segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Resenha - O castelo Animado de Diana Wynne Jones



Eu conheci a história do Castelo animado através de uma animação do Studio Ghibli (imagem acima) que, inclusive, leva o mesmo nome. Me apaixonei por Howl, Sophe e Calcifer e não imagina a grata surpresa que foi descobrir que a linda animação era a adaptação de um livro.  Todo mundo sabe que o livro sempre vai ser mil vezes melhor que qualquer adaptação, seja ela para o cinema, desenho animado, HQ... e O Castelo Animado não foge à regra. Embora a animação do Hayao Miyazaki seja uma obra prima, não há como não dizer: Pessoas, leiam o livro também!!!
No livro vamos ter Howl, Calcifer e Sophie de uma maneira tão mais delineada e atraente que vocês nem imaginam.  Mas então, vamos a história;
Sophie Hatter é a mais velha das três filhas de um fabricante de chapéus. Mas acontece que após o seu pai morrer sem deixar a família em uma condição financeira muito favorável, a sua madrasta resolve dar um destino as três meninas. Martha, a mais nova, é designada a se tornar aprendiz de uma feiticeira amiga da família, Lettie, a do meio, tem um destino mais infeliz, é designada a ser a aprendiz de uma delicatessen e Sophie, fica como aprendiz da madrasta Fanny e tem como destino fabricar chapéus em uma salinha apertada, isolada do mundo. No entanto, Sophie tem um talento para a coisa e em pouco tempo a chapelaria de seu pai prospera de um modo que ela logo é obrigada a ficar no balcão atendendo aos clientes.
Só que Sophie estava destina a ser muito mais do que uma simples fabricante de chapéus. Um dia, a bruxa das terras desoladas entra em sua chapelaria e sem que ela entenda a razão,  é transformada em uma velha de 90 anos cheia de reumatismo. Conformada com aquela sina, mas determinada a não deixar que a sua família a veja daquele jeito, Sophie resolve cair no mundo.  Cansada depois de muito andar ela resolve bater na porta pedindo abrigo de nada menos que do castelo andante do Mago Howl, o temido mago que na sua cidade tem a fama de comer o coração de mocinhas e do qual, antes de ser enfeitiçada, Sophie tinha muito medo. Sentindo que não tem mais nada a perder, Sophie resolve insistir e tentar entrar para descansar no castelo, é ai então que ela conhece Calcifer, um demônio do fogo subjugado pelo Mago Howl.
Calcifer faz uma proposta a Sophie; ele tentaria quebrar o feitiço que a Bruxa das Terra Desoladas lançou nela se ela, em contrapartida, quebrasse o contrato que o unia a Howl e o libertasse, Sophie aceita o trato, mas para isso ela teria que conseguir permanecer no castelo para tentar descobrir as condições do contrato, é ai então que Sophie, Howl, Calcifer e Michael, o aprendiz de Howl, começam a conviver  e juntos vão viver aventuras que só um mundo mágico pode proporcionar.  No decorrer da História vamos percebendo que todos os eventos desde o início da história estão relacionados como se fossem peças de um quebra cabeça que precisavam da intervenção de Sophie para se encaixarem em seus lugares na história. Sophie é a peça central de tudo e talvez dela dependa também a possível regeneração e salvação do divertidíssimo e impossível mago Howl.  
Howl é de longe o personagem mais incrível e interessante da história, é um enigma que vai sendo desvendado aos poucos. Extremamente vaidoso, namorador, dramático, volúvel, egocêntrico, desleixado, mas brilhante e muito talentoso. É um tipo de personagem que a gente sente vontade de bater ou apertar inúmeras vezes.
Calcifer não fica por baixo, é o tipo de personagem que se a gente tivesse de escolher entre a morte dele ou do cachorro, a gente escolhe o cachorro. Ele e Howl tem um relacionamento de amor e ódio e a gente acaba amando isso.
Sophie é a personagem que a gente queria ser, mesmo como uma velha de noventa anos repleta de reumatismo ela coloca de pernas para o ar a vida de Howl, Calcifer, Michael e dá muito, mas muito trabalho à Bruxa das Terras Desoladas. Ainda tem as irmãs de Sophie que são tão adoráveis e tão arteiras quanto Sophie. tem também o misterioso sumiço do Mago Suliman e do príncipe Justin e um espantalho obstinado e um homem cachorro que vem deixar a história ainda mais interessante. Sem falar que o castelo animado vem a ser uma atração a parte, literalmente cheio de vida e detalhes e os outros cenários onde a história se passa são cada um mais interessante que o outro.
O livro vale muito a pena ser lido, principalmente por aqueles que gostaram da animação dos Studio Ghibli e nem imaginam que a história guarda muito mais coisas que a animação acaba mostrando, sem falar que o final é ainda mais fantástico e atraente que da adaptação de Miyazaki. Somando a tudo isso ainda tem um detalhe que a gente é incapaz de não notar; trata-se de uma leitura muitíssimo divertida.  Segue abaixo um trecho da história:  

Capa do livro


Sophie borrifou água da pia para abaixar a poeira, o que fez Calcifer se encolher contra a chaminé. Então varreu novamente o chão. Varreu na direção da porta a fim de dar uma olhada na maçaneta quadrada acima dela. O quarto lado, que ela ainda não vira ser usado, tinha um borrão de tinta preta. Perguntando-se aonde aquele daria, Sophie começou a varrer energicamente as teias de aranha das vigas. Michael gemeu e Calcifer tornou a espirrar.
Nesse momento, Howl saiu do banheiro, envolto numa nuvem de perfume. Tinha um aspecto maravilhosamente elegante. Até os bordados de prata em seu traje pareciam ter se tornado mais brilhantes. Ele deu uma olhada e voltou para o banheiro com uma manga azul e prata protegendo-lhe a cabeça.
— Pare com isso, mulher! — disse ele. — Deixe essas pobres aranhas em paz!
— Essas teias são uma vergonha! — declarou Sophie, juntando-as em bolos.
 — Então tire-as, mas deixe as aranhas — disse Howl. Provavelmente ele tinha uma desagradável afinidade com aranhas, pensou Sophie.
 — Elas só vão fazer mais teias — disse ela.
— E matar moscas, o que é muito útil — replicou Howl. — Fique com essa vassoura parada enquanto atravesso minha própria sala, por favor.
Sophie apoiou-se na vassoura e observou Howl atravessar o quarto e pegar seu violão. Quando ele punha a mão no trinco da porta, ela disse:
 — Se o borrão vermelho leva a Kingsbury e o borrão azul dá em Porthaven, aonde leva o borrão preto?
 — Que mulher bisbilhoteira você é! — exclamou Howl. — Esse leva ao meu refúgio particular e você não vai saber onde é. Ele abriu a porta para a ampla e móvel paisagem do pântano e as colinas. — Quando vai voltar, Howl? — perguntou Michael, um pouco desesperançado. Howl fingiu não ouvir. Ele disse a Sophie:
 — Você não vai matar uma só aranha durante minha ausência. — E a porta bateu atrás dele. Michael lançou um olhar significativo para Calcifer e suspirou. Calcifer crepitou com uma risada maliciosa.
Como ninguém explicasse aonde Howl havia ido, Sophie concluiu que ele tinha partido para caçar jovenzinhas novamente e se lançou ao trabalho com vigor mais justificado do que antes. Ela não ousou causar dano a nenhuma aranha depois do que Howl dissera. Então, batia nas vigas com a vassoura, gritando: “Fora, aranhas! Fora do meu caminho!”. As aranhas saíam correndo para todos os lados, para salvar suas vidas, e as teias caíam em feixes. Depois, naturalmente, ela teve de varrer o chão novamente. Em seguida, ajoelhou-se e esfregou o chão.
 — Queria que parasse com isso! — disse Michael, sentando-se na escada, fora do caminho dela. Calcifer, agachando-se no fundo da lareira, murmurou:
— Gostaria de não ter feito aquele acordo com você! Sophie continuou esfregando com vigor.
— Você vai ficar muito mais feliz quando estiver tudo limpo e bonito — disse ela.
 — Mas estou infeliz agora! — protestou Michael.
Howl só voltou tarde da noite. Nessa hora, Sophie tinha varrido e esfregado até o ponto em que mal podia se mexer. Estava sentada curvada na cadeira, o corpo todo dolorido. Michael agarrou Howl pela manga esvoaçante e o arrastou para o banheiro, onde Sophie podia ouvi-lo despejando queixas num murmúrio empolgado. Expressões como “velha horrível” e “não ouve uma única palavra!” eram fáceis de se ouvir, embora Calcifer estivesse rugindo.
 — Howl, detenha-a! Ela está matando a nós dois! Mas tudo o que Howl disse, quando Michael o largou, foi:
 — Você matou alguma aranha?
— É claro que não — respondeu Sophie. Suas dores deixavam-na irritada. — Elas me olham e correm para se salvar. O que são elas? Todas as garotas cujo coração você devorou? Howl riu.
— Não, apenas aranhas — disse ele, e subiu a escada sonhadoramente.


domingo, 26 de junho de 2016

Primeiras Impressões de Dias de chuva



Acabei de ler os primeiros capítulos de Dias de Chuva (de degustação). De primeiro o titulo da obra já me instiga. Seria uma metáfora para coisas boas ou coisas ruins? Pra mim os dias chuvosos sãos os mais lindos e misteriosos; o batuque da chuva nas superfícies sólidas, o cheiro de terra molhada, o vento gelado, o céu obscurecido pelas nuvens, as ruas desertas, as camas ou poltronas quentes e aconchegantes. Mas a chuva também pode ser um fenômeno implacável, feroz, cruel com as coisas frágeis ou com os desprovidos de amparo. Ainda não sei o que a chuva trará nessas 335 páginas do livro da Carolina Mancini, mas já dá pra imaginar que tem muito mistério e criaturas fabulosas. De inicio a história da Júlia e sua família dá uma dorzinha no peito e caroços na garganta. A situação financeira difícil, a irmã desnutrida, o irmão enfermo, a mãe exausta de tanto trabalhar e um pai entregue ao vicio da bebida e dos jogos. Até que aparece uma figura misteriosa em cena, um jovem estrangeiro. Então vem as coisas incompreensíveis, a salvação, as mudanças lançando a suspeita de que tudo tem um preço, o que fez nascer aquela curiosidade que certamente me fará perder todas as unhas da mãos. O que faz Audrick ajudar a família de Júlia, o que ele viu nos olhos da menina que o encheu de surpresa e o fez socorrer-lhe a infância em ruínas, que criatura ele seria, um vampiro, um deus nórdico, um feiticeiro, um dragão!!!!? E esse relacionamento entranho que nasce entre os dois... Não da pra esquecer que Júlia tem apenas 8 anos. Enfim, essas são as dúvidas que surgem nos primeiros capítulos e é claro que eu quero mais.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Lágrimas

video

A algum tempo atrás fiz esse vídeo com as etapas de criação de um dos meus desenhos. Fiz mais pra mostrar como é o meu processo de criação mesmo, algo meio inconsciente, selvagem, despretensioso,

Acontece muito de eu gostar mais deles nas etapas iniciais, quando é apenas um borrão, sem muita definição, sem muito retoque. Mas ai vou burilando, burilando e parece que alguma coisa mudou, a expressão mudou, não é o mesmo desenho, está mais refinado, mas eu continuo gostando mais de como ele era quando comecei. É difícil sair do lugar desse jeito, e a impressão que dá é que eu fico sabotando o meu progresso. Mas a sensação de insatisfação é persistente e tem sido difícil gostar do que tenho produzido. Esse eu não quis burilar muito, está quase nas etapas iniciais de borrões. 

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Fadas, mocinhas românticas e bichinhos...

O ano está terminando e eu não postei nada do fiz aqui. Eu sempre me percebo travando uma batalha com o que produzo, numa luta para me descobrir, como se minha caneta(pincel) fosse um oraculo revelando-me aspectos internos que meus olhos cegos não conseguem enxergar de outra forma. É sempre uma busca por uma ideia que não toma forma em absoluto. É um cavoucar incessante, uma inquietação que não tem nome,  uma frustração que não tem fim... e sobretudo, esforços que não tem resultados.
 Mas vamos lá, mostrar o que produzi.
Esse ano eu larguei o papel e o pincel e coloquei na minha cabeça de que deveria me dedicar a pintura digital, por ser tão mais pratica, mais fácil e econômica, talvez.


    Tem algumas fadas, essa é uma delas. A original no papel é um pouco estranha, mas eu gostei muito da versão digital, pelos tons que eu usei e o ar delicado que ficou. Apenas as asas não me agradaram. A versão digital eu chamo de Majestade Azul.



A segunda fada. Novamente as asas ficaram horríveis. Ela começou um desastre total, tanto que o nome do arquivo em psd é mulher feia. Eu fui burilando, ajeitando até que ela ficasse mais bonitinha. Eu a chamo de Encanto Púrpura, por causa do tom de pele meio defunto. Eu gosto de tons de pele mórbidos. 


Finalmente asas que me agradaram. Eu nunca faço fadas com asas de borboleta, é sempre de pássaro porque são as minhas preferidas, mas eu tinha que arriscar. Adoro fadas morenas com a pele branquinha e bochechas rosadas. Essa pintura eu chamei de Hesitação, porque ela está com um ar de abstração como se estivesse em dúvida sobre uma decisão muito importante. 

A última fada e com asas de passarinho que eu adoro. Ela ficou meio andrógina, como um anjo mesmo, mas eu não gosto muito da ideia de anjo, prefiro fadas. A ideia era fazê-la arrastando as asas à frente do busto para se cobrir, mas meus desenhos são rebeldes, nunca saem ao meu gosto.  


Esse é o meu preferido, comecei desenhando apenas o rosto da mocinha, então desenhei ela toda e coloquei a gárgula com ela por que inconscientemente coincidia com uma personagem minha. Comecei num tom só porque eu gosto dessa cor. Pretendo recolorir o cenário, talvez pois tenho a intenção de publicar o conto sobre o casal na Amazon e essa vai ser a capa.  


Mocinhas doces e bichinhos talvez seja a minha marca registrada. Nesse desenho, onde uma menina segura um "córneo cacheado" eu queria fazer algo simples para começar a desenhar com mais rapidez, então tentei um desenho que fica mais perto do esboço e sem traços rebuscados, queria algo mais suave também, mas confesso que esse tipo de trabalho não me agrada.



Mais mocinha doce e bichinhos... Abaixo tem a foto do ACEO em grafite. Eu não quis pintá-lo com aquarela porque usei muio grafite e sabia que ia manchar, então resolvi partir para arte digital. Como sempre tem seios desnudos. Os polêmicos seios que ninguém suporta muito ver, mas que eu acho a coisa mais linda...

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Resenha O órfão de Mariana Lucera


Baixei o órfão em uma promoção na Amazon, dessas onde o livro fica um dia ou dois de graça e depois volta ao seu preço normal. Baixei ele e outros de forma meio automática, apenas para aproveitar as promoções da Amazon. Não tinha a intenção de ler, ainda assim fui carregar o livro no meu dispositivo Kindle para os dias sem internet, entretanto, assim que o livro abriu e comecei a ler as primeiras palavras, fiquei ali lendo sem querer desgrudar da tela para fazer outra coisa. Isso por que Mariana Lucera escreve como canta uma sereia, sedutoramente. Não sei se é por que eu sou mórbida e curiosa ao extremo, mas o fato é que o primeiro capitulo te sentencia a ler o livro até o final. Não há como fugir, o órfão, narrador ‘personagem’, é um malandro manipulador sem igual que te induz página por página a desvendar todo o mistério orquestrado ali naquele primeiro capítulo. 
O que mais me chamou a atenção, antes da história, foi a escrita, a forma como a história é narrada é o que faz toda a diferença. Primeiro, o livro é narrado por um livro, não um livro qualquer, um livro sórdido, de personalidade feroz e de língua afiada. Isso mesmo, um livro com todas essas qualidades narrando uma história, não há como não tirar o chapéu para a autora. E a escrita é inteligente, não é aquela narrativa desleixada e sem tato que a gente se depara tanto entre os títulos da Amazon, o órfão demonstra mesmo ser uma mente sagaz, afiada, encadernada, de capa preta sem graça, e sem nem mesmo um autor para chamar de seu, mas de uma mentalidade desafiadora. Assim é o nosso narrador à medida que vai apresentando a história, dando sua opinião sobre os personagens (manipulando a nossa opinião), e desvendando aquele enigma apresentado no primeiro capitulo. 
Alguns elementos da história são bem clichês, e há alguns estereótipos bem evidentes, mas não importa, o órfão já nos seduziu. Já estamos totalmente seduzidos por Florence Force, a mocinha paranormal que parece que saiu das páginas de um livro do Stephen King, se King, além de tudo dosasse seus personagens com uma dose extra de sensualidade e beleza física. Também não há como sentir empatia com Pircy Almond, o mocinho nerd (aleluia que escreveram uma história onde o mocinho é um nerd fã de Star Wars) doce e bobo, do tipo de comete heroísmos por que não vê a hora de se tornar um heroi romântico igual os dos livros que tanto se entupiu de ler a sua vida toda. As vezes Pircy se mostra um tonto inepto que da raiva, mas em outras a gente esquece tudo por que, bem, ele é um nerd fofo mesmo, do tipo de criatura inofensiva e ingênua que a gente não consegue não amar e torcer a favor. 
Pircy Almond salvou Florence Force de um afogamento, ou ao menos ele tentou salvar, e assim a garota misteriosa que tem o corpo todo coberto de cicatrizes, e cujo o nome, se falado inteiro provoca tremores ou faz coisas explodirem, entrou em sua vida. Florence se sente ligada a Pircy por isso, e tem uma leve esperança de que com Pircy a maldição que a persegue, a mesma que faz as pessoas se suicidarem a sua volta, principalmente garotos que ela seduz, não terá efeito, ou agirá de forma diferente. A verdade é que Floresce está começando a despertar para a sua realidade funesta, começa a rejeitar a sua maldição e pela primeira vez, começa a se importar com alguém. Isso faz com que a sina de Florence realmente mude. Ela espera contar pela a primeira vez com a ajuda de alguém para desvendar os mistérios que cercam o seu renascimento e em seguida sua maldição, e espera encontrar um jeito de se livrar do apanhador de almas que a persegue e que a cada ano cobra uma vida a ela. Pircy e Florence se apaixonam enquanto que vão descobrindo que a chave para todas as respostas que procuram pode estar está ali, na cidadezinha onde a garota foi parar com a mãe, a pequena Fancywood. 
Para formar um triangulo amoroso ainda há o irmão de Pircy, Alfred Almond, o bonitão capitão do time, filho predileto e por quem todas as garotas caem aos pés. Alfred é o responsável pelo o declínio da história, há de se admitir, por ser um clichê, por fomentar a estúpida ideia de que um romance só se faz com um belo triangulo amoroso a lá Crepúsculo, e por que a personalidade de Florence parece fraquejar e se contradizer diante dele. Eu sou muito passional quando me envolvo com um livro, e confesso que no momento em que Florence aceita o flerte de Alfred, calculando que talvez ter um atleta valentão ao seu lado seja mais vantajoso do que um nerd hesitante e mirrado, nesse momento eu quase larguei o livro com um sentimento de traição e decepção. Felizmente os anos tem me legado mais sobriedade, e paciência e a autora ao menos um pouco não se limitou ao clichê ao trabalhar o personagem.
A história tem pontas soltas, discrepâncias, a gente acaba percebendo que a história não é exatamente aquilo que a gente pensava lá no inicio, mas grande parte disso pode ser perdoado se o leitor se fizer de bobo e lembrar que a história é narrada por um livro, nem todos os livros dizem a verdade, principalmente quando tudo o que ele deseja é ser ouvido, fazer com que a gente o leia, e a verdade é que esse órfão é um grande safado manipulador.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Resenha quíntupla da saga Shatter Me - Somente para quem já leu a trilogia - Muitos e muitos spoilers


Parece que distopia está realmente na moda, e parece que todas elas seguem a mesma receita fraca; pegar um mundo que já é uma bagunça e dizer que as merdas que os homens fizeram o revirou de cabeça para baixo, e isso leva a um regime opressor que se aproveita do desespero geral para implantar uma ditadura. Enquanto a elite vive no luxo, os menos favorecidos amargam a miséria, que por sua vez os insuflam a lutar e daí vai... Sem embasamento cientifico ou no mínimo muita lógica para explicar muita coisa além que o mundo esta uma merda pelas merdas que fizemos. Qualquer explicação extra, por mais que necessária, é suprimida pela escrita em primeira pessoa (que também parece estar na moda). Qualquer lacuna se justifica pela ignorância quase obtusa da narradora personagem... não parece déjà vu de jogos vorazes? Assim é a trilogia Shatter Me. Mas não é só isso, ouso dizer que, enquanto lia, parecia que tropeçava em Crepúsculo também, e por incrível que pareça, nos X-men... 

A saga é composta de três livros e dois contos que os interliga.

Os três livros são narrados pela protagonista Juliette Ferrars, uma jovem de 17 anos seriamente traumatizada por uma infância marcada pela repulsa e maus tratos de todos, inclusive dos pais, por ser considerada uma aberração, capaz de causar dor nas pessoas que encostam em sua pele. Após matar uma criança por acidente, ela é entregue pelos pais as autoridades e é abandonada em um manicômio por ser considerada problemática, é lá onde vão parar todas as pessoas consideradas inúteis aos interesses do O Restabelecimento, um regime ditatorial global.
Entregue a uma grande confusão mental muito parecido com a desorientação da loucura, Juliette somente é forçada a emergir do seu ostracismo e interagir com o mundo exterior quando um dia acorda com um colega de quarto, Adam Kent, um jovem que, ela se lembra bem, está ligado ao seu passado. Entretanto, logo Juliette descobre que Adam não foi parar em sua cela de isolamento à toa, mais de um mês depois ela é tirada do manicômio e levada a base militar do Regimento 45, e descobre que o líder do regimento, Warner Anderson, tem intenções de transformá-la em seu instrumento de tortura. Mas não é só isso, descobre que Adam, o seu antigo colega de escola e recente colega de confinamento, a quem ela tinha aprendido a confiar, é um dos soldados de Warner enviado até ela para se certifica de que ela não é uma total desequilibrada. 

Juliette é um personagem que fugiu do desprezo e maus tratos das pessoas se entregando ao escapismo dos livros, é o que ela mesma admite, mas pela a maneira como ela narra os acontecimentos, os seus sentimentos, tudo ao seu redor, parece mais que em toda sua vida ela nunca viu nada além novelas mexicanas, tragédias gregas e dramas italianos, por que o desesperado exagero é o seu nome e sobrenome. Também classificaria assim a forma de escrever da autora. Uma escrita que é bonita às vezes e grotescas logo em seguida, uma vez que ela escreve como um motorista ébrio que de repente cochila e esquece o pé no acelerador, acorda para cochilar de novo e despencar no acelerador do exagero novamente. Assim, uma escrita que poderia ser apenas bonita se ela soubesse dosar um pouquinho a sua pena, se deforma toda num borrão esdrúxulo e apelativo que acaba deixando uma sensação desagradável de impaciência e náuseas. 

Contudo, se ela errou muito feio em quase tudo, acertou em duas coisas, de uma forma que eu fico me perguntando; como? Aaron Warner e Kenji Kishimoto, talvez seus dois únicos acertos. 

A verdade é que eu não teria lido a trilogia se tivesse começado pelo o primeiro livro, embora o inicio seja muito melhor do o resto. Comecei a ler pelo o conto “Destrua-me”, seqüência que liga o primeiro e o segundo livro e que é narrado pela perspectiva do possível vilão Warner. Warner foi a única coisa que me fez chegar até o final da trilogia. Talvez por que eu tenha uma queda imensa por vilões regeneráveis. Sim, admito a minha vergonha... 

A seqüência “Destrua-me” trás uma perspectiva totalmente diferente do personagem Warner, de uma forma que quem começou a ler a série pelo o primeiro livro não perceberia, sobretudo por que ele é uma figura patética e quase infantil no primeiro livro. Por começar a ler pelo conto “Destrua-me”, tive uma impressão totalmente diferente dele, do que aquela que a autora propositalmente construiu no primeiro livro. Realmente o conto tem essa intenção, o de revelar quem Warner é de verdade e convidar o leitor a vê-lo com outros olhos, algo que se desenvolverá progressivamente nos próximos livros. Uma vez que tive primeiro essa ‘boa impressão’, eu não me aborreci com o primeiro livro a ponto de abandoná-lo, pois havia a promessa de o personagem se revelar nos próximos livros. 

No conto “Destrua-me” o que existe é um homem de temperamento forte e dotado de grande autoridade, que vive cercado por soldados que o odeia e quer vê-lo morto, que tem um pai que o tortura com as próprias mãos mesmo em seus momentos mais vulneráveis. Um homem obcecado por uma garota que lhe deu um tiro no ombro apenas por que ele lhe roubou um beijo (lembrando que essa é a perspectiva do conto, e não do livro), e mesmo assim, quando encontra o diário que ela deixou para trás, se entrega de maneira obcecada a leitura de suas memórias, se deixando abalar profundamente pela a dor e pela angustia impressas ali, como se estivesse lendo as suas próprias palavras, como se tivesse reconhecendo a sua própria dor, os seus próprios dramas. Não há como não torcer por um vilão assim... 

Quando eu li o primeiro livro e descobri que o personagem tinha apenas 19 anos fiquei seriamente decepcionada, por que, afinal, não passava de um adolescente. Mas Warner é uma criança endurecida pelo o mundo, e a sua pouca idade em seu nível de experiências ruins na vida é só mais um traços que enriquece o personagem, dosando-lhe de um drama que no fim o humaniza e justifica, em grande parte, sua monstruosidade. O Warner do primeiro livro decididamente não é o mesmo do segundo e terceiro livro. De frio assassino monstruoso ele vai se transformar em outra coisa. Uma vitima de uma criação cruel e de um mundo que não perdoa a fraqueza. Vitima, mas ainda assim alguém forte. E vai ganhar nuanças que o tornará um personagem fascinante mesmo com todos os seus defeitos e passos errados. 

Contudo, o livro não passa de um romance adolescente no final das contas, adolescentes com hormônios em ebulição. A impressão que dá é que foi escrito por uma adolescente também, pela ingenuidade da trama, pela frivolidade tão ressaltada em muitos momentos. Com uma mocinha muito gostosa, com um mocinho irresistivelmente gosto, um mocinho-vilão muito mais irresistivelmente gostoso que o mocinho, e um vilão ainda mais vilão e ainda mais irresistivelmente gostoso que todos... ufa! Ah, e a mocinha é foda, é muito foda, é a mais foda de todos juntos, e o mocinho-vilão é o mais foda de todos também, ficando abaixo apenas da mocinha. Bem, mas essa é a visão da mocinha, está explicado por que eu gosto mais da visão do mocinho-vilão, né?

No primeiro livro, “Estilhaça-me”, Juliette é uma personagem totalmente desorientada, repleta de todas as psicoses herdadas do período de confinamento. O peculiar é que a autora não se abstém de encher as páginas de todos os tiques nervosos da personagem, ali no meio da escrita, e também não se importa de preencher uma folha inteira ou mais de frases repetidas numa seqüência aborrecida. É quase enlouquecedor mesmo. E tem uma gama de analogias (comparações, metáforas) bizarras soltas pela boca da protagonista que eu só posso imaginar que seja uma inaptidão terrível do tradutor do texto em encontrar termos em português suficientemente adequados com o que a autora queria dizer em seu idioma natal. São falhas tão absurdas que eu só posso dar crédito a tradução mesmo, e sei muito bem que nenhuma tradução é literal. Diante da escrita tão peculiar da autora, é quase certo que o motivo seja esse; não existem termos em português perfeitamente compatíveis. 

Mas tem outros momentos em que ela faz referência a personagens de obras conhecidas, ali, misturadas aos delírios metafóricos da personagem, de forma tão absurda que eu parava de ler e dizia: Meu Deus, essa autora criou uma subclasse nova da ficção especulativa, a distopia nonsense. 

Eu ri quando ela evoca alusões as obras Alice no País das Maravilhas, Harry Potter, e História sem Fim... Entretanto outros trechos, infelizmente poucos, são realmente bonitos e tocantes, quando você percebe que autora tentou fazer uma homenagem poética a escrita e a magia de ler, tentando de fato fazer parecer que a mente da personagem de alguma forma havia se misturado, indistinguível, ao universo dos livros que no passado ele havia se entregado para fugir do mundo, tornando-a diluída em meio à ficção, sem distinguir a si mesma do que havia lido, por que sua mente havia se edificado daquela forma, através da literatura, da palavra escrita. E quantas vezes nos leitores não nos sentimos assim? Confundidas com os personagens que lemos, herdando por um tempo um traço de personalidade, uma série de frases prontas, ou um modo de pensar arrancado dos livros? Um ponto para a autora... 

Ainda no primeiro livro, Juliette começa um romance com Adam, que aliás, por algum estranho motivo pode tocá-la. Juntos eles conseguem fugir da base militar. Numa segunda tentativa de fuga, ela atira em Warner, deixando-o para trás possivelmente morto. 

Com a ajuda de Kenji (soldado amigo de Adam) e junto com James (irmão de Adam), eles se refugiam em uma base rebelde chama ridiculamente de o Ponto Ômega. Lá ela conhece uma espécie de professor Xavier afro (ele possui até telecinésia também), e uma série de outros mutantes. Sim, ela é uma espécie de mutante com super poderes... 

Daí então ela vai se envolver em um conflito maior, nos planos do Ponto Ômega para derrubar O Restabelecimento. Mais ou menos, por que a maior parte do tempo ela vai estar se agarrando com o seu namorado irresistível. Tão irresistível que eu fiquei me perguntando se o super poder dele não seria provocar em Juliette uma atração sexual debilitante. Tipo a que o vampiro de Crepúsculo provocava na Bella. A partir desse momento a Juliette vai se parecer muito com a mocinha em questão. Enquanto ela deveria se ocupar em aprender a domar o seu super poder, que inclui também a super força, ele só se ocupa em chorar e se agarrar com o namorado bonitão. 

Nesse meio tempo (Já no segundo livro “Liberta-me”), o que a gente não imaginava acaba acontecendo; muito debilmente a autora vai dando espaço para outros personagens aparecerem. Assim, quando a gente acha que não vai ser grande coisa, ao menos um dele ganha um destaque devido. Kenji Kishimoto, vai se revelando, ganhando moldes, revelando uma personalidade hilária, que, aliás, dá graça a trama de uma forma muito inesperada, mas, além disso, faz o perfeito papel de coadjuvante/assessor dos mocinhos, tapando buracos na trama, unindo pontos, puxando as rédeas da mocinha tola/desmiolada/obcecada pelo namorado/ egocêntrica e colocando-a no eixo. 

O fato da autora dar algum destaque a um personagem que não é central e se desprender da orbita dos mocinhos, mesmo que muito pouco, foi algo que amenizou um pouco o ar de romance meloso adolescente e permitiu a configuração de uma equipe (mesmo uma equipe muito ruim) de super mocinhos lutando contra algo maior, direcionando o foco da trama para um objetivo muito mais digno que os vãos dilema de uma adolescente que só está descobrindo agora como é bom ter um namorado (parece que de todos os dilemas, o drama de Juliette acaba se resumindo a isso). 

O segundo livro é muito mais extenso que o primeiro e o terceiro, e nele a trama começa a dar seu giro de 180 graus, ao menos em relação à Juliette/Adam/Warner. Adam descobre que de fato possui também um super poder, e diferente do que eles pensavam, ele não é tão imune ao toque de tortura de Juliette. Isso faz com que a influência das novelas mexicanas, as tragédias gregas e os dramas italianos fiquem mais evidentes na veia artística da autora. Juliette se torna ainda mais lamuriosa e os dois se equiparem a um Romeu e Julieta distópico. Os dois não podem ficar juntos ou cedo ou tarde Juliette vai acabar machucando Adam, entretanto, Adam é irresistível, e bam! Acontece, mesmo sob muita advertência.

A personagem tem esse toque de excelência em estupidez, quando é dito que é para ficar longe, ela se agarra ao homem como se ele fosse um vampiro emocional e roubado toda a sua força em resistir. Quando deveria estar pensando na revolução e o fato de precisar tomar uma posição para ajudar um ideal de liberdade se concretizar, ela esta ocupada com seus dramas pessoais, quando seus amigos são capturado e a única chance de arrancar informações que possa salvá-los vem da sua influência sob Warner, ela esta distraindo-se com frases de Shakespeare tatuadas na região pélvica do mocinho-vilão (uma das cenas mais deprimente da trilogia, perdendo apenas para quando o grupo se compara aos Power Rangers). 

Contudo, nesse segundo livro eu cheguei mesmo a me comover com a cena em que Warner é torturado pelo pai, Anderson, o líder Supremo do O Restabelecimento, verdadeiro vilão da trama, e quase vibrei quando Juliette reage à agressão e acaba com a arrogância do infeliz. Warner e feito de refém e levado para a base do Ponto Ômega, a partir dai temos a chance de ver a outra faceta do mocinho-vilão, ao mesmo tempo em que Adam, o mocinho quase perfeito também vai se revelado.
Outra questão que agrega pontos a autora; a transformação de Adam. Adam era como o príncipe encantado perfeito para Juliette, o único que podia tocá-la (ou quase isso, por que Warner também pode), aquele que a ajudou a se libertar das garras de Warner, o amigo de infância que sempre a protegeu de longe, e ainda havia o pássaro tatuado no peito (o pássaro branco com rajas douradas na cabeça como uma coroa, uma das analogias infames da autora), o mesmo pássaro que ela sonhava sempre e sempre quando não tinha pesadelos. A encarnação do seu destino, da sua felicidade. Mas então algo muda, eles não podem mais ficar juntos e Adam não consegue entender isso. Juliette também muda, volta sua atenção ao menino machucado modelado pelas monstruosidades do pai que Warner se revela ser, pela primeira vez ela é a única pessoa que começa a ver Warner como alguém humano e não um monstro, também começa enfim a se envolver com as pessoas do Ponto Ômega, em seus conflitos... Adam ainda só pensa em uma maneira de ficar com Juliette, de controlar os seus poderes e adquirir novamente resistência a toxicidade da pele dela. Num conflito entre o restabelecimento e o Ponto Ômega, ela é dada como morta, e ele, apesar de tudo, se sente aliviado, por que descobriu diante do perigo que correra, que ninguém está acima do amor que sente por James, seu irmão, e que prefere tentar viver em paz, e Juliette é um chamariz de encrenca. 

No Conto “Fragmenta-me” narrado pela perspectiva de Adam, a sua máscara de perfeição começa a ruir. Aliviado por James ter sobrevivido, decide não se importar em investigar a sobrevivência de Juliette, raptada no campo de batalha. Daí então percebemos que Adam não é tão corajoso quanto pensávamos, não é tão leal assim ao seu amor por Juliette, que diante de duas escolhas, ele prefere a mais covarde, a de viver com medo, mas quieto. Isso em contraste ao ato heróico que Warner acabara de fazer para salvar a vida de Juliette, a sua pose de mocinho começa a ruir, e a segurança de que ele merece o amor da garota despenca consideravelmente. 

Daí adiante Adam se revela o que a maioria dos mocinhos realmente é, criaturas presunçosas que só amam heroicamente desde que permaneçam em sua zona de conforto, somente quando o amor da mocinha é fácil, ou seja, não demanda sacrifícios, quando a mocinha é doce, submissa, e necessita heroicamente de seus braços fortes para sobreviver. Que são incapazes de enxergar a força de suas parceiras por que estão obliterados pelo brilho do próprio ego, por que é cômodo que eles sejam tidos sempre como superiores, e a mocinha jamais descubra que não precisa dele para se defender. Só amam do seu jeito e não da forma livre e desprendida como o amor deve ser. 

Adam quer viver escondido com James, quer paz, quer fugir de qualquer guerra, mas Juliette mudou, passou por uma experiência de quase morte e descobriu que precisava deixar de ser uma criança chorona, descobriu que podia fazer algo da força que possuía, descobriu que podia mudar o mundo e vingar todos os seus amigos massacrados pelo O Restabelecimento. Ela sabe que pode fazer algo e quer lutar, mas Adam não aceita que Juliette deixou de ser aquela criança chorona que ele precisava proteger. Ele também não aceita que ela é livre para amar quem ela quiser, para se apaixonar por quem ela quiser, mesmo por um possível psicopata. Ele não acredita no poder de julgamento dela, para ele ela não passa de uma criatura idiota que se deixa seduzir por um psicopata. Então ele mesmo começa a agir como um sociopata. Não que já não tivesse agindo antes a fazer pressão emocional para Juliette não desistir dele e do amor dos dois, mesmo quando a tentativa fazia tanto mau para ela quanto para ele. Adam começa a apelar para os insultos, para a chantagem emocional, e se revela quem realmente é ao admitir que preferia que ela estivesse realmente morta a vê-la tomar decisões que contrariavam os seus desejos. Adam é o reflexo de uma sociedade firmada em pensamentos machistas e opressores, onde o amor é associado à posse, onde o cavalheirismo é um favor prestado as donzelas frágeis e, portanto uma marca de heroísmo inquestionável. Adam vem da fábrica dos mocinhos clichês vendidos em lote por toda uma cultura que romantiza a posse, a prepotência masculina e a fragilidade feminina, que petrifica as mulheres em uma condição opressora de criaturas incapazes. Mocinhos estes que jamais são vistos além da superfície, que jamais despem a máscara para se mostrarem como são, ciumentos, presunçosos, e mimados por uma cultura que sempre o favorece, sempre o deixa com a razão. Quantos Adams existem no mundo? Na literatura, nos contos de fadas, e no final, eles sempre levam o prêmio por tudo, sempre levam a mocinha para casa em seu alazão. A Tehereh Mafi não fez isso, ela quebrou o estereotipo de mocinhos incorruptíveis e vilões irregeneráveis. Na vida, ninguém é inteiramente mocinho heroi. E por isso eu digo que a autora ganhou muitos pontos aqui. 

Outra coisa, a mocinha no final se torna alguém forte, exageradamente forte, de uma forma irreal, tudo bem, mas fica a lição de que se algo nos impede de crescer, devemos deixá-lo para trás, mesmo que seja um amor. É preciso dar ouvido apenas àqueles que acreditam no nosso potencial, por que amor mesmo é adubo e não erva daninha, amor nos permite crescer, e não nos petrificar em uma imagem cômodo e extremamente fácil de ser amada. 

Warner no fim se mostrou o mocinho que sempre acreditou no potencial de Juliette, que tentou aflorar sua força da forma torta que havia aprendido, certo, mas depois ao perceber o que fez não forçou mais nada. Um mocinho que saiu de cena para deixar que ela se libertasse, mesmo tendo tanto potencial quanto ela. Um mocinho que colocou nas mãos de Juliette um exército, para que ela fizesse sua guerra. Que deixou que ela lutasse com o vilão e voltasse para receber os louros da vitória. Warner no final se tornou perfeitinho demais, DROGA!

A trama; os conflitos são irrisórios, as batalhas são irrisórias, as vitórias são irrisórias. Ele parecem mesmo os Power Rangers, só que Juliette é a Ranger Vermelha em seu poderoso Megazord. O seu plano de conquistar o mundo e depois governá-lo é super infantil, e o final é a coisa mais decepcionante. A autora enrolou no terceiro livro tanto quanto enrolou no segundo e no primeiro, encheu de banalidade, se apressou muito em algumas cenas como se estivesse em uma maratona, se alongou em outras como se não tivesse com nenhuma vontade terminar, e no final deixou todo o conflito da batalha final se comprimir em miseras vinte linhas. Nas batalhas sangrentas apenas anônimos morreram. Os poderes de todos eram magicamente cômodos. Todos insignificantes, exceto o da heroína, e do seu coadjuvante Kenji. O poder de Adam era tão cômodo até a trama virar, e as habilidades de Warner, o destinado verdadeiro mocinho, era a coisa mais foda... tudo magicamente perfeitinho, sem nenhum conflito realmente sério. Até mesmo o pretenso líder que deveria se colocar no lugar de regência do mundo, se mostra um idiota otimista que assassina com sua burrice todo o corpo de resistência que preparava durante anos para confrontar O Restabelecimento, um cenário muito cômodo para a mocinha se erguer como heroína, não? 

Entretanto eu vibrei no terceiro livro quando Warner capturou o poder de Kenji e fico invisível (sim, ele ficava invisível) ou quando ele explodiu a porta da casa de Adam e roupando o poder de Castle (o líder telecinético) se livrou das armas apontadas à sua cabeça. Foram momentos em que eu realmente bati palmas. E me diverti com o seu humor irônico, seu tom acido e inteligente, sua pose de durão inabalável que não se importa muito com o mundo a sua volta. 

No fim, acho que os títulos do livro estavam mais direcionado a ele ainda mais do que ao outros, o único que terminou realmente estilhaçado no primeiro livro, libertou-se de um estigma de monstro no segundo livro permitindo-se revelar aos leitores como ele realmente era, o pássaro branco de crista dourada que permitiu a si mesmo e a Juliette a chance de incendiar-se no fulgor da esperança, renascendo para uma vida e um futuro que eles jamais ousaram pensar ser possível antes

segunda-feira, 9 de março de 2015

As coisas inusitadas que a minha mãe já fez - Especial dia das mães

Qual mulher não tem medo de baratas? Eu não tenho, mas minha mãe morre de medo, então em toda a minha vida tenho uma lista imensa de assassinato de baratas nas minhas costas por que precisava salvar a minha mãe, ela me criou como quase uma ninja matadora de baratas, embora muitas vezes tenha deixado uma ou duas escaparem por piedade. Mas essa história não é minha, é dela. A maioria das mulheres devem ter um motivo fútil por odiar as bichinhas, talvez por achar que é um bicho feio, nojento, ou por achar que toda mulher tem obrigação de não gostar de baratas. A minha mãe, do contrario, tem um motivo bastante forte, trata-se de um trauma de infância. Acontece que quando ela era criança, por perversidade, tentou queimar uma barata com a chama de um candeeiro. Mas era uma barata voadora! O resultado é que ela foi perseguida por toda a casa pela vitima. A barata só a deixou em paz quando ela pulou na cama dos meus avós e entrou debaixo dos cobertores. Desde então minha mãe não consegue ver uma barata sem entrar em pânico e só se sente confortável quando vê o cadáver da coitada esmagado no meio da casa. Em rompantes de coragem ela até se atreve a matar uma ou duas, mas quando são pequeninhas, daquelas baratas inglesas, barata grande ela não encara, então sobra para os filhos perseguirem, derrubar a casa, encontrar a fulana e mostrar seu cadáver estripado para a matriarca. 
Certa vez estávamos todos reunidos e uma coisa marrom saiu rolando pelo chão, minha mãe se levantou correndo pisoteando e gritando, mata, mata! Na sua mente paranoica era uma barata, mas era só uma inofensiva moeda de cinco centavos. Nunca nos esquecemos desse episódios.     
Por algum motivo que eu não consigo entender (juro que não dá pra conceber tal ideia), ela não gosta de gatos, prefere cachorros. Eu, entretanto, adoro gatos, então já trouxe um milhão de gatos para dentro de casa, gatos que as pessoas abandonam nas ruas. Mas ela sempre acaba encontrando um jeito de se livrar dos coitados, seja levando para o interior para uma amiga gateira ou forçando a minha prima também gateira a adotá-los por livre e espontânea pressão. Mas as pessoas continuam abandonando os gatos nas ruas, ou alguém sempre me presenteia com um gato, então eventualmente há um bichano em casa. 
Uma vez, eu nunca a deixo esquecer, com raiva da minha gata Morgan, ela abriu o portão e disse: Vá embora! Morgan foi mesmo e nunca mais a vimos. Quando a questionamos sobre isso, ela disse: Ah, eu não achei que ela fosse mesmo, e eles sabem o caminho de volta... Mas não foi o que aconteceu. Alguns dias depois eu sonhei com que a havíamos encontrado, mas ela estava com feridas e os dois olhos vazados por viver na rua. Eu sempre conto essa história a ela (sou o tipo de pessoa que sabe fazer alguém se sentir culpada só por perversidade) e acho que ela se sente mal em relação a isso por que depois disso ela deixou que eu trouxesse outros gatos para dentro de casa e quando meu sobrinho trouxesse dois filhotes que os meninos estavam maltratando na rua, ela os acolheu sem protestar. Além disso, outro dia eu acordei com a minha mãe colocando um filhotinho preto em meu travesseiro. Quando eu perguntei de quem era, ela disse: Acabei de salvar, abandonaram alguns filhotinhos na praça e alguns cães estavam estraçalhando um deles. Não é por que eu não goste deles que eu queira ver uma coisas dessas acontecer. Ela acrescentou. Como nas contas dela ainda faltava um filhote perdido na praça (o outro havia sido estraçalhado), então me levantei e fui procurá-lo.
Hope, a filhote que minha mãe colocou em meu travesseiro.

Com os dois que meu sobrinho havia resgatado meses antes, haviam agora 4 gatos dentro de casa, dois deles já adolescentes e fujões, então sempre que alguém deixava o portão aberto eu tinha que sair pela rua a procura dos danados. 
Até que certa vez, depois de sair do banho, encontrei minha mãe, muito sem graça, sentada na varanda com um gato escondido atrás dela.  Eu sempre tenho o costume de contar os gatos toda vez que saio na área a frente da casa para ver se todos estão lá, contei e todos estavam lá, então de quem era aquele gato que minha mãe protegia atrás delas para as outras gatas não baterem?! - Eu achei que era a sua gata que havia fugido e trouxe para casa. Ela disse toda envergonhada. Então eu entendi: minha mãe havia trazido a gata de um estranho para casa achando que era a minha que tinha fugido!!!! "E agora, como  faremos para devolver?" Nós duas pensamos. Entretanto eu não parava de rir por que sabia que ela estava se sentindo uma verdadeira ladra de gatas. Procuramos o dono da nova gatinha, porém descobrimos que era mais uma gata abandonada na rua. O jeito foi criá-la junto com as outras. Assim ficamos com cinco gatos dentro de casa.

Katniss, a gata que minha mãe trouxe por engano/ ela gostava de subir no meu note.

domingo, 8 de março de 2015

A imagem da mulher através da arte de brasileiras


Eu acredito que a arte do ponto de vista do artista é um meio de expurgo, de catarse e sobretudo uma forma dele presentear a si mesmo com a confusa e fantástica sensação de confrontar no mundo material recortes das abstrações do seu mundo mental. Qual artista não olha a própria arte com um misto de vaidade e estranhamento? Não apenas isso, mas com uma dose de insatisfação, isso por que, a maioria não se dá conta, mas é uma tarefa difícil trazer para o mundo material aquilo que nasceu com a "inconsistente" configuração do mundo das ideias. O nosso pensamento e lépido e fugaz, mas esse mundo real é tão denso e parece tão mais complicado colocar em prática aquilo que idealizamos...

Entretanto, não abri esse post para abstrair sobre a arte, mas para falar do trabalho de alguns artista que conheço e que culmina com o tema em vigor hoje: o dia internacional da mulher. Eu acredito que a arte tem uma função social muito importante, pois tem o poder de provocar a reflexão, de chamar a atenção para uma realidade e nos fazer refletir sobre ela. É um poder que eu relaciono com a função educadora da arte que (a depender da intenção do artista) pode ser revolucionário.

No dia internacional da mulher e diante da bandeira do feminismo e toda a sua campanha de reconhecimento e valorização da imagem da mulher, eu lembrei de algumas artistas que usam muito a imagem feminina em suas obras de maneira muito marcante e eu não digo de maneira geral, pois essa é apenas a minha visão das coisas, mas o trabalho delas contribui para fortalecer a imagem da mulher, como arquétipo, como gênero,  como uma parcela fundamental da história da raça humana.
Eu conheço o trabalho de várias, mas vou destacar apenas três brasileiras.

Não vou colocar foto da arte delas por que eu acho falta de educação usar imagens dos outros sem pedir permissão, mas vou deixar o portfólio delas para vocês conferirem cada trabalho. 

A primeira e a que me inspirou a escrever esse post, pois conheço seu trabalho muito bem e tenho a oportunidade de observar também a pessoa.

Caroline Jamhour.

Ela traduz no melhor sentido da coisa a palavra "mulher" uma vez que introduz o sentido de força, feminilidade, resistência e aquele toque misterioso que beira o primal, o misticismo e eu acredito que seja aquele conjunto de inteligente e rica complexidade que faz com que a maioria dos homens julguem a mulher uma incógnita, um enigma indecifrável. Enfim, ela parece se cercar desses atributos e consequentemente seu trabalho tem esse traço marcante de mistério e força. Entretanto, ao mesmo tempo em que em sua arte a natureza feminina parece desvelada, escancarada em sua plena forma, ferindo nosso olhos com toda a sua beleza e ferocidade o resultado disso é um convite a um mergulho profundo em seus significados, podendo nos deixar perturbados, enlevados, podendo nos levar a um estranhamento como tudo que se mostra muito abertamente provoca para em seguida nos provocar a sensação de reconhecimento e por fim a aceitação como algo natural e infinitamente belo. Aos meus olhos a arte dela é uma confluência entre o belo e o estranho que acaba redefinindo o sentido dessas duas coisas.  


A segunda artista:

Janaina Medeiros;

A arte dela é justamente o oposto da Caroline, embora também esteja cercada de uma grande dose de mistério e misticismo. A arte dela enche a nossa alma de leveza e doçura de uma forma que a gente só consegue enxergar o mundo com as cores mais suaves e doces, isso por que sua arte é toda ingenuidade e doçura, mesmo quando a intenção era invocar um aspecto mais marcante da realidade ela continua transparecendo leveza e ingenuidade, com um toque de melancolia que torna tudo ainda mais bonito. Na arte da Janaina a mulher é essa criatura delicadamente bela, livre e inocente como a natureza é em sua mais plena forma e como as coisas geralmente são no inicio das nossas vidas.



A Terceira artista:

Negahamburguer (Evelyn Queiróz)

A arte dela tem a bandeira do feminismo como assinatura. É a arte que tem a linguagem pura e direta  de quem quer falar para a sociedade, falar não, gritar, rasgar o velho e ultrapassado, quebrar tabus, libertar os oprimidos, quebrar barreiras estéticas, e fazer as pessoas engolirem aquela face da realidade que elas não querem engolir por que não julgam adequada ou por que prefere manter debaixo dos panos. A Negahamburguer, assim como a Caroline, faz a mulher se sentir livre e sobretudo, se sentir bem e bonita com o que ela tem, com o que ela é.








terça-feira, 3 de março de 2015

A Besta e a Bela







_ Olá, Aslan. Disse a garota após pular o muro vindo até mim. Começava a achar que, assim como o criador, não havia lugar onde eu pudesse me esconder dela.
_ Por que insiste em me chamar de Aslan? _ falei com firmeza. _ Já lhe disse como me chamo.
_ E eu já lhe disse por que lhe chamo assim, _ rebateu-me sem nunca se intimidar. _ Em meu sonho havia uma mulher montada numa besta, um grande leão dourado. Você, Aslan.  Aquela ultima palavras ela disse de forma significativa, na voz sonora dos oráculos. Mas eu não podia creditar aos meus olhos ou meus ouvidos ou minha consciência presa naquele corpo de carne, não quando minhas feridas sangravam cheias de veneno, contaminadas pela saliva dos tantos demônios com os quais eu havia confrontado.  
_ Meu nome é Gabriel! Retruquei.  
A garota riu, e só então, talvez pela febre, eu pude perceber a beleza que existe naquele misto incongruente de malicia e ingenuidade.  _ Antes de você eu não poderia saber que os anjos coravam. Ela dissera passando por mim para sentar-se num amontoado de lixo ao meu lado.  Começava a achá-la por demais irritante. Saberia ela as interpretações mundanas daquela metáfora? Um enigma que ela não poderia fazer ideia. Ou poderia? Talvez por isso insistisse em me seguir, mesmo quando eu a havia deixado a salvo no santuário.
_ Eu só tenho você, Ash. Não quer mesmo se livrar de mim quando existem tantos demônios a solta por ai. Surpreendi-me ao ver que lia os meus pensamentos. De onde vinha aquela clarividência, afinal? Do fim dos tempos? Seria assim com todos eles?  Todo o meu ser se enchia de perguntas. Senhor, por que me deixaste tão cego nesta terra? Como farei o que tanto queres? Questionei em vão.  Não haveria resposta. Eu também estava sozinho. E minha dor se refletia nela. A revelia de qualquer vontade, a empatia me ligava àquela criança humana.
Sem pedir permissão, ajeitou-se para dormir aninhando-se entre as penas das minhas asas. Não lhe neguei a regalia, se ela conseguia dormir sob o caos de um apocalipse, que o fizesse. Sem escolha, permaneceria de vigília. Até quando? Até o momento de acordar e seguir? Até uma nova batalha? Uma mulher guiando um leão, ela dissera. Então que assim fosse, ela parecia mesmo ter melhor visão que a minha. Um leão cego,eu era...


sábado, 28 de fevereiro de 2015

A Senhora da Noite Eterna

Faz muito tempo que não escrevo, tanto que meus dedos enferrujaram. Não por falta de vontade ou inspiração, essas ainda me assombram. A verdade é que eu sou um barquinho sem leme lançado ao mar por uma forte tempestade, e por mais que eu reme não consigo atracar em nenhuma margem. Mas hoje fingirei que não sou folha ao vento. Há somente gotas de orvalho borrifando a vidraça, silêncio, modorra, fumaça de café...

Então vamos, lá: Era uma vez... A Senhora da Noite Eterna





Dizem que as estrelas nasceram do nácar de suas lágrimas, e borrifou o firmamento para que a noite não fosse apenas escuridão e a própria escuridão não fosse entendida como um vazio sem sentido. É que os homens precisam ver algo, mesmo um minusculo pontinho de luz para crerem na existência de alguma coisa. Há uma tendencia tão clara de verem no vazio, apenas o vazio, e na negra noite, apenas umbra.
Ela é a senhora de todos os segredos, o ventre quente e escuro de onde todos saímos e onde retornaremos. Ou para onde fugimos sempre que sentimos saudade do conforto do útero ou simplesmente desejamos enterrar algo bem fundo, coisas feias ou assustadoras. Ela recolhe o execrável e o esconde nas dobras de suas vestes, assim alivia os homens do terror deles mesmos.
É a senhora da noite eterna, terra onde o silêncio é repleto de vozes, coisas que precisam ser ouvidas. Ela trás todas as estrelas com ela, e quando é hora de partir, recolhe cada uma na teia de seu bastão, pois sua beleza pálida são seus adornos. Anciã eternamente bela, ela tem muitas histórias para contar, mas só para aqueles poucos que tem ouvidos que podem ouvir e olhos que podem enxergar. 



terça-feira, 6 de janeiro de 2015

A descoberta da Tumba de Osíris e Lady Falcão

Essa semana li uma reportagem onde acreditam ter achado a tumba de Osiris, o deus dos mortos para os egípcios, fiquei atônita, por que eu já escrito algo parecido em minha história Lady Falcão.  Inclusive um ou dois dias antes eu começara uma uma ilustração da Lisa Hawk, até mostrei o o processo na minha página do facebook.


A Lisa é uma inglesa que tudo o que queria é ter uma vida tranquila chata e comum como todo inglês, mas ela não pode viver o destino de outra pessoa, e não poderá negar o que ela é por muito tempo, sobretudo por que ela tem uma contrametade que clama por ela em sua tumba, a espera que sua magia o desperte, seu irmão Osíris, Lisa na verdade é a encarnação da deusa Ísis. A história é uma versão mais light de Estrela da Morte (vide postagem de 2011). Acontece que arqueólogos acharam a tumba de Osíris e ele precisa que sua amada o resgate e o desperte antes que seu corpo caia nas mãos dos cientistas profanadores. Em transe, a garota consegue enganar seu professor de arqueologia e chegar na tumba antes que tenham encontrado a câmera mortuária, desperta o deus dos morto, mas no processo acaba trazendo aos dias de hoje também seu malévolo irmão Seth... E dai temos a trindade divina novamente nos dias atuais...  
Eu nunca cheguei a dar um fim ao conto, eu queria algo maior que um conto, daí procrastinei até hoje, até  essa matéria incrível. Será que existe uma Lisa Hawk na realidade. Oh sonho...

Mudando de assunto...
O ano passou e eu não mostrei todos os desenhos que tinha feito. Vou mostrar aqui alguns para não perder a ocasião. 


A Urungaiara que eu fiz para um conto lindo da Carolina Mancini lá no Quotidianos...



Cena romântica de um beijo entre elfa branca e elfo moreno...


Eu chamo de Menina fada vitoriana, mas eu me inspirei numa pintura do artista Ethel Porter Bailev, só depois eu descobri que o personagem era um menino, coitado. rs 


Busto de uma sereia que se parece muito com minha irmã.



Esse ultimo é o mais antigo. Era para ser uma diaba, mas virou fada por acabei jogando azul nas asas e gostei, era pra ser asa negra de passarinho...


Eu comecei o ano pintando pratos de porcelana, com os meus desenhos. É uma técnica difícil que eu pretendo aprimorar. 

Lembram do bebê féerico? No prato maior está a minha versão da Bela e Fera. Os pratos estão disponíveis à venda na minha loja A Fantasista.






quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Pintura contada e mais Inktober




Celly Monteiro


Nessa última segundo, no Quotidianos, a Carolina Mancini publicou um conto baseado em uma pintura digital minha, "A fada Beija-flor". geralmente sou eu quem leio os seus contos e produzo uma ilustração, mas dessa vez ela fez algo diferente, ela leu a minha pintura e dela tirou inspiração para escrever sua história. Uma história linda, que eu amei de cara, tem tudo o que eu gosto, misticismo, fantasia, cenários ricos, sensualidade, romance velado... e eu também adorei a leitura que ela fez da minha fada desnuda: "olhos marotos e no sorriso convidativo ares de meretriz"... Confere lá o texto da Carol: 



E tem mais Inktober também. 
Ninho de egasus 
Garota Llama

Wilá a fada negra e Sila a fada branca. são personagens de uma história minhas; "As irmãs da terra dos carvalhos"

















O meu preferido é o da mamãe da abelhinha, é como se ela estivesse reclamando por que a mãe está lhe fazendo cafuné; :3








domingo, 26 de outubro de 2014

A estação

Ele caminhava feliz admirando a paisagem na estada, levando também sonhos na bagagem modesta. Reparava como a vegetação variava e as montanhas pareciam ondular sob seus olhos à medida que avançava. Porém, depois de tanto andar foi impossível não perceber-se cansado. Avistou as vigas de uma pequena estação no meio do nada. Pensou no quanto seria mais cômodo simplesmente esperar até que aparecesse uma diligência que o levasse até a cidade. Parou ao lado de um pé de cacto. Enquanto esperava ficou admirando o céu, e a paisagem à volta, até que tudo se tornou bastante familiar e ele se acostumou. Acostumou-se com aquele azul celeste no céu, com o rochedo de pico duplo à frente, com o arbusto dourado que cobria a terra acre, com a estrada empoeirada. E o marasmo lhe trouxe sono. E o sono era tanto que conseguiu dormir ali mesmo, de pé na estrada. Acordou quando já era noite. Tentou se mover, mas seus pés estavam presos no chão. Tentou apalpar o próprio corpo, mas viu que suas mãos não passavam de talos largos e espinhentos. Por fim tentou gritar por socorro, mas o grito ficou prezo no que antes fora sua garganta. Seu corpo agora era um tronco roliço e espinhento de cacto. No dia seguinte um viandante estava seguindo para a cidade mais próxima, viu as vigas do que parecia uma pequena estação e pensou que era melhor aguardar ali por uma diligencia a caminhar tantos quilômetros. Parou do lado de dois pés de cactos e esperou. 

domingo, 19 de outubro de 2014

Outros lugares

Eu sempre tenho vontade de falar um pouquinho sobre os meus desenhos e mostrá-los aqui, mas sempre acabo me esquecendo, e são tantos, tenho desenhado todo dia e não só por causa do desafio Inktober. De qualquer forma a maioria eu sempre posto em minha página do facebook, que, aliás, convido a vocês a curtirem:

Tem também o Deviantart;

Mas nesse não são todos os desenhos que eu posto lá. No Instagram, entretanto, por ser uma coisa tão pratica acabo postando o passo à passo da maioria dos desenhos que faço, também por que sou ansiosa e acabo postando as fotos dos desenhos antes de finalizá-los:


Para finalizar vou mostrar aqui os últimos desenhos que fiz:


Essa é a Besourinho, também fiz na onda do Inktober, mas nela eu usei lápis de cor também, tinta guache e aquarela além do nanquim. A Besourinho é a personagem de uma história que tenho matutado tem alguns meses, uma história sobre Super-Heróis diferentes dos usuais. Ela se chama Hanna, Sam, o Menino Ilusão, a chama de Besourinho por que ela é pequenininha e tem cabelos e grandes cílios negros. Então, eu, que gosto de misturar as coisas a desenhei assim, com antena e asas na cabeleira.   
Tem pintura digital também. Uma xamã do meu sketchbook com coroa de ossos que a Pat disse que se parecia comigo, mas acho que depois de pintada ficou diferente. Antes ela era assim:



Não fiz cenário, não sou boa em fazer cenários, principalmente com grafite, mas no photoshop é mais fácil, então eu arrisco. Fiquei pensando no que colocar, ela me parece estar sentindo algo profundamente, é uma xamã, está tendo suas epifanias silenciosas, ou ouvindo vozes que não podem ser ouvidas por ouvidos comuns, então tive os meus insight e chamei o desenho final de A Canção da Aurora:



 E se a Aurora, além de radiação solar, for uma canção celeste que os ouvidos humanos não conseguem alcançar. A canção da criação. A energia do sol enriquece o nosso planeta e graças a ele esse planetinha azul é fecundo como um ventre cheio. Não sabemos, não é, e se não sabemos ainda pode ser possível...


Meus selinhos ^^

Meus selinhos ^^
Meus selinhos ^^