sábado, 11 de dezembro de 2010

Ludmila


Na terra do Império Austral nasceu Ludmila, cuja face era da cor das nuvens, cujo cabelo era da cor do sol e seu espirito incontido luzia em seu peito recendendo como um astro vivo. Do nascer ao arrebol nas montanhas azuis só se ouvia o estalar de seu riso. E todos diziam; “- Ludmila, tu tens a alma daqueles que vivem entre as estrelas.” Seu pé era leve feito pluma e ágil feito flecha. Sua vontade não parava um só instante. Sorver da vida como um mel dos deuses Ludmila tinha pressa. Mas eis que as bruxas do Norte da menina tomou inveja. Lhe incomodavam alma tão livre, tão feliz e tão sincera. Deram-lhe uma caixinha de vidro onde selariam seu espirito.
“- Mas veja que linda menina! Disseram as feias megeras. – Pena ser para sempre menina, que sina triste lhe espera. Com tão grande e indomável espirito não cabe em corpo de moça adulta. Não será esposa, não terá filhos, sua existência será sempre incompleta... A menos que lhe prendam um pouco do espirito em uma caixinha de vidro a cada primavera.” E assim findou-se a alegria e o riso. Desde então vazio e espera. A cada ano prendiam-lhe um pouco do espirito. Também a felicidade de Ludmila eclipsou-se desta terra.





3 comentários:

Beronique disse...

Uau, que breve e sagaz este pequeno conto Celly, você leva mesmo jeito para historias com ares de fabula :)

bjos

Yane Faria disse...

Lindo, poético e verossimil.

Tânia Souza disse...

ownn, que lindo, tem tanto de prosa poética quanto contéudo narrativo, adorei.

Meus selinhos ^^

Meus selinhos ^^
Meus selinhos ^^