terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Rebento de Lilith


Ela não me legou uma vida, legou refluxos de uma sub-humanidade. Me ensinou a beber do lodo. Como um sucumbo a me alimentar de desejos de outros. E por perversa vaidade de quem só tem para oferecer o fel, me fez imagem de sua imagem. Desgraça de uma desgraça. Não aprendi a andar, mas a rastejar. A espremer em um estertor da minha vítima a ultima gota de suas veias, só assim aplacar o furor das minhas entranhas em eterna sanha. Tentar compensar com seiva humana essa eterna subnutrição. Desvalides de quem nada vale. Mas... para vergonha de sua progenitora, o verme asqueroso alimenta vontade clandestina. Rejeita secretamente malfazeja sina. Um dia ainda quer contemplar o céu.

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Meus selinhos ^^

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