade de uma terra estranha, semi-inexplorada, uma terra que tem sua bagagem histórica, sua cultura própria, sua religião, sua política e em meio tudo isso seus próprios conflitos. Assim é embrenhar-se pelas páginas do livro Os herdeiros dos Titãs, ser apresentado a Grabatal, uma terra insólita, mas sedutora em suas peculiaridades. Uma terra mística, com seus problemas ambientais e conflitos políticos cercados por uma áurea instigante de mistério.
De primeira vista o livro já parece bem sedutor. A letra do titulo brilhando negra acima da ilustração dá vontade de passar o dedo. A bela ilustração da capa que condiz tão fielmente ao personagem retratado e seu destino na trama. As folhas em um amarelo miojo com motivos fitomorficos ornando o rodapé. Na ultima folha temos um mapa dessa terra fantástica que te ajuda ainda mais a se transportar para a história. Ainda sob essa visão superficial a única coisa que senti a falta foi uma resenha apresentando a história, não encontrada em lugar nenhum. O texto da capa não retrata nem um décimo do que guarda o livro e para vendas em livrarias, a meu ver isso parece ruim, sobretudo por que sou daquelas que sempre escolho um livro pela resenha da capa e imagino que mais pessoas devem fazer o mesmo.
Agora partindo para a história, logo o primeiro capitulo me deixou impressionada. Dentre produções nacionais eu nunca havia lido nada no estilo e fiquei super contente por achar uma joia igual entre os nossos nacionais. A impressão que me deu foi que estava diante de uma deliciosa iguaria que levava pitadas de um tempero à la Marion Zimmer Bradley (Série Darkover) e H. Rider Haggard (Ela - O Mistério no Coração da África), encorpada com o trabalho de uma árdua pesquisa histórica e uma criatividade impressionante.  
A história se passa na ilha-continente de Grabatal situada perto da Perlândia? O quê, a terra sagrada dos Vedas? Seria Grabatal a lendária Atlântida? Não se sabe. A ilha é governada por chefes militares chamados Bélis, que por sinal se vestem e se armam com indumentárias ornadas de um poderoso cristal, o sevaste, do qual conseguem aflorar dons prodigiosos durante a batalha, por sua vez todos esses Bélis estão sob o jugo da duvidosa deidade Quetabel, um personagem curioso e por isso mesmo muito bem construído.
A história começa apresentando as dramáticas lembranças de Téoder (de longe o meu personagem favorito na história), drama esse que gira em torno de um acontecimento que só vem a ser revelado de todo no final, aliás, fato responsável pelas cenas mais emocionantes do livro. Mas a trama não gira em volta apenas do Téoder, mas principalmente do jovem idealista Arion, seu filho. Um jovem ressentido com o pai, mas que parece ter herdado sua fibra de guerreiro. Após lutar por justiça em uma sociedade de valores degenerados Arion é obrigado a fugir de sua cidade natal, vivendo desde então uma vida errante entremeada de grandes aventuras e batalhas difíceis, mas também onde tem a oportunidade de conhecer o valor da amizade e também a chance de se desfazer de uma grande mágoa do passado. Arion é um personagem vivendo uma fase de descoberta, lidando com conflitos próprios a sua idade e a realidade em que vive. Um herói em formação cujo destino pode estar entrelaçado com o futuro da própria Grabatal.
A história tem suas particularidades, que embora sirva para deixá-la mais verossímil, dando bases firmes e coerentes ao enredo; muitas vezes acaba cansando o leitor, o deixando de inicio confuso diante de termos tão insólitos, como por exemplo, a nomenclatura dos meses, pontos cardeais, medidas de distancia, demora um pouco para o leitor se habituar. Porém quando acontecesse o efeito é como se tivéssemos uma realidade palpável diante dos olhos, rica em suas dimensões e o resultado é o desejo de fazer igual aos personagens, desbravar esse mundo insólito mergulhando em seus mistérios.
Inicialmente a história tem pouca ação, entremeando alguns fatos banais e corriqueiros a situações que venham a ter realmente algum peso na trama e talvez por esse motivo a leitura venha a parecer monótona de inicio. Mas apesar de algumas cenas serem pueris a história é bem tecida e os últimos capítulos nos apresentam a seriedade e maturidade que faltou em alguns trechos e que por sinal vem a ser compensatório a partir do momento em que a trama vai tomando vitalidade. Mistério, ação, emoção e tensão se misturam causando um efeito quase viciante ao leitor, que assim como aconteceu comigo termina a leitura ansioso pelo lançamento de “Em Busca de Glória”, segundo livro da duologia.  








quinta-feira, 5 de maio de 2011

A Antologia Contos Sem Classe Textos Sem Curso



Durante a minha vida de internauta tive o prazer de conhecer o Snake, uma das pessoas mais incríveis que já conheci, não só como pessoa, mas como escritor também. E em meio ao privilegio de sua amizade tive a chance de ser uma das leitoras betas de Asas Negras, por isso conheço muito bem sua escrita e é com satisfação que indico sua nova antologia, que aliás já era em tempo. Só não me agrada o nome. Contos sem classe é? é ruim hein!

São, ao todo, 10 contos que passam pelas várias vertentes da literatura ficcional, desde a ficção realista até ficção científica.

Prefácio da escritora Jossi Borges, que leu e revisou a obra.

Veja o livro na página do Clube de Autores e, se gostar não fique sem comprar.

http://clubedeautores.com.br/book/39370--Contos_Sem_Classe

Para quem prefere em formato Ebook, o  livro também está disponível no site:

http://www.4shared.com/document/vQNuRIsI/contos_sem_classe.html

Informações técnicas:

Número de páginas: 86

Peso: 176 gramas

Edição: 1(2011)

Acabamento da capa: Papel Couché 300g/m², 4x0, laminação fosca.

Acabamento do miolo: Papel offset 75g/m², 1x1, cadernos grampeados, A5, Preto e Branco.

Formato: Médio (140x210mm), brochura com orelhas.

Valor: R$ 25,83 (com zero de direitos autorais, para não encarecer ainda mais... dose!!)


Prefácio de Jossi Borges:

Dentro de uma seleção de contos tão variada, podemos sentir, de forma soberba, o estilo colorido e luminoso de Snake Eye’s. Em todos os seus trabalhos flutua de maneira quase palpável uma névoa delicada de lirismo, poesia e sentimentos, que se entrelaçam e dão relevo a cada linha e palavra, transformando seus contos, narrativas e mini-contos em viagens oníricas onde nossos corações são dominados e sujeitados à beleza das emoções. E são diversas essas emoções, são diversos os sentimentos, mas predominando sempre a emoção suscitada pelo inusitado e pelo original. Alegria, curiosidade, romantismo, lirismo, suspense, ternura, adrenalina. Não é fácil analisar a obra de Snake; não se pode resumir o que cada conto nos transmite, exceto se usarmos a palavra “emoção” como sinônimo de fantasia-magia-amor, como se essas três palavras fossem uma única.

Nesse belo trabalho, que reúne diversos temas nos quais ela tem trabalhado nos últimos meses – e que eu posso me gabar de conhecer, já que tenho o privilégio de ter lido muitos deles – temos exemplos perfeitos do que foi dito acima. Amor, lirismo e sensibilidade afloram no conto Amores Platônicos, onde ela descreve o amor não consumado como uma espécie de lição para os jovens e adultos que se deixam atrelar às convenções sociais estéreis. Gaiola Dourada, Morte Antiquada e Fogueira de São João e Seu Antônio tem o mesmo toque lírico, em que o amor, em qualquer de suas formas, é enaltecido, seja o amor pela vida, liberdade e natureza (Gaiola Dourada), o amor pelo trabalho e pelos objetos de valor afetivo (Morte Antiquada) e o amor pela família (Fogueira de São João e Seu Antônio).

O terror, gênero tão difundido e bem aceito, tem seu representante nesta coletânea, com os contos Demônios nas Sombras, Espuma Branca em Céu Azul e Vovô Coveiro. No primeiro, o suspense que cativa o leitor, um estremecimento de medo a cada linha, onde o impensável pode acontecer, e de fato, acontece. Espuma Branca em Céu Azul tem o tom poético entremeado de sugestivas impressões que levam o leitor, lentamente, ao desenlace súbito e assustador, mas de certa forma, muito realista. Vovô Coveiro é um mini-conto onde o terror nada tem de sobrenatural, mostrando uma dura realidade de nosso dia a dia. A ficção científica de Snake em seu representante no excelente conto Do Pó ao Pó. Uma maneira original de mostrar a FC brasileira, Snake inspirou-se nos mangás e na literatura japonesa de ficção, criando mundos pós ou pré-apocalípticos, onde a ciência e a magia se mesclam.

Em sua tríade Metamorfoses, a magia sobrenatural está presente, bem como o Amor, novamente representado em três formas distintas e igualmente belas: Casulo & Mortalha, o amor à natureza e o esplendor da vida que renasce nas asas da borboleta e do anjo; Momento Efêmero, o amor adolescente pela magia do mundo das fadas e entes sobrenaturais; e finalmente, em Crianças de Deus, o amor aos animais, representados pelos pombos, tão injustamente maltratados pelo seres humanos.

Foi um grande prazer ler essa coletânea de Snake, e um privilégio ser a sua prefaciadora. E, tenho certeza, ninguém ficará indiferente a tantas manifestações distintas das emoções mais profundas do coração humano, presentes nos belos contos aqui escritos.

terça-feira, 29 de março de 2011

SELO DESAFIO LEITURA NACIONAL



Recebi esse selo da This Gomez, uma super companheira de Antologia e escritora da série de contos Ar de Evasão. A This tem feito um belo trabalho de apoio aos novos escritores nacionais. E o blog dela Conto e Conto é super interessante, tem sido uma das maravilhas que descobri nos últimos dias.
Bem, vamos lá as minhas respostas a esse MEME sobre os livros Tupiniquins!

I) Quantos livros nacionais há na sua estante?

Contei e deu 19, foi um trabalhão por que os mais antigos andam espalhados pela casa em gavetas e recônditos que nem imaginava. É são bem poucos (minha estante mesmo não é lá grande coisa, sempre fui mais rata de biblioteca a qualquer outra coisa), sempre gostei de musica nacional e literatura estrangeira, agora to tentando gostar de musica internacional e me apegando muito mais a literatura nacional.

1. Triste Fim de Policarpo Quaresma  - Lima Barreto
2.  Memórias de um Sargento de Milícias - Manuel Antônio de Almeida

3.  O Noviço - Martins Pena

4. O diário de um mago - Paulo Coelho 
5. A droga do amor – Pedro Bandeira

6. Soneto de fidelidade – Vinicius de Moraes

7. Noite na Taverna – Álvares de Azevedo

8. Quincas Borba – Machado de Assis

9. O Cortiço – Aluisio de Azevedo

10. Historinhas pescadas vol – 2 ...

11. Beijos e Sombras – Org. Jossi Borges

12. Draculea – Vol 1 – Org. Ademir Pascale

13. O Grimoire dos Vampiros – Org. Georgette Silen

14. Olhinhos de gato – Cecília Meireles

15. Minhas memórias de Lobato – Luciana Sandroni

16. Fugindo de casa – Suzana Dias

17. Office-Boy em Apuros – Bosco Brasil

18. Pequenas atitudes – Joamar Z. Nazareth

19. Uma história de futebol – José Roberto Torero


II) Quando e qual foi o último livro nacional que você comprou?

Olhinhos de gato – Cecília Meireles

III) O que achou dele?

Não comecei a ler ainda, tenho uma lista de livros à frente dele. Acabei estabelecendo uma lista de prioridade devido a uma pilha de livros que está se acumulando em minha estante a espera de leitura. Mas posso falar naquele ultimo que li, posso dizer que amei e estou esperando sair o segundo livro da série, é ele: Os olhos de Thera, um thriller fantástico da amiga Leia Kiuski.

IV) Entre os nacionais que já leu, de qual menos gostou e qual mais te surpreendeu?

É difícil falar naquele que tenha me desagradado por que sei que meu julgamento pode ter sido afetado pelo estado de espírito da época. Por exemplo, peguei Memorial de Aires de Machado de Assis para ler quando tinha 17 anos e acabei abandonando a leitura simplesmente por que era uma época em que meu espírito estava em estado de fervura. Digamos que eu estava muito agitada e naquele momento queria algo que me causasse mais emoção. Nunca voltei a ler o livro e por isso não posso julgar. Um exemplo que poderia citar é O príncipe fantasma de Ganymédes José e Teresa Noronha. Ao terminar de ler o livro eu poderia dizer que ele não me agradou por que era para um publico jovem, talvez para adolescentes de 12, 13 anos. Na Época eu tinha 19 anos. Mas pensando bem acredito que a essa idade eu me sentiria do mesmo modo decepcionada com a leitura. Leio José de Alencar desde os 12 e por isso a essa idade já era um pouco mais exigente.

Agora o livro nacional que mais me agradou. Eu poderia facilmente citar um dos livros de José de Alencar. Amo todos eles apesar de me decepcionar com alguns finais e sempre me pegar tentando escrever outro final para a história. rs Porém acho que o mérito vai para uma escritora mais contemporânea, que soube reconstruir como ninguém um período histórico cheio de emoções que foi a guerra dos farrapos. A casa das sete mulheres de Letícia Wierzchowski foi o livro nacional que mais mexeu comigo nos últimos tempos. Sobretudo por que achei brilhante a forma como ela conseguiu sustentar a narrativa até o fim com o mesmo lirismo, com a mesma sensibilidade sem que a narrativa se desgastasse em nenhum momento. Acho que nem Homero foi tão brilhante narrando os dez anos da guerra de tróia quanto ela foi narrando o mesmo tempo de guerra do povo do continente contra o poder regente da época. Posso dizer que me identifiquei com cada personagem, e posso dizer que me deixei impregnar com a melancolia que ela passava a toda vez que um personagem tomava seu fim conforme a sua história. É uma narrativa forte e tocante que poderia dizer, cada pagina vem impregnada com um doce perfume de rosas.

V) O que acha que falta aos autores nacionais para que a barreira do preconceito dos leitores seja vencida?

Não acho que falta nada, a meu ver os escritores nacionais são tão completos quanto os de qualquer outro país, o que falta é o valor e incentivo das editoras em investirem um pouco mais na produção nacional. Pelo o que vejo são as editoras pequenas e recentes que estão investindo nos novos autores nacionais. As editoras grandes e renomadas ainda preferem investir nas produções que vem de fora.

VI) Cite 4 livros nacionais que espera ler em breve.

Bem, são muitos, mas tem que ser só 4 não é?

A trilogia Dragão de Éter -  Raphael Draccon. (Dizem que é inspirado em Final fantasy)

A Batalha do Apocalipse - Eduardo Spohr

A fome de Ibus – Albareo Adreos

O vale dos Anjos – Leandro Shulai

Furia Lupina – Alfer Medeiros

Ops, tem 5, mas fazer o que né? :)


VI) Indique 5 blogs para este desafio...


quarta-feira, 23 de março de 2011

Campanha adote um autor nacional

Essa é uma campanha criada pela escritora e jornalista Nara Vidal, uma excelente iniciativa alíás. A proposta é ADOTE UM AUTOR NACIONAL POR UM MÊS! Compre o livro, leia e divulgue, não custa nada, o prazer será o mesmo e a nossa literatura nacional precisa ser incentivada. Veja mais detalhes da campanha no site da Nara Vidal.

Agora lá vai as minhas sugestões:

Fúria Lupina - Alfer Medeiros
Viajar sem dinheiro e garfes internacionais - Nara Vidal
Devaneios Literários - Mariana Collares
Os olhos de Thera - Leia Kiuski
Ariane - Alec Silva
O Vale dos Anjos - Leandro Schulai
A fome de Íbus - Albarius Andreos
Agridoce - Simone O. Marques
Aos olhos da Morte - M. D. Amado
Trilogia Donas do Mundo - Jossi Borges
Contos sem classe, textos sem curso - Snake
Lazarus - Georgette Silen
Alma e Sangue - Nazarete Fonseca
Adorável Noite - Adriano Siqueira

segunda-feira, 21 de março de 2011

A antologia Sociedade das Sombras


Sociedade das Sombras é a nova antologia organizada pela pareceria do Blog contos sobrenaturais e a Editora estronho. A antologia contará com autores que participaram da rádio Digital Rio e acabaram fazendo parceria com o blog Contos Sobrenaturais. Ao todo são 15 autores. O prefacio está por conta da escritora Giulia Moon. Saiba mais sobre a antologia no blog da nossa parceira Anny Lucard.

O pacto I Parte - Eldynir, o Dragão Diáfano




No inicio eles eram selvagens e inalcançáveis, mas quando o pacto de paz que selava o domínio dos céus foi rompido, eles tomaram a defesa dos homens. Assim se deu inicio a saga dos cavaleiros e seus dragões.

Não importava o quanto meus pés se afastavam da terra do vale, eu ainda conseguia ouvir os gritos das pessoas e o cheiro de sangue vertido. Quanto mais eles estalavam em meus ouvidos mais eu continuava seguindo em frente sem dar importância ao cansaço e ao choramingo de Julian atrás de mim. Não fazia ideia de até que ponto a raiva e o medo havia me feito insensível, apenas continuava andando, escalando com uma fúria desesperada as pedras que circundavam a nossa devastada terra natal e nos separava dos planaltos, o mar de gelo e em algum lugar além, a terra do fogo. Esta ultima deveria ser o nosso destino final. Lá estaríamos salvos segundo vovó. Salvos, mas como e porque eu não fazia idéia. Tudo o que conseguia sentir e pensar tinha a ver com aqueles gritos que me perseguiam, que ainda repercutiam interminável em meus ouvidos.

Vovó está morta assim como provavelmente toda a nossa aldeia. E a morte também parecia em nosso encalço, perseguindo nosso rastro, espreitando a oportunidade de uma rasteira. Incansável, eu andava, mais e mais. As costas comichando com aquela ameaça iminente que o medo fazia colar nela como uma companhia certeira. Nunca havia estado mais apavorado. Julian choramingava, arquejava de agonia e cansaço, implorava, eu o ignorava. Enraivado por sua fraqueza, por tamanha infantilidade, o torturava com prazer, com uma perversidade que havia brotado da dor e da raiva. Havia me tornado deveras um imbecil.

Quem eram eles eu não sabia. Jamais havia visto hoste mais bela e também mais terrificante. Suas armaduras reluziam negras como azeviche. Eram feitas de pedra da lua, isso eu sabia, já havia visto uma cair do céu uma vez, e sabia bem o que um ferreiro bem exímio poderia fazer com ela. No escuro elas reluzem como estrelas, mas sob a luz do dia parece treva liquefeita e espelhada. Nenhuma espada do mundo pode ferir a carne de uma pedra da lua, ou mesmo arranhar. Já aquelas armaduras os faziam invencíveis, mas ainda havia as asas. Negras também como as de um corvo. As asas lhes conferiam o domínio do céu.

O que criaturas tão incríveis poderiam querer em uma aldeia tão simplória como a nossa, derramando um sangue que não queriam beber? Eu não fazia ideia. Mataram homens e mulheres, velhos e crianças. Crânios e crânios esmagados sob o peso de suas maças. Matavam e revistavam a volta como que procurando por algo mais importante, enquanto isso simplesmente esmagava os vermes que encontravam pelo caminho. Vi tudo da tenda de vovó enquanto ela nos aprontava para fugir. “Cuidem um do outro.” Ela disse. “Só precisam chegar até a terra do fogo e estarão salvos.” Foi a ultima coisa que nos disse.

Rastejamos pela fileira de pedra que levaria até o topo do vale. Mimetizados em meio à paisagem negra conseguimos nos livrar da maça implacável daquelas mariposas da morte. De um nincho das rochas vi o que eles fizeram a nossa avó. Foi o que faltava para me fazer apressar o passo, seguir em frente sem ao menos parar para respirar. Eles queriam a nós dois, ou a um de nós, eu sabia, vi isso nos gestos em que interrogavam vovó momento antes de sua morte. O que eles procuravam enquanto esmagavam alguns vermes pelo caminho só poderia estar na tenda de vovó. Ou ao menos estivera. Foi o que pude concluir naquele breve momento. Sem mais qualquer conjectura obedeci a ultima ordem da mulher que nos criou. Ou pelo menos achava que obedecia...

Durante três dias caminhamos, corremos, rastejamos. Não sabia se o exercito negro da morte nos seguia, pois não havia olhado para trás em nenhum momento. Se fizesse não teria ido tão longe, também se Julian não fizesse tanto barulho atrás de mim eu não teria aquela segurança de seguir sem olhar para trás. Mas é claro que isso não justificava aquela minha atitude. Pisávamos já o mar de gelo e se meu sangue não estivesse tão quente pela excitação do medo eu teria percebido a diferença de ambiente de maneira mais eloquente. Sabia apenas que o chão sob nossos pés era níveo e liso como jamais havia sido o chão do nosso vale, e a brancura imaculada a nossa frente fazia doer meus olhos, afora isso não percebia mais nada da terra em que estávamos. Eu estava louco, e tinha uma débil esperança de que aquela loucura nos salvaria, ou apenas seguia as instruções de nossa avó de uma maneira que ninguém jamais faria?

Algo no sussurro de Julian chamou minha atenção finalmente. Ou seriam impulsos de um novo delírio? Não sei dizer. “Eles já não nos persegue, quando ele vai perceber.” sua voz era tão débil, ele também delirava, falava sozinho. Já não chorava ou reclamava. Só ao olhar pra trás pude compreender. Virei-me energicamente resmungando. “Então sua criança tola, acha que está salvo e que devemos relaxar? Eles vestem pedras da lua e possuem asas que os sustentam ao céu, e nós, nós estamos a céu aberto agora!” levantei as mãos indicando o céu e a imensidão descoberta acima de nós. Mas meu gesto parou no ar, Julian me olhava de maneira tão comovente.

Vi que apesar de ter sido tão imbecil e pouco indulgente ele se desculpava. Desculpava-se pelo o que iria acontecer. Seus olhos mostraram um caminho vermelho atrás de nós. Fitei aquelas marcas com olhar arregalado, só então me encarando francamente. Nossos pés sangravam de três dias de caminhada e eu sequer havia notado. Julian se desculpava por se importar com coisas tão bobas como sangue e cansaço. Seu corpo despencou na pedra de gelo a meu lado. Nada podia dizer ou fazer. Ergui o corpo do meu irmão de 9 anos e o coloquei nas costas.

Continuei a caminhar com meu fardo nos ombros. Estaria mentindo se dissesse que dei mais de três passos. Tombamos naquela terra branca, no lençol de leite como o meu povo chamava o mar petrificado. Eu já ouvira falar dele tantas vezes, mas não imaginava o que era sentir o gelado, o gelo bruto adentrar em sua pele e corroer a sua carne, toldar seus movimentos.

Eu estava caído como um boneco inerte, e era como se milhões de agulhas estivessem penetrando as partes sensíveis de meu corpo. Dezenas de pedrinhas pequenas pareciam ter se alojado em meus pulmões e se arrastavam pelo meu peito enquanto eu respirava. Sabia que o frio me tomava para si em uma marcha progressiva, cobrindo-me mais e mais como um cobertor entorpecente. Deitado naquele chão, eu só queria que aquilo logo acabasse.

Olhava aquele céu a minha frente, de um azul ofuscante, lembrei-me das lendas sobre criaturas que moravam em uma terra tão alta que de onde quer que olhássemos de sob o planeta não poderíamos enxergá-la; o arquipélago suspenso dos guerreiros de Noar. Entretanto, de lá das alturas eles podiam ver tudo o que se passava nas terras inferiores estando sempre a nos vigiar, por esse motivo deveríamos tomar cuidado com o que fazíamos, sobretudo por que eles sempre poderiam tomar a voz da justiça e nos julgar por pecados que por ventura cometemos.

Será que eram eles? As mariposas negras eram os guerreiros de Noar? Será que os ofendemos com algum ato abominável e por isso fomos castigados? Seria possível ter um castigo igual a aquele que a minha aldeia teve? As lendas diziam que os guerreiros de Noar velavam pela justiça, e poderia haver tudo menos justiça no genocídio do meu povo.

Logo eu não conseguia mais pensar. Apenas via o céu a minha frente obrigado pela paralisia das minhas pálpebras. Meu cérebro não articulava ideia, eu apenas via. Eles haviam chegado. Cobriam o céu como uma nuvem de gafanhoto. Vinham de muito além, acima do céu azul. Um deles estava tão perto, preparava-me sua maça, ia arremessá-la contra meu crânio. Sua face era bela em sua máscara de ódio e jubilo maldoso. Mas o seu corpo belo e perfeito foi coberto pelo fogo. O vi gritar e espernear no ar enquanto as penas de suas asas chamuscavam e sua armadura derretia. Pedra da lua é perecível ao fogo, apenas ao fogo.

Ele caiu em algum lugar daquele deserto de gelo. Além deles havia outras criaturas aladas no céu. Como eu havia me esquecido! Se lembrasse das criaturas que moravam na terra do fogo compreenderia ao menos um pouco aquela ultima ordem de vovó.

Não havíamos ainda alcançado a terra do fogo, mas eles estavam ali, os lagartos do céu. Dragões de todos os tipos pintavam o céu de colorido. Havia os negros e reluzentes que mais pareciam vestidos de pedra da lua também. Havia os vermelhos flamejantes cujas escamas pareciam cobrir-se de larva fervente. Havia os verdes escama de jade moradores das florestas e cavernas, e o mais belo de todos que poderia vislumbrar; o dragão diáfano, cujas escamas eram mais puras que aquela neve, peroladas, pareceria concentrar luz. Tratava-se do mais sagrado de todos os dragões, o maior e mais majestoso deles. Nunca pensei viver para ver um deles, e ao que parecia era a ultima coisa que veria.

O céu esfumaçava, os guerreiros alados pareciam moscas esturricadas no ar. Alguns deles investiam contra o pescoço dos dragões com a intenção de abatê-los em um só golpe, mas não passavam de débeis mariposas perto de tão majestosas criaturas. Não sei se partiram em debandada, tudo parecia aquietar-se. O frio me tomava, senti me engolfar em névoa, em nada. Depois senti a pele arder, tudo queimava, eu queimava de febre, o mundo queimava. Abri meus olhos. O céu se inflamava em elipse. Uma cortina de fogo me envolvia. Eu ardia. Ele soprava. O dragão diáfano soprava, o gelo derretia, eu me empapava. Afundávamos.

Agarrei a mão de Julian. O mar se abria em fenda para nos receber. Vi-me nadando desesperado agarrado a Julian, era tão inútil. Então algo nos cobriu e nos suspendeu. Vi o chão ficar distante. Uma corrente de ar parecia soprar de duas direções nos açoitando. Um zunido nítido de bater de asas em meus ouvidos. E aquele mesmo zunido embalou-me ao sono. Tudo se embotou e escureceu.

Meus selinhos ^^

Meus selinhos ^^
Meus selinhos ^^